Mineiros disputam para sair por último da mina no Chile
Os trabalhadores estão presos há mais de dois meses em uma mina no norte do Chile.
O mundo todo acompanha com muita apreensão o drama dos 33 trabalhadores que estão presos há mais de dois meses em uma mina no norte do Chile.
A boa notícia é que esse pesadelo está perto do fim. Neste sábado foi concluído o túnel por onde todos deverão ser retirados.
Angélica mostra as fotos do marido Osman e as cartas que ele escreveu, enviadas das profundezas da mina, sempre perguntando pelos filhos: o pequeno Kevin, de um ano e meio, e Britany, de apenas seis meses.
Osman fala de esperança numa história que parecia precisar de mágica para ter um final feliz.
“Meu marido me disse que, na hora do acidente, eles viram uma pomba branca”, conta Angélica.
“Outros viram uma borboleta formada pela terra em suspensão durante o desabamento”, diz.
Na região da mina San José, estão muitos símbolos dessa esperança: fotografias e palavras homenageiam os 33 mineiros presos há dois meses e cinco dias a 700 metros de profundidade.
Verônica, a mulher do boliviano Carlos, único mineiro que não nasceu no Chile, preparou um quadro para entregar ao marido. Mas ela não quer mostrar pra ninguém antes de ele ver.
A perfuração do poço que vai permitir o resgate dos mineiros terminou neste sábado. Agora as famílias – e o resto do mundo – esperam pelas etapas finais do salvamento.
Cada mineiro deve ser transportado numa cabine especial, preso por cintos de segurança.
A cabine precisa de cerca de 30 minutos pra descer, e o mesmo tempo pra subir.
Se tudo correr bem, o último mineiro vai sair entre um dia e meio e dois dias depois que o primeiro saiu.
A cabine tem luz no teto e, no chão, estão quatro tanques de oxigênio.
Durante a subida, eles vão respirar esse oxigênio e se comunicar com a equipe de resgate usando microfones e fones instalados no capacete. Também vão usar óculos escuros.
Como eles ficaram mais de dois meses sem luz natural, até os que forem resgatados à noite vão precisar proteger os olhos.
A cabine foi testada esta semana. É apertada.
Mas o sobe e desce da cabine de resgate pode ser perigoso. Se as paredes do buraco não estiverem firmes, terra e pedras podem cair em cima de quem está sendo resgatado.
Por isso um guindaste começou a instalar tubos de aço na parte superior do buraco, onde o terreno é mais instável.
A cabine vai passar dentro desses tubos. A instalação está prevista pra acabar nesta segunda.
Mas ainda há muita incerteza sobre o estado emocional desses homens acostumados as mais adversas condições de trabalho. Do lado de fora do poço serão recebidos por médicos e psicólogos. Lá em cima, no hospital de campanha passarão por um check up completo. E terão o primeiro contato com a família.
A ordem de saída ainda é uma incógnita. As equipes de resgate estabeleceram alguns critérios e vão tomar a decisão quando avaliarem as condições físicas e psicológicas dos trabalhadores no dia do resgate. Mas quem acha que lá embaixo todos brigam pra sair primeiro, se engana.
“Eles têm como uma disputa entre eles, alguns querem ficar por último para bater o recorde”, revela Angélica.
“Não vejo a hora de ver o meu filho, de tocá-lo, saber como está”, diz a mãe do mineiro Richard. O neto dela deve nascer esta semana. “Serão dois nascimentos ao mesmo tempo”, diz ela.
O pequeno Kevin, filho do mineiro Osman, pergunta pelo pai.
Quando vê o cartaz com o rosto dos 33 heróis chilenos, ele sai correndo para mostrar que alguém muito importante está prestes a chegar.