Vale do Itajaí

Microexplosão é registrada em Timbó nesta semana: Entenda sobre o fenômeno

O fato ocorreu nesta quinta-feira, 11 de janeiro

13 de janeiro de 2024

Foto: Divulgação

Nesta última quinta-feira, 11, a passagem de um frente fria e a alta disponibilidade de umidade e de calor favoreceram o desenvolvimento de intensas tempestades pelo estado ao longo da tarde, especialmente entre o Vale do Itajaí e Litoral Norte. Os temporais provocaram chuvas intensas em curtos períodos de tempo, como em Araquari e Joinville, no Litoral Norte, que registraram em torno de 80 mm entre às 17h50 e 18h40, de acordo com dados dos pluviômetros do Cemaden.

Os temporais também provocaram fortes rajadas de vento, registrados em estações meteorológicas e também em vídeos feitos por moradores das cidades atingidas. Em Timbó, no Médio Vale do Itajaí, uma tempestade severa passou pelo município entre as 16h e as 17h, provocando uma microexplosão e causando quedas de árvores em vias públicas e residências, além de destelhamentos. Na estação meteorológica da Defesa Civil localizada na cidade (DCSC Timbó 2), foi registrada rajada de 82,8 km/h às 16h35. Na Figura 01 são exibidas algumas imagens dos danos reportados pelas Defesas Civis municipais, como destelhamentos em Timbó (a), deslizamento em Brusque (b) e alagamento em Corupá (c).

Figura 1. Destelhamentos em Timbó (a), deslizamento em Brusque (b) e alagamento em Corupá (c). Fonte: Defesas Civis municipais

Na imagem de satélite abaixo (Figura 2), é possível identificar fortes instabilidades entre o Vale do Itajaí e o Litoral Norte, caracterizadas pelo alto desenvolvimento vertical e pelas baixas temperaturas dos topos das nuvens. Dentro desta área, se encontravam as células de tempestade responsáveis pelos danos e pelos altos volumes de chuva registrados.

Figura 2. Imagem de satélite GOES-16, canal infravermelho realçado, às 16h30 (horário local). Fonte: Defesa Civil de Santa Catarina

Nas imagens do radar meteorológico de Lontras, no Vale do Itajaí, é possível observar uma tempestade com altos valores de refletividade sobre Timbó (município identificado pelo círculo amarelo na Figura 3 (a)), que indica um desenvolvimento profundo da célula convectiva. Também foram observados altos valores de VIL (Vertically integrated liquid) (Figura 3 (c)), produto que estima a quantidade de água líquida dentro da camada, por volta de 40 mm. Em 15 minutos, o VIL caiu para valores próximos de 10 mm (Figura 3 (d)), sendo uma rápida diminuição deste valor uma das assinaturas de microexplosões.

Na Figura 3 (b), o produto SWI (Severe Weather Indicator) indicou a presença de um mesociclone e uma região de BWER (Bounded weak echo region), isto é, assinatura no radar associada a intenso movimento ascendente, comumente encontradas em tempestades severas. O produto também indicou a presença de uma microexplosão (círculo e triângulo rosas) às 17h00 (horário local).

Figura 3. Imagens do radar meteorológico de Lontras, campos de: (a) Refletividade (dBZ), às 16h41, (b) SWI – Severe Weather Indicator às 17h00 e VIL – Vertically integrated liquid, às 16h32 (c) e 16h41 (d).

A SDC recomenda, em situações de tempestades severas como  as microexplosões, sempre buscar locais abrigados, fechar janelas e portas, desligar aparelhos elétricos e, se possível, ficar em um cômodo de alvenaria. Se estiver no trânsito, pare o carro longe de postes e árvores. Se estiver em local descoberto, procure proteger a cabeça de objetos que podem ser arremessados pelo vento.

O que é uma microexplosão?

  • Downburst (microexplosão): Uma microexplosão pode ser associada a downbursts, que são correntes descendentes rápidas e localizadas de ar que atingem o solo e se espalham horizontalmente. Elas podem ser causadas por tempestades severas e têm o potencial de gerar ventos muito fortes. Downbursts podem ser classificados como macroexplosões (maiores) ou microexplosões, dependendo do tamanho da área afetada.

Notícias relacionadas