Memórias do Exército
Inspirado pelo irmão, Rubens Maass, que foi tenente do Exército, Rudi decidiu que também seguiria a carreira militar. No entanto, em outro Estado.
Inspirado pelo irmão, Rubens Maass, que foi tenente do Exército, Rudi decidiu que também seguiria a carreira militar. No entanto, em outro Estado. A história começa em 1957, quando Rudi Maass seguiu, com apenas 19 anos, para a capital do Brasil na época, para servir à Polícia do Exército.
Lembro-me que era uma sexta-feira quando saímos de Blumenau e fomos até Joinville, no 14º Batalhão de Guarda. Assim iniciou a viagem que hoje só me proporciona orgulho, enaltece.
A primeira parada ocorreu em Curitiba, no sábado. A segunda, aconteceu ao meio dia de domingo, em São Paulo. Nossa viagem foi feita de trem e lembro bem que não havia conforto nenhuma. Os bancos de madeira eram revezados com o chão na hora de dormir, pois as viagens duravam dias inteiros, explica.
Após o almoço, o destino estava mais próximo. No entanto, mais uma tarde e noite inteiras foram passadas dentro do trem para chegar ao Rio de Janeiro, às 10h.
Quando chegamos, o Rio de Janeiro nos recebeu de braços abertos. Foi quando a imagem da cidade tornou-se realidade e o Maracanã e a Central do Brasil deixaram de ser nomes e passaram a ser locais conhecidos, exalta.
O primeiro contato com a função a ser exercida ocorreu após a entrega dos uniformes. Antigamente não era como hoje, onde os soldados ganham os uniformes no tamanho certo. Nossos uniformes eram grandes e tínhamos que fazer os ajustes necessários sozinhos. Afinal, soldado se vira e ajeita, conta.
Após a formatura, o subtenente fez um levantamento das aptidões de cada soldado. O subtenente perguntou se havia algum alfaiate entre os soldados, e havia. Perguntou também se havia algum marceneiro, o que também aconteceu. Por fim, solicitou dois armeiros e eu fui um dos escolhidos, explica.
Durante o ano que passou no Rio de Janeiro, Rudi aprendeu, na prática, a desmontar e montar as armas, além de manuseá-las e preservá-las. Erámos instruídos, mas ninguém possuía experiência, propriamente dita. O que aprendemos lá foi com a prática aprimorada, ressalta.
O orgulho maior fica evidente quando Rudi conta que a Polícia do Exército tinha a função de guardar pelo Presidente Juscelino Kubitschek. A PE era constituída apenas por soldados de Santa Catarina e do Paraná. Éramos chamados de Catarinas e tínhamos a honra de zelar pelo Presidente, exclama.
Mesmo que o orgulho tenha sido um dos motivadores, as dificuldades também fizeram parte desta história. Foi uma honra, mas o salário era pouco e não tínhamos a quem recorrer. No entanto, como não possuía vícios, eu economizava o que podia, afirma.
Quando a hora de se despedir chegou, mais uma surpresa para Rudi Maass. Quando chegou o momento de efetuar a baixa, os soldados que quisessem seguir até a inauguração do Palácio de Brasília poderiam atrasar sua baixa e seguir pra a atual capital do Brasil, relata.
E foi o que fez. Com outros 20 soldados, três motos e três jipes, Rudi Maass seguiu até Brasília, desta vez com o avião da Força Aérea Brasileira. Quando retornou do evento, Rudi lembra que o Brasil havia sido campeão da Copa do Mundo de Futebol e os jogadores chegaram ao mesmo aeroporto que ele. Foi em 1958 que o Brasil ganhou a Copa e chegamos ao aeroporto com festa. A alegria tomava conta do local, assim como da cidade, relembra.
Depois de pouco mais de um ano fora de casa e comunicando-se apenas por cartas com a família, Rudi fez suas malas e voltou, em mais uma longa viagem. Foi em junho que embarcamos no Rio de Janeiro para parar em São Paulo. E de São Paulo seguimos para Rio Negro, no Paraná. De lá fomos até Jaraguá e, enfim, Pomerode, de ônibus, conta.
Com duas malas nas mãos, Rudi chegou à casa dos pais, para surpresa deles. As cartas demoravam demais para chegar e quando voltei para casa não comuniquei ninguém. Foi uma surpresa para todos, relata.
Surpresa também para a namorada que havia deixado em Pomerode, mas que, devido à distância, também teve que se separar. No entanto, a distância não impediu que o relacionamento seguisse quando Rudi voltou para a cidade.
Atualmente, Rudi Maass tem 75 anos, mas guarda em sua memória cada detalhe de um ano vivido intensamente e que traz as lembranças mais honrosas e passíveis de orgulho que qualquer ser humano pode ter, por ter servido seu País e, diretamente, seu Presidente.
Encontros dos Veteranos da Polícia do Exército – O primeiro encontro dos veteranos da Polícia do Exército do Rio de Janeiro aconteceu em Blumenau. Este ano acontece sua 17ª edição, em Pomerode.
A data para o encontro está marcada para o dia 04 de maio, onde os Catarinas poderão levar suas famílias para reviver as histórias de uma época que foi única para cada soldado.