Muito mais do que um jogo de mesa
Com certeza, você já deve ter visto por aí alguns amigos alucinados em torno de uma mesa de jogos, gritando uns com os outros, na busca das melhores cartas.
Com certeza, você já deve ter visto por aí alguns amigos alucinados em torno de uma mesa de jogos, gritando uns com os outros, na busca das melhores cartas. Não, não estamos falando de nenhum briga ou coisa parecida, mas sim, do Truco, um jogo muito popular que ganha adeptos a cada dia que passa.Criado na Inglaterra no século XVII, a modalidade foi instrumento de muitas apostas e o motivo de muitas dívidas entre os seus adeptos. Ao longo dos anos, as regras foram se alterando, até chegarem ao modelo que conhecemos hoje. Para os fãs do jogo, no dia 10 de julho foi comemorado o Dia do Truco.
Durante algumas décadas, após seu surgimento, a prática caiu em descrédito e em total esquecimento, voltando a ser praticado no nordeste da Espanha e no sudoeste da França, mas recebendo novas regras e nome. Acredita-se que o truco tenha chegado primeiro à França, pois passou a ser chamado de Truc, que significa truque na língua francesa. Já na Espanha, o nome foi adaptado, passando a ser conhecido pelo nome atual, truco, que tem o mesmo significado do nome francês.
Somente através de colonizadores portugueses e de imigrantes que o jogo chegou ao Brasil, anos mais tarde, tomando formas abrasileiradas. O truco tornou-se muito popular, principalmente nas grandes cidades mineiras. Regras surgiram em várias regiões, originando novas modalidades do jogo, como o truco paulista, truco mineiro, truco gaúcho e o truco argentino.
No Brasil, joga-se com o baralho francês, exceto pela variante praticada na região Sul, que usa o baralho espanhol. Por isso, os amantes da modalidade em Pomerode também utilizam este tipo de baralho para praticar suas habilidades.
Aliás, segundo Ivo Krehnke, popular Piá, o truco é mais que habilidade. É preciso ter sorte e um parceiro bom, para que se tenha sucesso no jogo. A mistura destes três elementos, além da prática constante, o tornará um bom jogador, ressalta ele, que aprendeu este jogo há 18 anos. Eu aprendi na empresa, com meus amigos, como forma de integração. No começo, lógico, foi um pouco complicado, tive que pagar muitas cervejas. Mas acredito que já tenha recuperado este ‘investimento, conta, aos risos.
Um de seus parceiros é Mário Schmidt, o popular Boca, que joga há sete anos. Os dois, com mais alguns amigos, possuem um grupo que se reúne toda quarta-feira, no Wunderwald, para jogar o seu baralhinho. O truco é muito legal. Às vezes, não há aquela gritaria característica, mas quando há a oportunidade de se fazer uma boa jogada, a adrenalina sobe e é praticamente inevitável ficar quieto. Mas as ‘brigas resumem-se à mesa, nada disso é levado para fora dela, afinal, são cinco anos de parceria. Eu acredito que seja uma maneira de liberar o stress do dia-a-dia, além de encontrar os amigos, relata.
Os dois, que formam dupla em diversos torneios, garantem que se entendem bem dentro da mesa. Eu considero que a gente forma uma boa dupla. Como jogamos faz algum tempo, já nos entendemos pelo olhar. E isso é fundamental para que possamos vencer as partidas, diz Boca. Procuramos combinar os sinais antes, para que não haja dúvidas. Mas eles precisam ser diferentes quando se muda de dupla, para que o outro não desconfie. Esse é o grande diferencial. A sorte faz parte, mas ela sozinha não ganha partidas, acrescenta Piá.
A experiência também conta muito e, para isso, eles jogam, praticamente, três vezes por semana. Por isso, quando participam de algum torneio, dão trabalho para os outros competidores.
Para quem quiser aprender a jogar truco, eles dão preciosas dicas. A primeira, observar bastante e, depois, praticar muito. Só se aprende jogando. No começo, vai ser um pouco difícil, mas aos poucos, você consegue pegar as ‘manhas do jogo, garante Piá, que já participou de diversas competições, inclusive em âmbito estadual, pela empresa onde trabalha, a Impressora Mayer. Além disso, é uma forma muito legal de integração, pois não há nada mais gratificante do que você encontrar os seus amigos, se divertir e jogar um truco. Gosto de jogar bocha também, mas o truco é ‘sagrado pra mim, finaliza Boca.