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No gingado da capoeira

Ela nasceu nas senzalas brasileiras e foi, durante muito tempo, o grito de liberdade de negros escravizados. O tempo passou e o símbolo de rebeldia e resistência, se tornou arte. Difundida no Brasil e no mundo, a capoeira é reconhecida como esporte, dança e luta e é um excelente exercício…

28 de julho de 2011

Ela nasceu nas senzalas brasileiras e foi, durante muito tempo, o grito de liberdade de negros escravizados. O tempo passou e o símbolo de rebeldia e resistência, se tornou arte. Difundida no Brasil e no mundo, a capoeira é reconhecida como esporte, dança e luta e é um excelente exercício físico por trabalhar com a agilidade, resistência e raciocínio.
Tanta popularidade e penetração no meio esportivo, deixou a capoeira bem longe da clandestinidade de outros tempos e hoje, até um dia para comemorar o esporte existe, 3 de agosto.
Como já foi dito, a capoeira deixou de ser um esporte segregado e hoje está espalhada por todo o país. Até mesmo aqui em Pomerode, onde temos a forte presença da imigração alemã, o gingado e o toque de berimbau aportaram e vêm atraindo mais adeptos.
Estamos falando da garotada da Escola Nossa Senhora de Fátima que vem desde 2010 tendo aulas da arte originária dos escravos descendentes de africanos. São mais de 80 crianças praticando com a professora Edene Silva Souza, de 33 anos, conhecida como Pixuim, nome de batismo na capoeira, que faz parte do Grupo Muzenza. Ela começou a dar aulas há um ano e se surpreendeu com o interesse dos alunos, principalmente as meninas.
A iniciativa de oferecer aulas de capoeira como atividade complementar foi do próprio educandário, que entende que tudo que venha somar no desenvolvimento psíquico e físico dos alunos é importante, como garante a coordenadora Marilde C. Agostini.
Desde então, Pixuim vem trabalhando os elementos deste misto de arte, dança e luta. Como são crianças, o foco das aulas é no estilo Bengela e de Angola, que prioriza os movimentos das duas primeiras vertentes da modalidade e deixa a parte do combate de fora, que seria a capoeira Regional. “Trabalhamos dentro da filosofia pedagógica da escola e desta forma, deixamos a parte luta da capoeira de fora. Ensinamos as músicas, como construir os instrumentos e a história desta arte”, explicou Pixuim.

Batismo
O batismo na Capoeira é muito importante. Nele os alunos recebem sua primeira corda, graduação da modalidade e que diferencia os mais graduados dos novatos. É no batismo que o capoeirista ganha o seu nome na arte, assim como Edene é chamada da Pixuim, uma derivação de Pixaim, por causa de seu cabelo crespo. “Normalmente eles escolhem os nomes pelo tipo físico ou de jogo, mas as crianças também gostam de dar nomes de super-heróis”, comentou Pixuim. No caso dos alunos da Escola Nossa Senhora de Fátima, o batismo deve acontecer em novembro em Blumenau, durante o Festival Afrobrasileiro de Capoeira, que acontece há 10 anos na cidade vizinha e reúne capoeiristas de diversas partes do país.

A professora
Pixuim ganhou esse nome por causa de seus cabelos crespos, como a própria contou. Está na capoeira há uns cinco anos, quando começou treinar na FURB. O contato com o esporte ela tem desde criança, pois nos tempos que vivia em Sergipe, onde nasceu, já via seu irmão, o Professor Tigre, praticando. Porém, somente em Blumenau que o interesse pelo esporte foi despertado.

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