No inverno ou no verão, tome cuidado com a gordura trans
Quando a temperatura cai, a vontade de ficar em casa e o apetite aumentam. O tempo frio, típico do inverno, é um prato cheio para se aproveitar da oferta de receitas mais elaboradas.
Quando a temperatura cai, a vontade de ficar em casa e o apetite aumentam. O tempo frio, típico do inverno, é um prato cheio para se aproveitar da oferta de receitas mais elaboradas, a exemplo de sopas cremosas, bebidas quentes e quitutes das festas de São João. Para evitar aqueles quilinhos extras e complicações de saúde ao final da estação, é preciso cautela.
O consumo excessivo de alimentos e, em especial, de pratos que levam maior concentração de açúcar e gordura deve ser vigiado, até mesmo no caso da alimentação das crianças. Pipoca de microondas, chocolates, bolachas recheadas, salgadinhos e uma vasta gama de produtos industrializados são ricas fontes da chamada gordura trans, uma das maiores ameaças alimentares à saúde da população.
Segundo estudos recentes, este tipo de gordura tem a capacidade de diminuir o bom colesterol e aumentar a taxa de LDL, o “mau colesterol”, aquele que se deposita nas paredes das artérias e forma placas de gordura que endurecem e entopem os espaços por onde circula o sangue. A gordura trans também é considerada a principal responsável pela produção da gordura visceral no corpo humano, que se acumula na região do abdome, formando a tão famosa “barriguinha”. Além de esteticamente desagradável, esta pode levar à síndrome metabólica, uma conjunção de doenças graves: diabetes, pressão alta, alto nível de triglicerídeos e colesterol.
O que torna a gordura trans tão perigosa é o processo utilizado para adquiri-la. É um tipo especial de gordura, formado a partir do processo de hidrogenação da gordura insaturada, que é transformada do estado líquido para o sólido, à temperatura ambiente. “Toda gordura engorda, mas a trans é diferente, pois ao longo dos anos ela se acumula no corpo e pode causar problemas no coração, além de diabetes e pressão alta”, explica a nutricionista da Prefeitura, Aline Pruner. A indústria alimentícia apela para o uso da gordura trans com o objetivo de melhorar a consistência de alguns produtos e reduzir a deterioração natural dos alimentos.
A quantidade máxima de gordura trans a ser consumida por dia, segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), é de cerca de 2,2 gramas por pessoa. Como exemplo, somente 80 gramas de sorvete de massa, o equivalente a uma bola, chega a ter em média 1,6 gramas de gordura trans. “Para evitar os excessos, é sempre melhor dar preferência ao consumo de alimentos naturais como frutas, verduras, legumes e cereais”, reforça Aline.
Com as “fast foods” e comidas processadas, cada vez mais presentes na mesa dos brasileiros, e em todo país, a sociedade médica conta com a ajuda das escolas para promover a melhoria dos hábitos alimentares da população. Nas instituições de ensino de Pomerode, o consumo de produtos ricos em gordura trans é inibido pela legislação estadual e, em breve, também através de resolução municipal. Desde 2001, é proibida a venda de salgadinhos, frituras e guloseimas nas cantinas, bem como de demais alimentos que contenham nutrientes em suas composições químicas que sejam comprovadamente prejudiciais à saúde.
Mesmo com a lei, ainda há resistência de comerciantes em deixar de revender tais produtos. “Cabe à diretoria da escola, junto com associação de pais e professores, sensibilizar-se e saber dar apoio à oferta de alimentos saudáveis, com preço acessível aos alunos e em condições adequadas de higiene e conservação”, aponta a nutricionista. A Sociedade Brasileira de Pediatria indica às escolas que definam ações reguladoras não só para a comercialização dos produtos, mas também para o marketing e publicidade de alimentos infantis em ambiente escolar.