Nuvem de pó
Os funcionários da prefeitura relataram que o problema é constante e que ouvem muitas reclamações de moradores. Mas, estão apenas cumprindo o seu dever.
Na manhã de quinta-feira, 23 de janeiro, funcionários da Prefeitura Municipal de Pomerode foram até a Rua Helga Pedrini para executar o varrimento da mesma. Até aí, tudo dentro da normalidade: funcionários trabalhando, fazendo a limpeza da rua, desempenhando o seu papel.
Acontece que, devido ao clima seco dos últimos dias, a ação da máquina de varrer e do soprador resultou numa quantidade enorme de poeira, prejudicando empresas, trabalhadores e ainda os carros que estavam estacionados no local.
Os próprios funcionários da prefeitura relataram que o problema é constante e que ouvem muitas reclamações de moradores de outras ruas. Mas, os trabalhadores estão apenas cumprindo o seu dever. E também sofrem com o problema, haja vista que não utilizam nenhum tipo de equipamento de proteção – como máscaras, por exemplo – para lidar com a poeira, colocando em risco a própria saúde.
Naquela manhã, quando chegaram para fazer a limpeza da rua, os trabalhadores se depararam com muita terra seca próxima ao meio-fio, por isso, solicitaram que a prefeitura enviasse o caminhão-pipa até o local. Nós estávamos desde às 7h aguardando que o caminhão-pipa viesse até aqui para jogar água e evitar a poeira. Esperamos até às 9h e nada. A única ordem que nos deram foi que era pra fazer o serviço assim mesmo, relata um dos funcionários. E foi o que fizeram. Apenas cumpriram ordens.
O serviço causou transtornos, principalmente para uma empresa que possui um depósito no local, e no momento estava efetuando a carga de um caminhão. A poeira se espalhou e afetou as caixas que continham as mercadorias e também o interior da empresa.
Os carros que estavam estacionados no local ficaram completamente cobertos por pó. Essa situação causou a indignação de quem ali estava.
O senhor Jair Marcos Viebrantz, que informou ao Jornal de Pomerode sobre o ocorrido, ainda sofreu represálias de outro funcionário da prefeitura municipal, que esteve no local e o fotografou telefonando para a nossa equipe. O mesmo disse que se a matéria fosse publicada, entregaria a foto ao Secretário de Obras.
Jair respondeu que não estava fazendo nada de errado e apenas estava exercendo o seu papel de cidadão. Em momento algum me neguei a fazer o serviço. Por já trabalhar há nove anos na prefeitura, tenho experiência e sei que a poeira iria prejudicar a população e o correto seria esperar o caminhão-pipa. Apenas fiz o meu papel de cidadão. Não tenho medo de ameaças, sou concursado e sei dos meus direitos, afirma.
O Jornal de Pomerode entrou em contato com o Secretário de Obras e Serviços Públicos, Giovani Siewerdt, que respondeu aos questionamentos. Confira na íntegra.
Jornal de Pomerode – Os funcionários estavam aguardando o caminhão-pipa?
Giovani Siewerdt – O caminhão-pipa estava programado para passar no local.
JP – Por que o mesmo não foi até o local?
GS – O caminhão estava nas imediações da Rua Progresso, em Testo Alto, molhando as estradas. O veículo iria passar no local, mas demorou e o serviço foi feito sem o caminhão molhar a via.
JP – De quem partiu a ordem para executar o serviço do jeito que estava?
GS – De mim. Este pedido foi uma exceção, pois nenhuma rua é molhada antes de iniciarem os trabalhos de limpeza. A exceção foi feita, pois na via há muitas empresas e foram feitas reclamações e solicitações para que a prefeitura molhe a via antes de capinar o local.
JP – Por que os funcionários não utilizam equipamentos de segurança, como máscaras para evitar a inalação da poeira?
GS – Os funcionários receberam os EPI´s, se não usavam no local, isso será averiguado e punido com advertência.
JP – Essa situação já se repetiu outras vezes. Por quê?
GS – Limpar a via, sem que ela seja molhada com o caminhão pipa e utilizar o soprador para juntar toda a sujeira é um procedimento habitual. Nunca molhamos as vias antes da limpeza. Foi uma exceção. Quanto à questão de limpar as vias depois de molhar não é possível, pois o equipamento não consegue soprar a sujeira molhada, o que deixaria o material jogado na via, gerando também reclamações.