Marcas que denunciam o descaso
Pista de skate da cidade apresenta vários problemas e os frequentadores buscam, há tempo, uma reforma para o local,
em prol da prática esportiva segura
A pista é áspera. Partes da estrutura estão rachadas ou quebradas. Há buracos em diversos pontos. Mesmo assim, lá estão eles. Colocando sua paixão acima de qualquer dificuldade. Os skatistas e ciclistas vêm e vão. Mesmo com a possibilidade de cair e se machucar, eles não largam o seu entretenimento. E é por amor ao esporte que eles querem que a pista seja reformada.
Numa tarde ensolarada, o Jornal de Pomerode foi até a pista de skate, localizada no Pavilhão Municipal de Eventos. Lá, a equipe foi recebida por Jeison Kresin, Alan Frare, Edrian Felix dos Santos, Gabriel Dallmann, Alan Freitas, Jacques Nemr, Tiago Schenkel e outros praticantes de esportes que também estavam no local. Eles conversaram com o JP e mostraram quais as principais deficiências do lugar.
De acordo com Jeison, faz muitos anos que a pista não recebe qualquer tipo de reparo e que os próprios frequentadores do lugar realizam pequenas melhorias, para que o lugar não fique totalmente abandonado. “Já faz muitos anos que eu vi a prefeitura realizar alguma reforma. Nós, que frequentamos o local, geralmente fazemos os pequenos reparos, para que possamos usar a pista com mais segurança. Só que é visível que ela precisa de uma reforma elaborada, coisa que nós não podemos fazer. Ficamos a mercê do poder público, e a pista continua neste estado”, relata.
Eles também explicam que já entraram em contato várias vezes com o Poder Executivo e a resposta que escutam é sempre a mesma. “Eles nos dizem que a reforma da pista de skate está nos planos, entretanto, que há outras prioridades e que, portanto, não há como fazer no momento. Assim, o problema vai sendo empurrado e nada é feito em relação ao local”, comentam.
O presidente da Fundação Promotora de Eventos, Esporte e Lazer (Funpeel), Celio Schlingmann, explica que a prioridade era, a princípio, garantir mais segurança ao Pavilhão Municipal de Eventos, e posteriormente, a reforma da pista será efetuada. “A reforma da pista está em nossa programação, mas estamos priorizando neste momento a segurança do Parque. Esta segurança se faz necessária pelo histórico de consumo de drogas e invasão do Parque pelas laterais e fundos. Como estamos com 75% das cercas concluídas, em breve partiremos para reforma da pista de skate, pista de atletismo, ginásio, entre outras reformas necessárias para atender a todos que frequentam o Parque”.
Dentre os diversos problemas na pista, estão os buracos nas estruturas, que prendem as rodas do skate e podem causar a queda dos skatistas. Há também o desgaste do piso no local, o que torna o chão áspero, o que pode causar ferimentos na hora da queda. “Quando a pista foi inaugurada, lembro que o chão era liso, quem caia não se machucava. Agora, tem que tomar cuidado, porque uma queda pode gerar ferimentos feios”, diz Jeison. Eles também reclamam que quando chove, poças se formam na pista, o que os impede de andar de skate até que ela não esteja seca. Além dos problemas da própria pista, outros problemas externos também podem ser observados. O local não tem bebedouro, iluminação, e muitas vezes é encontrado com sujeira e lixo pelos frequentadores.
Outra reinvindicação dos skatistas e ciclistas é que a pista fique aberta por mais tempo, já que ela fecha junto com o pavilhão, às 20h. “Principalmente no verão é muito quente para andar de skate, especialmente à tarde. O que nós queremos é não precisar ficar passando calor e colocando a nossa saúde em risco devido a grande radiação solar. Agora, no horário de verão, o sol começa a se dissipar umas 19h, e daí só temos uma hora para praticar esporte. Ela poderia fechar mais tarde, para que possamos aproveitar mais”, relata Alan Frare.
Além disso, eles dizem que quando o Parque recebe eventos, eles são barrados de entrar ou são obrigados a pagar entrada, mesmo se não vieram para a ocasião, apenas para praticar esportes. “Muitas vezes já fomos barrados de entrar, pois o local estava recebendo algum evento. Tem eventos que acontecem o fim de semana inteiro e outros que duram dias. Todo esse tempo não podemos usar a pista. Se andamos de skate na rua, nos dizem para irmos a pista, pois lá é o nosso lugar, mas aqui, somos barrados”, explicam.
Eles também reclamam do fato de não poderem estacionar dentro do Parque, tendo que deixar o veículo na rua para então usar a pista. “Eles não nos deixam estacionar aqui, mesmo sendo um local público. Uma vez, deixei o carro aqui dentro, junto com os veículos de quem veio jogar futebol. Um dos seguranças, quando viu que eu estava indo para a pista de skate, disse que eu não poderia deixar o carro dentro do parque, que teria que estacioná-lo do lado de fora. Perguntei a ele por que essa regra não valia para os que estavam jogando futebol e ele me disse que ‘eles estavam praticando esportes’. E nós, viemos fazer o que aqui, afinal”, conta um dos jovens.
De acordo com Celio Schlingmann, presidente da Funpeel, o local foi escolhido pelo executivo quando a pista foi construída, julgando ser o melhor local, e atribui o não acesso ao local durante os eventos devido ao estacionamento. “Acredito que a Administração do Município do ano de 2001/2004, após algum estudo, achou este local o mais adequado. Em relação à utilização da pista em eventos; geralmente é solicitação do locatário, principalmente quando o evento utiliza o estacionamento asfaltado e também porque muitas vezes os frequentadores da pista não respeitam o evento”.
Skatistas e ciclistas atribuem a situação atual da pista com a falta de incentivo ao esporte. Alguns skatistas lembram que, no início, a cidade realizava por ano pelo menos dois eventos na pista, sendo um de skate e outro de BMX. “Antes, há muitos anos já, nossa cidade era palco de grandes eventos relacionados aos esportes. Mas depois de um tempo, especialmente com a troca da administração municipal, foi se perdendo o incentivo, até que se extinguiram. Era muito bacana naquela época, tinha gente de vários lugares que vinham para cá competir e assistir. Pomerode era uma das poucas cidades da região que tinha pista de skate e é, até hoje, uma das maiores. Movimentava o município. Mas o descaso falou mais alto e o local, assim como as competições, foi abandonado. Hoje, se pensa mais em futebol, futsal e atletismo, mas há muitos outros esportes a serem explorados e incentivados”.
Celio, da Funpeel, explica que se os frequentadores quiserem promover algum evento devem procurar a Fundação, para que todos os trâmites necessários sejam repassados. “Os praticantes podem promover eventos e para isto devem procurar a administração do Parque (Funpeel), onde serão passados as normas necessárias para a promoção”.
Jeison conta que muitas vezes foi à procura da administração para tentar resolver os problemas da pista de skate, mas que nunca lhe passaram uma posição concreta sobre o assunto. “Sentimos falta de sermos envolvidos nessas questões. Afinal, somos nós que usamos a pista, nós que sabemos das necessidade do local. Gostaríamos de deixar o nosso parecer. Não queremos nada extraordinário. Nós consideramos a pista boa, só que precisa de reparos. Talvez colocar mais alguns obstáculos, uma área coberta. Mas são coisas mínimas, que para nós é luxo. É só o essencial para podermos praticar o nosso esporte com segurança”, explica.
Outra situação que foi relatada por eles e que, inclusive, já foi pauta no Jornal de Pomerode é o preconceito sofrido pelos skatistas, que têm sua imagem denegrida por estereótipos sociais. “Os pré-conceitos e as visões superficiais que o pessoal bota no skate, sem se quer se preocupar em conhecer um pouco mais a história e a evolução que o esporte teve nesses últimos anos prejudicam a nossa imagem. O skate é uma ferramenta de interação, a pista é esse meio de interação, o incentivo e o investimento no esporte, seja ele qual for, é muito importante pra qualquer praticante”, comentam Jacques Nemr e Tiago Schenkel.
Para Jacques, o grande problema está, especialmente, na falta de conhecimento e o próprio desinteresse em querer conhecer um pouco mais sobre o esporte. “Nossa sociedade se baseia em pré-conceitos e acaba por formar estereótipo errado e não se preocupa em saber um pouco mais sobre o que está julgando, no caso o skate. O skate não pode ser analisado de um único ponto de vista, porque, além de ser um esporte, é também uma ferramenta de interação. Cada espaço é diferente e apresenta ideais diversos, entre eles os locais públicos, as pistas de skate onde se pensa que qualquer um possa usá-lo. A privação desses espaços gera uma resposta que a sociedade critica: o skate nas ruas”.
Para exterminar esse preconceito é preciso, primeiro, incentivo ao esporte, para que ele seja visto com outros olhos pela população. “O skate ainda é associado ao vandalismo e depredação, apesar da evolução com o passar dos anos. A divulgação, o incentivo e o investimento são de extrema importância pra conscientizar a sociedade e mudar essa opinião superficial”, explanam.
São skatistas, ciclistas e praticantes de outros esportes que buscam uma resposta para suas reivindicações. O que eles querem é poder praticar esportes de maneira segura e tranquila, sendo respeitados e respeitando toda a diversidade a sua volta. “Nós só queremos que a pista de skate seja restaurada para que nós possamos fazer aquilo que nos traz saúde, bem estar e coordenação: praticar esporte”, terminam.