Necessidade comprometida
Em Pomerode, muitos morades saíram para desfrutar de férias no litoral. Porém, quem ficou na cidade, também teve de enfrentar problemas com a falta de abastecimento de água. A maioria dos bairros estão sofrendo desde o final do ano com esta circunstância.
Durante o verão, especialmente no período de recesso, entre o fim de dezembro e início de janeiro, é comum que algumas cidades, principalmente do litoral, sofram com a falta de água e de luz devido à grande presença de veranistas que vem passar suas férias no local.
Em Pomerode, muitos morades saíram para desfrutar de férias no litoral. Porém, quem ficou na cidade, também teve de enfrentar problemas com a falta de abastecimento de água. A maioria dos bairros estão sofrendo desde o final do ano com esta circunstância.
Para Rosana Simas Guimarães, moradora da localidade do Vale do Selke Grande, o problema já existe há tempo. Segundo ela, que mora há três anos no local, no verão sempre faltou água e desde o final do ano passado vem faltando com muita frequência. Uma vez, ficamos quase 48 horas direto sem água diz ela. E o problema não acabou. Passados uns dias, novamente faltou água na casa de Rosana. Acabou a água novamente, e não podemos fazer nada. Aqui estamos todos revoltados, pois não podemos executar as tarefas domésticas, como lavar roupa, por exemplo, pois não temos como.
Gilberto Weirich, morador de Pomerode Fundos, também enfrenta problemas com o abastecimento de água em sua localidade. Ele afirma que na sua residência faltou água nos dias 01, 02 e 03 de janeiro. Foi tentado o contato com o Samae e, na ocasião, disseram que o problema econsistia em uma bomba estragada, mas demorou muito para o abastecimento ser retomado e ficamos receosos de que falte novamente, pois no ano passado também tivemos bastante dificuldade com a falta de água.
Diversas foram as manifestações de moradores na página do Samae Pomerode na rede social Facebook. Segundo os comentários, eram diversas localidades que estavam sofrendo com a falta de água, como Testo Central, Ribeirão Herdt, Centro, Ribeirão Clara, Ribeirão Souto e Pomerode Fundos.
Em um boletim oficial da empresa no dia 27 de dezembro, a empresa informou que o o abastecimento de água nestas localidades se daria devido a uma manutenção na Rede Geral de Distribuição de Água, provocada pelo rompimento da tubulação , que interliga os domicílios abastecidos pela Estação de Tratamento de Água ETA 1, prejudicando os moradores das localidades acima citadas. E mais tarde, publicou que somado aos problemas já identificados, a válvula responsável pela interrupção e liberação da água para a rede geral de distribuição quebrou, não tendo assim, uma previsão para a retomada da distribuição.
Já no dia 28 de dezembro, a empresa divulgou novo boletim, no qual dizia que a equipe técnica havia concluído os trabalhos de reparo e manutenção corretiva da Rede Geral de distribuição e abastecimento. Portanto, segundo o Samae, o abastecimento de água para todos os domicílios de Pomerode atendidos pela ETA 1, pode durar até 24h, em virtude de que o consumo de água nesta época do ano é extremamente alto.
Entretanto, mesmo após este período, novos casos de falta de abastecimento ocorreram nestas localidades.
Segundo informação do Presidente do Samae em Pomerode, Jorge Alfredo Hoge, o Samae foi surpreendido por três falhas seguidas na rede geral de distribuição, nas últimas horas do dia 26 de dezembro de 2013. Houveram dois pontos distintos de rompimento na rede geral de distribuição e ainda, uma falha na válvula que controla a saída de água do reservatório de 500 m³ da ETA 1. Com isso, apesar de todos os esforços da equipe técnica na solução dos problemas, houve uma necessidade maior na demanda de horas dedicadas para este conserto. Os trabalhos foram concluídos somente na madrugada de sábado, dia 28 às 04h30min. Somado ao período de interrupção no abastecimento, houve, na sequência, um elevado consumo de água. Com isso, ocorreu uma demora representativa para que todas as residências recebessem água. Como existe atualmente, um baixo volume de reserva na ETA 1 (500 m³ se esvaem em até três horas), maior foi o período de residências que não foram abastecidas.
Jorge diz que o problema foi solucionado em 28 de dezembro, entretanto, os problemas continuaram em algumas localidades, onde as residências não possuem caixa dágua ou que estão localizadas em locais mais altos e que se agrava devido ao alto consumo de água Uma forma de se obter reestabelecimento mais ágil para todas as residências com a atual estrutura do Samae, seria uma ampla participação popular, no sentido de utilizar a água que chega em sua casa exclusivamente para necessidades essenciais. Evitar usos para irrigar os jardins, regar as vias de trânsito, lavar carros, encher as piscinas ou mesmo para tomar um banho de mangueira, seriam ações eficientes no combate ao desperdício, principalmente nesses momentos de necessidade. Havendo conscientização e solidariedade de todos, o abastecimento se normaliza em menor prazo de tempo.
O presidente do Samae diz ainda que o abastecimento já foi normalizado em todo o município, e deixa um alerta. É muito importante que as residências providenciem sua própria reserva de água. Pode-se estimar, por cautela, uma reserva de 250 litros / pessoa / dia. Um consumo equilibrado e racionado, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), estabelece o consumo mínimo per capita de 100 litros diários de água – o suficiente para uma pessoa saciar a sede, ter uma higiene adequada e preparar os alimentos.
Entretanto, não foi somente a água que faltou para os moradores pomerodenses. A falta de luz também atingiu moradores de regiões diversificadas. No dia 11 de dezembro, o Jornal de Pomerode publicou uma matéria onde, devido a um temporal que havia atingido a cidade, onde alguns moradores da Rua Ricardo Koenig, em Testo Central, foram diretamente prejudicados, pois ficaram sem energia elétrica por quase 30 horas. Cerca de 10 residências foram atingidas pela falta de luz naquela localidade, que só foi reestabelecida, após muita insistência na noite do dia seguinte.
Segundo os habitantes, o problema da falta de energia é recorrente e soluções já foram cobradas, no entanto, sem respostas. Pelo menos uma vez por semana, falta luz por duas ou três horas. A rede passa pelo meio do mato e, quando alguma coisa encosta no fio, os moradores ficam sem luz. Já fizemos abaixo assinado para que esta situação seja solucionada, mas até agora, nada, frisa Sidnei da Silva.
Morador da localidade de Testo Alto, Lucas Schumacher afirma que também fica sem eletricidade diversas vezes. Segundo ele, é recorrente a falta de luz em sua residência e que vivem tentando contato com a Celesc para a resolução do problema, mas sempre sem sucesso. O maior problema está no atendimento, que nunca conseguimos. Ligamos, ninguém atende, é uma demora para conseguirmos contato com os mesmos.
Moradores do bairro Ribeirão Areia também sofreram com a falta de energia elétrica na região. De acordo com o morador Joel dos Santos, foram quatro vezes que faltou luz no local, e de acordo com ele, o atendimento da Celesc não esclarece os motivos da falta de abastecimento, que se intensificou no período de recesso. Joel trabalha no Centro e por duas vezes, também pôde constatar a ausência de eletricidade no bairro.
Segundo o Gerente Regional da Celesc em Blumenau, Claudio Varella, no relatório emitido com as ocorrências no final de ano, são observadas quatro causas para a falha na distribuição de energia. São eles: Interferência Vegetal na Rede, Descarga Atmosférica, Condições Ambientais e Interferência Animal na Rede. Claudio diz que nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro intensifica-se a ocorrência de tempestades, o que aumenta a ocorrência de interrupções no abastecimento de energia. Isso significa que nesta época do ano, tem-se maior probabilidade de acontecer algum problema na rede.
A respeito do tempo de atendimento de algum caso, ele explica que a Celesc dispõe de uma frota de veículos para ir atender as ocorrências, e que o tempo vai de acordo com o número de ocorrências em um mesmo período. Depende muito, pois se tivermos cinco ocorrências em um dia, conseguimos atender rapidamente, entretanto, se tivermos 50 ocorrências em um dia, teremos que dar algumas prioridades e algumas solicitações irão demorar. Geralmente, a ordem de atendimento depende da ordem de registro de ocorrência. Quem informa primeiro, terá a possibilidade de ser atendido primeiro.
Em todo o estado – Em 2013, a situação foi bastante complicada em diversas cidades de Santa Catarina, deixando muitas pessoas revoltadas com o atendimento turístico das cidades e também com os órgãos responsáveis, além de deixar perplexos os moradores destes municípios, que também são prejudicados com o problema.
A Secretaria de Estado de Turismo está preocupada com essa circunstância, pois os turistas chegaram a abandonar as cidades antes do esperado por causa das condições a que estavam submetidos. Esta queda pode gerar baixas na economia catarinense, que é aquecida pela grande procura no verão.