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O adeus aos heróis

A Conmebol oficializou, nesta segunda-feira, dia 05, a decisão de declarar a Chapecoense campeã da Copa Sul-Americana 2016.

9 de dezembro de 2016

A Conmebol oficializou, nesta segunda-feira, dia 05, a decisão de declarar a Chapecoense campeã da Copa Sul-Americana 2016. O Conselho fez uma reunião por teleconferência, e confirmou o título. A decisão da Conmebol serve como um alento para o clube, depois de um fim de semana marcado pela dor e pelo choro. 
No sábado, dia 03 de dezembro, por volta das 9h30min, os aviões da Força Aérea Brasileira chegaram ao aeroporto de Chapecó, trazendo 50 corpos das 71 vítimas do acidente aéreo e pondo fim à angústia da espera das famílias.

Com honras militares, os caixões foram tirados dos aviões. Familiares e autoridades, como o presidente Michel Temer e o governador Raimundo Colombo, estavam no local para receber de volta os heróis. 

Carretas abertas transportaram os caixões pelas ruas de Chapecó, em um cortejo. Milhares de pessoas foram às ruas para se despedir de jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas. Quando chegaram à Arena Condá, a torcida que lotava as arquibancadas os recepcionou sob os gritos de “o campeão voltou!”. 

Lágrimas e olhares vazios e perdidos eram  constantes no ambiente. Mesmo o céu, com a chuva forte, parecia chorar a perda de um time tão querido. Tamanho foi o impacto da tragédia, que personalidades como o técnico da Seleção Brasileira, Tite, os ex-jogadores Clarence Seedorf e Carles Puyol, o jogador Lucas Silva, do Real Madrid e o presidente da Fifa, Gianni Infantino, marcaram presença no velório. 

O momento da entrada do mascote da Chape, Carlos Miguel, ou simplesmente Carlinhos, acompanhado do pai e da mãe,  carregando balões verdes, foi o símbolo da esperança que a torcida do Verdão do Oeste carrega, para que o time continue sua trajetória de sucesso.

Outro momento em que a emoção tomou conta da Arena, foi na entrada dos funcionários do clube, vestidos com uma camisa branca, cada um com o nome de uma das vítimas. Como mandava o protocolo, os nomes dos mortos foram sendo anunciados. A cada novo nome, um balão branco subia ao céu e uma salva de palmas ecoava pelas arquibancadas. 

Militares também prestaram homenagem, ao som de Va Pensiero, de Giussepe Verdi, e fizeram uma salva de tiros.

Ao final da cerimônia, as famílias dos jogadores que morreram saíram das tendas onde estavam com os caixões e caminharam pela área reservada no gramado, carregando os cartazes com a foto de seu parente, cartaz que seria usado nos vestiários na Sul-Americana. O gesto das famílias, demonstrou sua gratidão à torcida pelo carinho recebido na semana da tragédia. 

Após três horas de cerimônia, a torcida passou a cantar o famoso grito da torcida “vamos, vamos Chape! Vamos, vamos Chape!”

A Chapecoense divulgou, ainda, um vídeo no sábado, agradecendo as demonstrações de solidariedade ao redor do mundo. O vídeo dizia: “Procuramos uma palavra para agradecer tanto carinho e encontramos várias”, e em seguida, aparece a palavra “obrigado” nos mais diversos idiomas. 

Os corpos de jornalistas da Globo e do Grupo RBS foram velados no Rio de Janeiro e em Florianópolis.

No domingo, as famílias organizaram velórios privados nas cidades natais dos jogadores e membros da comissão técnica.

Os sobreviventes – Os quatro sobreviventes brasileiros da tragédia estão na UTI do mesmo hospital, em Rionegro, na Colômbia. O jogador Alan Ruschel e o jornalista Rafael Henzel apresentaram boa evolução, estão acordados e respiram sem ajuda de aparelhos. O goleiro Jackson Follmann teve uma regressão no quadro e corre o risco de sofrer nova amputação na perna  direita. Ele voltou a ser entubado. O jogador Neto é quem tem a situação mais crítica, pois está com uma infecção no pulmão. 

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