Economia

Mudanças tributárias de 2026 devem alterar preços e rotina financeira

Advogada explica como se preparar para o novo sistema

7 de fevereiro de 2026

Foto: Envato Elements

A partir de 2026, o sistema tributário brasileiro começará a passar por uma das maiores transformações de sua história recente. A implementação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) vai substituir uma série de tributos existentes e promete tornar o modelo de cobrança mais simples, transparente e rastreável. Mas, apesar da proposta de simplificação, os efeitos no bolso do consumidor ainda geram dúvidas e preocupações.

Para esclarecer como as mudanças devem impactar a vida do cidadão, a advogada Josiane Cruz, especialista em endividamento e contratos, aponta os principais pontos de atenção e orienta como famílias e profissionais podem se preparar para esse novo cenário.

O que muda com o IBS e a CBS

Segundo Josiane, a chegada dos novos tributos marca o início da substituição de impostos antigos por um sistema mais unificado:

• CBS (federal) — vai substituir PIS e COFINS;
• IBS (estadual e municipal) — vai substituir ICMS e ISS.

A advogada destaca que o cidadão comum não precisará aprender regras complexas. “Na prática, o consumidor vai apenas perceber que os impostos terão nomes novos. O objetivo é tornar o sistema mais claro e diminuir a confusão na hora de comprar, contratar serviços ou abrir um negócio. IBS e CBS são dois impostos novos que vão substituir vários impostos antigos para deixar o sistema mais simples, mais transparente e mais organizado”, explica.

Impacto nos preços: setores antes informais devem subir primeiro

Com o novo sistema, serviços que operavam com maior informalidade são os que devem sentir mudanças mais rápidas. Atividades como manicure, pedreiro, mecânico, eletricista e outros prestadores que não tinham o hábito de emitir nota ou declarar toda a renda terão menos espaço para operar fora do sistema.

“Quem pagava pouco imposto, muitas vezes por falta de declaração adequada, agora terá que se regularizar. Isso gera novos custos, e parte desse valor será repassada ao consumidor”, afirma Josiane.

>>> Siga o canal do Jornal de Pomerode no WhatsApp

No curto prazo, setores mais sensíveis devem registrar aumento de preços. No médio, ainda não é possível afirmar se haverá queda ou estabilização e essa incerteza exige atenção redobrada.

Como o cidadão pode se preparar diante da incerteza

A advogada alerta que nenhuma família deve entrar em 2026 sem revisão de orçamento. Entre as recomendações, ela destaca:

• criar ou reforçar uma reserva financeira, mesmo que pequena;
• revisar hábitos de consumo e identificar gastos invisíveis;
• acompanhar de perto as mudanças do próprio setor de trabalho ou dos serviços consumidos.

“Uma reserva mensal de R$ 20, R$ 50 ou R$ 100 já ajuda a evitar dívidas no cartão, no cheque especial ou empréstimos ruins justamente quando o crédito estará mais caro”, orienta.

Por que a classe média sentirá primeiro os efeitos

O grupo mais vulnerável às oscilações será a classe média, que consome justamente os serviços com maior risco de aumento: estética, academias, manutenção de veículos, serviços domésticos e pequenos reparos.

“A classe média já vive com orçamento apertado e perdeu poder de compra nos últimos anos. Sem benefícios sociais e com menos margem de manobra, qualquer reajuste pesa mais”, explica Josiane. “Esse público pagará mais, sentirá no bolso e terá dificuldade maior para absorver a mudança.”

Setores que podem ficar mais caros

Entre os segmentos que devem sentir impacto direto de IBS e CBS, Josiane destaca:

• Escolas e cursos, que podem reajustar mensalidades;
• Planos de saúde, que já operam com custos elevados;
• Academias e serviços de estética, intensivos em mão de obra;
• Serviços domésticos e de reparo (faxina, pedreiro, mecânico, eletricista);
• Aplicativos de transporte e delivery, que podem enfrentar custos operacionais maiores.

Como esses setores fazem parte da rotina da classe média, o impacto recai diretamente sobre o orçamento das famílias.

Direitos do consumidor em caso de reajustes

Josiane reforça que a reforma não autoriza abusos. O Código de Defesa do Consumidor exige transparência total em qualquer reajuste motivado por mudanças tributárias.

“A empresa não pode simplesmente alegar ‘reforma tributária’ para aumentar preços de forma injustificada. O consumidor tem direito à explicação, à comprovação e à revisão contratual quando há desequilíbrio econômico”, afirma.

Com a nova nota fiscal, será ainda mais fácil identificar cobranças indevidas, já que a parte referente ao imposto ficará mais clara.

Crédito deve ficar mais caro em 2026

Outra consequência da adaptação ao novo sistema será o comportamento mais conservador dos bancos. Durante o período de ajustes internos, as instituições financeiras tendem a:

• liberar menos empréstimos;
• elevar taxas de juros;
• revisar e restringir produtos financeiros.

“Isso significa que o crédito deve ficar mais caro e mais difícil. Entrar em 2026 endividado é abrir a porta para o superendividamento”, alerta Josiane.

Josiane Cruz, advogada. (Foto: Arquivo pessoal)

 

O que ainda dá tempo de organizar antes da mudança

Apesar da proximidade da reforma, ainda é possível tomar medidas preventivas. Entre as principais:

• revisar gastos essenciais: aluguel, energia, alimentação, transporte, escola e plano de saúde;
• checar contratos sujeitos a reajuste, como seguro, consórcio e mensalidades;
• renegociar valores enquanto ainda não há pressão dos novos tributos;
• evitar novos parcelamentos e o uso de cheque especial;
• tratar o limite do cartão como emergência, não como renda.

“Essa é a hora de colocar tudo no papel, renegociar o que for possível e entrar no ano com o menor número de dívidas”, reforça a especialista.

Orientação contábil simples pode evitar grandes problemas

Para famílias e pequenos prestadores de serviço, uma consulta rápida com um contador pode fazer diferença no planejamento para 2026.

“Não é preciso contratar serviços complexos. Muitas vezes, meia hora com um profissional já basta para entender quais gastos podem aumentar, quais contratos revisar e como organizar o orçamento”, explica Josiane. “Uma pequena orientação técnica hoje evita grandes dores de cabeça amanhã.”

Notícias relacionadas