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Na guerra dos sexos do reino animal, vale tudo

As táticas dos animais para conseguir sexo (ou fugir dele) são dignas dos melhores estrategistas militares

21 de setembro de 2010

 Para aqueles dias que só se pensa em deitar e dormir, vale qualquer pretexto. Mas no reino animal, a clássica dor de cabeça dá a vez para estratagemas muito mais ardilosos. Um exemplo é a artimanha das fêmeas do molusco da espécie Litorina saxatilis. Quando cansam do assédio masculino, elas param de produzir o muco que normalmente atrai os machos. Confusos, eles passam até uma hora, o dobro do tempo normal, a procurá-las (e muitas vezes até seguindo outros machos), e assim as fêmeas ganham um descanso. Mas os pequenos moluscos não estão sozinhos. Muitas espécies diferentes usam dos mais variados subterfúgios para negar (ou conseguir) sexo.

A tática dos Litorina foi descoberta pela equipe de Ecologia Marinha da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e publicada esta semana no periódico PLoS Biology. A razão para a relutância está na proporção entre machos e fêmeas: a cada temporada de acasalamento, entre 10 e 20 machos buscam uma fêmea para copular.

“É benéfico para o macho acasalar o mais rápido possível, pois esta é a única maneira que eles têm para influenciar o número de filhos. Mas acasalar é, muitas vezes, custoso para as fêmeas,? disse Kerstin Johannesson, que coordenou a pesquisa, em comunicado da universidade.

Os pesquisadores usaram câmeras para acompanhar as intrigas sexuais dos moluscos. E haja paciência: cada cópula da espécie dura entre 10 e 30 minutos. As fêmeas literalmente carregam os machos que inserem seu pênis nelas fazendo movimentos circulares ? não é à toa que cansam. Depois, ficam vulneráveis a predadores, enquanto cuidam sozinhas da prole. ?Ao não excretar o muco, as fêmeas copulam com menos frequência, já que os machos perdem mais tempo à sua procura”, disse Johannesson.

Mascarar o gênero para obter a cópula é uma artimanha comum no reino animal, mas casos de machos se fingindo de fêmeas para chegar perto do objeto amado costumam ser a regra. Uma exceção é a libélula do gênero Zygoptera, cujas fêmeas alteram sua cor para ficar mais parecidas com os machos e assim evitar paqueras indesejados.


Guerra do amor

Situações em que animais de gêneros diferentes têm conflitos de interesse reprodutivo são conhecidas na biologia como ?conflitos sexuais?. Machos da espécie de mosca Drosophila montana, por exemplo, têm o hábito de copular por mais tempo que as fêmeas gostariam, para evitar que elas sejam inseminadas pelos seus concorrentes. A fêmea, por sua vez, lutar contra o macho, tentando se desalojar dele. Já os moluscos marinhos Sepia apama usam táticas mais sutis: para vencer machos concorrentes maiores, se fazem parecidos com as fêmeas. Assim, conseguem se aproximar tranquilamente delas sem ter que competir com machos mais fortes. É o vale-tudo do amor.

 

Confira fotos ao lado:

1 – Quando as fêmeas do antílope queniano vão embora, os machos as chamam avisando que há um predador por perto. Elas voltam e adivinhe quem dá o bote?

2 – O Atlantic Mollie finge desinteresse pelas fêmeas quando outros machos mais fortes estão por perto.

3 – Este molusco marinho se faz passar por uma fêmea e assim, ludibria machos maiores e se livra da concorrência.

4 – Entre os lagostins é comum que a fêmea pareça repelir o macho. Com isto, elas analisam a força e tamanho dos pretendentes.

5 – As fêmeas dos grilos do campo se recordam do estrilar dos machos mais atraentes e usam esta informação para escolher seus parceiros.

6 – Algumas libélulas alteram sua cor para ficar mais parecidas com os machos. Assim, evitam aproximações indesejadas.

7 – Ser muito atraente não é vantagem para as moscas da fruta fêmeas. O líquido seminal dos machos contém toxinas que podem lhes causar infertilidade.

8 – Nem vêm que não tem: as fêmeas da espécie Litorina saxatilis deixam de liberar o muco atrativo quando fazem greve de sexo.

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