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Marido é suspeito da morte de esposa

Desde a segunda quinzena do mês de janeiro, a Polícia Civil de Pomerode, iniciou, através de denúncias de uma seguradora, a investigação da morte de Simone Vieira Dickmann, de 35 anos. De acordo com a delegada Estela Maris Antunes, que assumiu a delegacia da cidade no período em que o…

17 de fevereiro de 2011

Desde a segunda quinzena do mês de janeiro, a Polícia Civil de Pomerode, iniciou, através de denúncias de uma seguradora, a investigação da morte de Simone Vieira Dickmann, de 35 anos. De acordo com a delegada Estela Maris Antunes, que assumiu a delegacia da cidade no período em que o delegado Luiz Carlos Gross estava de férias, o marido de Simone era suspeito de ter matado a mesma para ficar com o dinheiro de um seguro de vida no nome da esposa.
Durante as investigações da polícia, contudo, descobriu-se que o crime podia não ser o único, e que Maurício Dickmann, 35 anos, já teria realizado outros golpes com o intuito de ficar com o valor do seguro. “Em 2001, ele recebeu R$109.000,00, em 2004, R$13.000,00 por dois furtos em sua residência; em 2006 recebeu R$229.000,00 por ter perdido um dedo e em 2008, por um incêndio em sua residência. Todos os seguros somaram um total de 425 mil reais, pagos por seguradoras a Maurício”, diz Estela.
Para a delegada, comprovou-se que em 2006, ele teria atirado, com ajuda de uma tia, no próprio dedo, recebendo assim o valor da seguradora. “Além desse, em 2004 a casa dele foi furtada, e ele registrou que um rifle tinha sido roubado. Durante as buscas realizadas nos últimos dias, localizamos a arma na residência do mesmo, comprovando que o referido crime não tinha sido feito por ladrões, e sim por ele, a fim de receber os 13 mil reais da seguradora”.
Com tais conclusões, a delegada expeliu a prisão temporária do acusado, e já na segunda-feira, encaminha o inquérito oficial para a juíza da comarca de Pomerode. “Essas informações serão repassadas para a comarca, com o intuito de que a prisão preventiva do mesmo seja efetuada”.
Esses dois crimes foram o começo de um que pode ter acontecido e terminado com uma vítima. No dia 21/11 do ano passado, Simone morreu, e como consta em seu atestado de óbito, no Hospital e Maternidade Rio do Testo, por motivo indefinido.
A delegada explica que nos laudos médicos, consta que dias antes de ser internada, a vítima apresentava um quadro clinico de vômito e mal estar, com muitas dores estomacais. Após ser liberada, diagnosticada por labirintite, ela continuou passando mal e retornou ao hospital. “Ela chegou a melhorar, e receberia alta na sequência. No mesmo dia do seu óbito, foi realizado um hemograma, ou seja, o médico descartou a possibilidade dela ter ido a óbito por infecção, indícios de parasita no cérebro, câncer ou tratamento quimioterápico. Poucas horas depois do exame, ela acabou falecendo”.
De acordo com informações, os sintomas de vômito e náuseas podem ser provocados por envenenamento, que é uma das suspeitas da polícia. “Ela morreu convulsionando e com salivação, que são sintomas de envenenamento. Os médicos relatam que ela não tinha nada que ocasionasse a morte, infecção, alergias, etc, e é por isso, as suspeitas de morte são de um possível homicídio, na verdade”, relata a delegada.
Em setembro de 2010, Maurício havia feito um seguro no valor de R$500.000,00 para a mulher. Quando a morte aconteceu, pouco tempo depois, levantou suspeita da seguradora. “A seguradora ofereceu um seguro mais baixo, mas ele insistiu no valor maior, e isso também causou estranheza”.
Ao que tudo indica, ela vinha recebendo doses pequenas de veneno em casa, e quando chegou ao hospital, recebeu uma grande dose, ocasionando na sua morte. “No dia não foi feita a autópsia de Simone, e por isso agora tivemos que fazer a exumação do corpo”.
Na quinta-feira, 10/01, peritos da Polícia Civil do Estado vieram a Pomerode para recolher materiais para fazer um laudo do possível envenenamento. O corpo de Simone foi desenterrado e os peritos colheram amostras do cabelo para análise. Estima-se que, em 60 dias, esse laudo seja concluído. “É possível que se ela tenha espumado após o enterro, substâncias do veneno tenham ido ao cabelo. Sabemos que isto pode não ter acontecido, e por esse motivo, não podemos anunciar nada antes da perícia nos enviar o laudo oficial”.
Enquanto o laudo oficial não é divulgado, Maurício responderá por homicídio duplamente qualificado e estelionato. “Temos provas testemunhais que incriminam o acusado por outros crimes, mas ainda não podemos confirmar nada sobre a morte de Simone. Ele pode ser inocente, pode não ser o autor do crime, mas as investigações continuam”.
Durante todo o processo de investigação, a Polícia Civil ouviu em torno de 27 pessoas, relacionadas aos crimes e na próxima segunda-feira, todo o processo deve ser entregue no Fórum da cidade. “Como eu estava apenas substituindo o delegado Gross, a partir de agora eu encerro esse caso, e as investigações continuam pelas mãos dele”, finaliza a delegada, que também entra em férias antes de retornar para a comarca de Timbó, da qual ela faz parte.
 

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