Missão: apenas informar
O mês de junho foi marcado pelos protestos em todo o país. Se eles iniciaram contra o aumento nas tarifas de passagem de ônibus, em São Paulo, logo tomaram proporções gigantescas, com a participação de milhares de pessoas, que reivindicavam melhorias no sistema político brasileiro, bem como, em diversos setores da sociedade.
O mês de junho foi marcado pelos protestos em todo o país. Se eles iniciaram contra o aumento nas tarifas de passagem de ônibus, em São Paulo, logo tomaram proporções gigantescas, com a participação de milhares de pessoas, que reivindicavam melhorias no sistema político brasileiro, bem como, em diversos setores da sociedade.E como em todo grande acontecimento, o papel da imprensa é muito importante, no intuito de divulgá-lo, retransmitindo fatos e levando as informações ao conhecimento de todos. No entanto, alguns episódios mancharam este grito pela democracia, devido a cenas de violência, tanto por parte de alguns manifestantes, como da própria polícia.
Tudo teve início no dia 13 de junho, quando sete repórteres do jornal Folha de S. Paulo foram atingidos por tiros de bala de borracha disparados pela Tropa de Choque da Polícia Militar durante a cobertura dos protestos em São Paulo. Dois deles foram baleados no rosto.
De acordo com o periódico paulistano, por volta das 20h daquele dia, Giuliana Vallone subia a Rua Augusta registrando o protesto quando foi atingida, sendo socorrida por funcionários de um estacionamento. Já Fábio Braga foi alvejado por dois disparos, um no rosto e um na virilha. Depois deste caso, que foi emblemático, muitos outros aconteceram em diversos pontos do país.
Mesmo durante a cobertura da Copa das Confederações no Brasil, o medo tomou conta dos que trabalhavam na cobertura do evento futebolístico, principalmente jornalistas estrangeiros. Especialmente após uma manifestação que começou pacífica, mas acabou em uma batalha entre polícia e manifestantes em Fortaleza, antes do jogo Brasil x México, no Castelão, dia 19 de junho. O argentino Ariel Rodriguez, por exemplo, estava no meio do protesto nesta quarta-feira e admite o medo que sentiu ao se deparar com a guerra. Vi 95% ser pacífico, gritos de não à violência, muitas mulheres. Mas nos últimos 20 metros, foi incrível. Tenho certeza que eram infiltrados no meio. Fiquei com medo. Foi algo brutal, muito forte. Vi desde o começo, vi tudo preparado para uma festa. Em três horas, vi um contraste muito grande: 15 mil em guerra na rua, e 57 mil no estádio, afirmou o jornalista.
Estes casos de violência contra os profissionais da imprensa foi tema de um editorial do Jornal Correio Popular, de Campinas, no dia 05 de julho. No trecho final, é notória a indignação contra aqueles que cerceiam a liberdade de imprensa. Desde os episódios registrados na Capital, quando jornalistas foram atingidos conscientemente por policiais com balas de borracha, gás e spray pimenta, o trabalho de cobertura tem sido questionado e os ânimos de alguns se volta contra o trabalho jornalístico, como se o exercício da profissão fosse sectário ou tendencioso. É flagrante a indisposição de quem não compreende o papel fundamental da imprensa para a divulgação dos protestos, até como uma forma de legitimar as reivindicações e dar voz aos grupos com propostas e disposição ao diálogo.
Destruir o patrimônio e colocar pessoas em risco são crimes e erros grotescos de quem pretende transformações. A imprensa tem sido aliada em momentos de transformação política, exercendo papel fundamental junto às mobilizações sociais. Inverter o foco sob desgastados epítetos é demonstrar temor pela importância da divulgação e pelo apoio que os veículos têm emprestado a todo movimento pacífico, ordeiro e que tenha uma clara pauta de reivindicações. Imaginar que agressões e ofensas poderão intimidar a imprensa é mais uma falha de avaliação de quem não se curva à razão e costuma lançar mão da violência descabida como principal argumento, finaliza o editorial.