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Nunca é tarde para viver

Muitas vezes, o esporte é uma saída para quem luta contra o câncer, e, para Rafael Ramthun, foi o fator principal para
a vitória

8 de abril de 2016

Uma das notícias mais difíceis que alguém pode receber é o diagnóstico de câncer. No caso de Rafael Ramthun, não foi diferente. Criado no mundo do esporte, Rafael carrega uma grande bagagem de conquistas desde pequeno. “Eu sempre gostei de esportes, desde a minha infância. O que me motivou muito foi meu avô, que era ligado ao Primavera e sempre me levava para acompanhar os jogos. Antes das partidas, eu levava uma bola e ficava jogando com a molecada. Isso foi ficando cada vez mais forte e acabei sendo convidado para ser jogador no juvenil em algumas equipes. Na época, o futebol na cidade era muito forte, o que fez eu achar que poderia ser jogador. Com o tempo, minhas ideias foram mudando, as prioridades foram outras e acabei não seguindo essa carreira. Sempre estive presente no ciclismo, inclusive, quando jovem, fui campeão do Banco do Brasil Open, no Mountain Bike, o que foi uma vitória muito importante para mim. E assim começou minha história no esporte. Nunca fui competitivo e profissional, mas sempre estive presente em várias modalidades. Outra grande paixão é o automobilismo. Todo moleque gosta de carros e velocidade. Quando tive oportunidade de assistir uma corrida, decidi que um dia estaria nas pistas. Com 18 anos, meu pai me ajudou muito na compra do meu primeiro carro, modelo esportivo, que, inclusive, ainda tenho, e, graças a Deus, nunca me aconteceu nada. Quando vi, estava naquele meio. Em 1999, comecei a correr e daí por diante só tive conquistas”.

Rafael conta que, dentre tantas modalidades que já participou, uma de suas maiores conquistas foi poder ter realizado seus sonhos. “Sempre conquistei bons resultados isolados nas modalidades que eu já participei, mas nunca fui um campeão, nunca fui um atleta de rendimento em nada. Porém, sempre realizei grande parte dos meus sonhos. Em 1999, eu era o piloto mais novo do Grid, com uma das menores estruturas. Outro fato muito importante foi poder ter ajudado o nosso Hospital. Ter tido a oportunidade de realizar estes sonhos foi uma das maiores conquistas, me considero abençoado”.

Um dos piores inimigos do ser humano é a própria mente. Muitas vezes, ela é o fator principal do seu sucesso ou do seu fracasso. Rafael conta que este foi um dos fatores principais para se manter firme quando recebeu o diagnóstico do câncer.

“Receber a notícia do câncer foi muito difícil, não tenho como explicar. No primeiro momento não tem como não pensar na própria morte. Cheguei a conversar com a minha esposa, dizendo para ela seguir com a vida dela e do meu filho. Vem muitas perguntas à mente. Sempre fui um cara ativo e não entendia como isso poderia ter vindo ao meu encontro. Por outro lado, descobri a doença pelo esporte. Em 2013, jogando pelo Maga, comecei a me sentir fraco. Nunca tinha sentido nada, e, em um jogo, logo no início, tive tonturas. Por conta disso, fui atrás dos exames para ver o que estava acontecendo. No exame apontou que eu tinha anemia e estava muito fraco. Fui encaminhado para mais exames, e, em um destes, apareceu uma séria lesão maligna. Dali em diante começou uma correria contra o tempo. Criei uma sentença de morte. Porém, no segundo momento, coloquei como uma meta de vitória. Imaginava uma grande batalha e pensei nos momentos de superação para me focar nisso. Após a minha cirurgia, só tive notícias boas e o tratamento foi um sucesso. Pouco tempo depois eu já participei da primeira prova, coloquei como um desafio pessoal. No dia, com força de vontade, mão de Deus e sorte, consegui terminar.

Dali tirei várias lições que trago comigo até hoje. Atualmente estou correndo, pilotando, pedalando, faço de tudo um pouco”.

Se apegar a família nos momentos bons é um dos principais fatores para se manter bem nesta trajetória. “Nos momentos difíceis, lembrava de tudo que passei e conseguia forças para seguir. Se eu pudesse dar um conselho para quem passa por isso e até mesmo a quem não tem a doença, é que não existe nada mais eficaz do que a prevenção. Os casos de câncer muitas vezes tem cura. Outro fator importante é a força de vontade. A sentença está na minha mão, cabe a mim tentar reverter a situação. Tive como espelho o atleta Lance Armstrong, ciclista que fez três cirurgias de câncer e foi campeão de uma das maiores provas do ciclismo. Deixo uma dica para quem passa por isso: Não desista. Cerque-se de pessoas boas e de sua família. Medo, nunca. Respeito, sempre. Procure o máximo de informação sobre a doença e converse com pessoas que passaram por isso. O câncer é uma doença forte, mas que pode ser vencida. O corpo dá alertas, fique atento a isso. Depois do nascimento do meu filho e da constituição da minha família, isso foi a maior conquista da minha vida. Hoje sou outra pessoa, alegre, familiar, curto de tudo. Comemorar cada vitória é essencial. Essa é a minha trajetória, minha maior conquista. Mais que qualquer campeonato esportivo, era o troféu que me faltava. Meu maior título é a minha vida”.

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