Quarta-Feira, 08 de Dezembro de 2021

facebook_icon

Hoje: Máx 30Cº / Min 19°C

Siga a gente -

Jornal de Pomerode

Edição Impressa

icon_user

Alimento que nutre

Semana Mundial do Aleitamento Materno chama a atenção para a importância do alimento, essencial nos primeiros meses de vida

3c5f91518133e8e045b5e2a7c1e61995.jpg Foto: Dani Peiker Fotografia

O leite materno é o único alimento necessário para o desenvolvimento dos bebês até os seis meses de idade, devido à sua riqueza em nutrientes. E para enaltecer esta importância, existe a Semana Mundial de Aleitamento Materno, celebrada entre os dias 01 e 07 de agosto, com o objetivo de incentivar ações que garantam o leite materno ao maior número possível de crianças.

 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
https://jornaldepomerode.com.br/novo/midia/banners/banner_808x164/d71818c47d981bb85097e8de3648507e.jpg https://jornaldepomerode.com.br/novo/midia/banners/banner_808x164/ffd61332a4e29290e4edbdc12b3cf4f1.png

 

E como parte deste esforço, existe uma rede de doação de leite materno, formada por mães doadoras e profissionais que se dedicam a fazer a ponte entre quem doa o leite materno e quem o recebe.

A primeira ponta desta rede de apoio são as doadoras de leite materno. Janice Cristina Peiker Bär é uma das mamães que decidiu compartilhar o seu próprio leite com outras mães, como forma de auxiliar na nutrição de outros bebês, sabendo da importância do aleitamento materno. O seu filho, Arthur Ravi, nasceu no dia 07 de outubro do ano passado e no dia 16 do mesmo mês, ela começou a preencher o seu primeiro vidro para doação.

“Dois dias após o nascimento do meu filho, Arthur Ravi, meu organismo começou a produzir leite em grande quantidade. Como inicialmente meu bebê não necessitava de tanto, meus seios começaram a enrijecer e, para não desenvolver uma mastite, minha doula, Ana Sibila, me orientou a ir tirando o excesso com uma bomba, além de efetuar massagens e compressas na região. O leite que era tirado com a bomba eu jogava fora, o que me partia o coração por saber que ele era rico em nutrientes e por ter conhecimento dos bebês prematuros que poderiam estar se beneficiando dele. Então, entrei com contato com o banco de leite de Blumenau para me informar sobre o processo de doação. Eles necessitam tanto de doadoras, que no mesmo dia enviaram uma equipe até a minha casa para me explicar e orientar sobre o assunto”, conta Janice. 

 

 

A partir de então, uma vez por semana, ela recebia a visita da equipe do banco de leite em casa, para buscar os vidros preenchidos e traziam vidros novos, esterilizados. “Para iniciar a doação foi necessário apresentar alguns exames de sangue, responder a um pequeno questionário e eles sempre deixaram claro que eu só poderia doar se meu bebê estivesse ganhando peso adequadamente, ou seja, nunca faltou leite para o Arthur Ravi, a prova disso são as bochechas e coxas fofas dele (risos), enaltece Janice.

Ela foi doadora de leite materno até os seis meses de vida do filho. Depois desse período, devido ao retorno ao trabalho, comecei a armazenar/congelar meu leite para ofertar ao Arthur na minha ausência. Até hoje, ele não precisou de fórmula. Para Janice, doar leite foi uma maneira de ofertar amor e gratidão, por isso já indicou várias amigas a serem doadoras, da mesma forma.

“Minha gravidez foi muito sonhada. Doar amor em forma de leitinho foi uma maneira especial que encontrei de agradecer a Deus por tantas dádivas em minha vida. A Equipe do Banco de Leite sempre foi muito carinhosa e fazia questão de agradecer a cada vidro doado. Sempre que eu parava para pensar nos bebês que estavam sendo beneficiados desse leite, me emocionava muito. Cada gota de leite doado fará a diferença na vida de diversos anjinhos, que embora ainda estejam frágeis e indefesos, estão lutando bravamente pela vida, a qual é a maior dádiva que qualquer um pode receber”, destaca.

 

Janice se tornou doadora de leite dias depois do nascimento do filho. (Foto: Arquivo pessoal)

 

A outra ponta da rede

E a importância da doação, descrita por Janice, pode ser confirmada por uma das mães que recebeu a doação de leite materno. Bruna Luciane Ramthun Butzke é mãe dos gêmeos Bento Ramthun Butzke e Davi Ramthun Butzke, que nasceram de forma prematura, com pouco mais de 31 semanas de gestação. 

Ela relata que, na gravidez de gêmeos, existe um risco grande de haver um parto prematuro, o que faria com que os bebês precisassem da UTI Neonatal, por isso tentaram se preparar para este fato. Mesmo assim, segundo Bruna, não imaginava que isso fosse acontecer consigo, provocando um susto e trazendo a aflição por Bento e Davi serem prematuros. Felizmente, com o passar dos dias, tudo correu bem com os pequenos.

“Porém, a rotina de UTIN com os recém nascidos, é algo que não desejamos pra ninguém. Apesar de estar tudo bem com nossos meninos, vários outros ali enfrentavam uma luta diária e nem sempre acompanhada de um final feliz. Sentíamos na pele a angústia dos outros pais. Após o período na UTIN, tudo ficou mais leve. Como foi tudo muito rápido, não tive a chance de dar o meu próprio leite para eles, então diria que a necessidade de leite doado surgiu desde o primeiro leite que eles tomaram”, conta Bruna. 

A mãe dos gêmeos também relembra que, na UTIN funcionava da seguinte forma: rigorosamente, a cada três horas, eles ganhavam leite materno através da sonda. 

“Lá como tudo deve ter um cuidado redobrado, tive chance de tirar o meu leite manualmente, sem ajuda de extrator de leite e ofertar para eles, porém tinha apenas 20 minutos antes do horário para extrair para os dois, caso contrário o leite perdia a sua validade dentro da UTIN. No início não conseguia tirar o suficiente para um, depois fui conseguindo e intercalava o horário com os dois até que as vezes conseguia o suficiente para os dois no mesmo horário. Conforme eles iam crescendo a quantidade também aumentava e ficava mais difícil atingir a quantidade necessária para os dois. Havia momentos em que meu leite não era o suficiente, mas, aos poucos conseguimos adequar a dosagem, porém, a dor era grande e ainda estava aprendendo a extrair o leite de forma maia eficaz. Nos horários que não estava presente na UTIN, foi de extrema importância poder contar com a doação de leite, pois quase sempre havia a opção de oferecer o leite materno de outras mães”, destaca.

 

Bruna teve a alegria de ver os filhos recebendo leite materno doado. (Foto: Arquivo pessoal)

 

No início, segundo Bruna, a situação foi difícil de ser encarada, pois era seu sonho segurar os filhos no colo e poder amamenta-los. Além disso, havia a apreensão de estarem na UTIN, nas incubadoras, sem que pudesse pegá-los no colo, ninar, dar banho, trocar a fralda e amamentar na hora em que quisesse e que eles sentissem fome. 

Na UTIN, de acordo com a mãe, a cada três horas era recebida uma caixa térmica, com vários potes com o nome de cada criança e a quantidade de leite prescrita pelos pediatras. Então, no horário certo, os potes eram distribuídos para cada paciente. O leite era sempre passado pela sonda por um dos pais ou nos horários que não estivessem presentes, era passado por alguém da equipe.

Hoje, após o período conturbado e de aflição constante, Bruna enaltece a gratidão por ter contado com a solidariedade de outras mães. “Uma gratidão enorme. Sempre soube da importância do leite. Doar leite é um ato de amor, doar leite é dar vida. Meus meninos nasceram com aproximadamente 1,6kg e hoje estão com quase 6kg e saudáveis. Hoje eu consigo amamentar exclusivamente eles com meu leite, mas se lá no começo não tivesse recebido o leite delas, não sei se eles teriam a saúde que eles têm hoje. Para as mamães doadoras, sou eternamente agradecida, pois graças a vocês meus filhos se recuperaram e puderam ir para casa com anticorpos e os nutrientes necessários e estão fortes, crescendo bem e saudáveis”, ressalta.

 

O elo de ligação

A amamentação é um dos melhores investimentos para salvar vidas infantis e melhorar a saúde, o desenvolvimento social e econômico dos indivíduos e nações. Por isso, ações que incentivam esta prática tão fundamental têm um valor enorme e, nesta missão, existem profissionais que se dedicam a garantir a oferta de leite materno a todos os bebês.

A enfermeira obstetra e consultora de aleitamento materno, Ana Sibila Dallabona, é uma das profissionais que se dedica a esta missão. E além da consultoria, ela também auxilia em outra tarefa importante, ilustrada pelas histórias narradas nesta reportagem: incentivar mães a serem doadoras de leite materno, sendo o elo para que este leite possa garantir um desenvolvimento mais saudável aos bebês que não puderam receber o leite materno.

“A amamentação é o ato de nutrir o bebê através do leite produzido pela mãe. É um momento entre mãe e filho e extremamente importante, pois, além de promover o desenvolvimento emocional da criança, protege contra infecções e auxilia no desenvolvimento psicomotor”, explica a consultora e enfermeira.

 

Ana Sibila Dallabona, consultora de aleitamento materno. (Foto: Arquivo pessoal)

 

O leite doado é direcionado, principalmente, a bebês internados em UTI’s, que não podem ser amamentados, muitos deles, nascidos prematuros. O leite materno, neste caso, é essencial para o bom desenvolvimento da criança.

A iniciativa de mães doarem leite materno para o banco de leite com certeza salvará muitos bebês prematuros que estão internados em UTIs. Bebês internados que recebem leite materno desde o nascimento recuperam-se mais rápido. Toda mulher que amamenta pode doar leite materno, basta ser saudável e não tomar nenhum medicamento que interfira na amamentação. Qualquer quantidade de leite materno doado é importante e faz a diferença”, enaltece Ana.

A mãe pode ser uma doadora de leite quando está amamentando e produz um volume de leite que vai além da necessidade do bebê.Todo leite doado é analisado, pasteurizado e submetido a um rigoroso controle de qualidade antes de ser ofertado aos bebês internados em Unidades Neonatais.

Ana finaliza informando que as mães interessadas em doar devem ligar para o Banco de Leite Humano mais próximo e informar-se sobre a maneira mais segura de fazer a doação. Blumenau tem o Banco de Leite mais próximo na região.