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Memórias de um ex-soldado

Curt Hornburg relembra momentos de sua vida como militar, em especial, a morte de Getúlio Vargas

20 de agosto de 2011

Nas próximas quarta e quinta-feira, 24/08 e 25/08, respectivamente, temos duas lembranças importantes na história do Brasil. A primeira é a data na qual o ex-presidente Getúlio Vargas cometeu suicídio no ano de 1954. Já a segunda é o Dia do Soldado, que é comemorado neste dia em homenagem ao nascimento de Luís Alves de Lima e Silva, o popular Duque de Caxias, que esteve à frente de diversas campanhas do exército brasileiro.
Mas o que essas duas datas têm em comum, tirando que estão estampadas nos livros didáticos? Aqui em Pomerode elas contam uma parte da história de um cidadão pomerodense que, assim como tantos outros, quando completavam 18 anos iam servir a pátria.
No Brasil, o serviço militar é obrigatório por lei desde 1908. Ao completar 18 anos, todo rapaz deve se cadastrar em alguma das forças armadas (Marinha, Exército ou Aeronáutica). Foi isso que fez, Curt Hornburg, em 1954.
Hoje com 75 anos, ele recorda aquele período que o mesmo considera como “bons tempos”. Curt diz que as instruções eram pesadas, mas lhe deram muitas lições que usou depois de deixar o 23º R.I. de Blumenau. “No quartel se aprende muito sobre educação e valores. Isso falta hoje em dia. Talvez se mais jovens servissem ao Exército poderíamos ter uma realidade diferente”, criticou.
Nessa época, os catarinenses eram muito bem quistos no quadro militar, principalmente por causa da descendência europeia que os tornavam diferenciados no porte físico. Isso fazia a diferença na hora da escolha.
Mas o que uma data tem a ver com a outra, na história de Curt? É que justamente no ano que serviu, em 1954, aconteceu o fatídico episódio da morte de Vargas. Ele estava no quartel nesta data e viveu a tensão que foi a incerteza do que poderia acontecer naquele dia e nos que viriam adiante.
Curt conta que a corneta soou alertando a todos e, em menos de 15 minutos, estavam todos de prontidão com os fuzis na mão aptos a responder a qualquer ação.
Todo esse clima tenso era pela turbulência política que vivia o governo getulista e pelas especulações sobre um possível golpe de estado, que de certa forma acabou sendo desarticulado com o suicídio do líder da nação. Mesmo assim, todos tinham que ficar alertas. Curt define aquelas horas como um “aperto”, que para ele pareceu durar uma eternidade. Sim eles temiam um ataque e toda essa apreensão se agravou quando acabou a energia. Sem explicações sobre a ocorrência pensaram realmente se tratar de alguma sabotagem. “Foi nervoso esse momento sem energia elétrica, mas quando retornou a luz continuamos nos revezando na vigília e quando tínhamos autorização para descansar, fazíamos isso com a namorada no colo”, disse Curt, se referindo ao fuzil que era levado consigo para o beliche onde descansava.
Lembranças de uma época que fazia parte da vida de qualquer jovem. Entretanto esse cenário mudou e para ingressar na carreira militar o pomerodense tem que tentar os processos seletivos para as escolas militares, conforme informou a Junta de Alistamento Militar de Pomerode.
Hoje o porte físico não é um atributo considerável e sim a formação acadêmica que dita as chances de algum ser convocado após o alistamento. Porém, aqui de Pomerode ninguém tem sido chamado. Segundo, o secretário da junta, Inácio Jandre, nem mesmo voluntários têm sido chamados. “Há mais de 15 anos muitos ainda eram chamados. Hoje em dia está difícil. Sempre há excesso de contingente”, disse o secretário.

Dia do Soldado
Ao longo do século XX, o Dia do Soldado foi perdendo a sua popularidade e não mais é um dia público de festividade, nem mesmo são mais organizadas paradas militares em sua honra. Hoje as forças armadas brasileiras são homenageadas no dia 7 de Setembro, quando é comemorada a independência do Brasil de Portugal, ou no dia 15 de Novembro, data em que se comemora a Proclamação da República.

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