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Mãos que encantam

Projeto de inclusão social tem como objetivo ensinar Libras a alunos de instituição de ensino. Ação é atividade
extracurricular

13 de maio de 2016

O principal objetivo do projeto de libras do Colégio Sinodal Doutor Blumenau é quebrar barreiras e ensinar, de forma lúdica, a linguagem de sinais.

Ao colocar este objetivo em prática, o projeto realiza uma verdadeira revolução na cidade, onde o aluno é inserido no cenário musical, aliado à Libras. Este processo de formação realizado pelo projeto torna-se uma importante ferramenta de inclusão social.

Lisbete Rosa é a responsável pelo curso de Libras aplicado aos alunos do Colégio pomerodense. Para ela, a iniciativa é fundamental para que barreiras sejam ultrapassadas. “A proposta da escola de inclusão é, mesmo que não tenha alunos surdos, criar o ambiente para que as pessoas vejam o diferente como uma pessoa igual aos outros, com características diferentes, mas igual. É preciso se comunicar, aceitar que os surdos se comunicam de maneira diferente. As crianças estão dando um banho. Eles aceitam. E, aquela reação que normalmente as pessoas têm quando encontram pessoas diferentes ou deficientes, não acontece, pois as aceitam completamente. E, neste projeto, o que mais tem significado, para mim, é o aumento na procura pelo aprendizado em Libras e a maneira como os alunos estão encarando o surdo, com uma reação positiva”, ressalta.

A ideia do projeto surgiu há alguns anos, após a participação no Congresso da Rede Sinodal de Ensino. “Neste evento, realizado em Pomerode, efetuamos uma apresentação em Libras. Depois disso e da formatura de nossos alunos surdos, decidimos dar continuidade às aulas. Sendo assim, o projeto era denominado inicialmente “Brincando com Libras”, que era voltado aos alunos pequenos que, através de brincadeiras, aprendiam Libras”, revela.

Hoje, são 32 alunos que participam das aulas e aprendem, de forma interativa, essa linguagem que é tão própria. “Eles aprendem Libras, desde vocabulário, conversação básica, boas maneiras, com o intuito de ter uma comunicação inicial com o surdo. Isso através de jogos e brincadeiras. O aprendizado acontece de forma rápida e os alunos apresentam uma facilidade incrível. A música facilita bastante, porque é como se estivessem aprendendo gestos. A linguagem Libras possui estrutura própria que não é igual ao português”, completa.

Lisbete aprendeu a linguagem por necessidade, mas a paixão falou mais alto e, hoje, ela dedica-se à educação. “Sou enfermeira por formação, mas comecei a aprender Libras por conta do meu filho, Alex, que é surdo. Aí tive que aprender para me comunicar com ele e, por causa disso, na área da enfermagem, dentro do hospital, comecei a fazer cursos para atender os surdos que chegavam à instituição de saúde. Quando viemos morar em Pomerode, aprendi a linguagem do estado de Santa Catarina, que é um pouco diferente. Alex tinha uma intérprete aqui na escola, mas ela acabou adoecendo, não havia outra pessoa para ficar com ele e surgiu a proposta de entrar na escola, como intérprete dele. Gostei e acabei ficando nessa área. Dou aula aqui na escola e sou intérprete no município também”, conta.

Com a coordenação do projeto desde 2014, a intérprete, hoje, sabe quão importante é a iniciativa para todas as idades. “Todo ano trago um surdo, para que eles tenham contato. É incrível esse momento. Nós também efetuamos apresentações em eventos do colégio e os laços que unem os integrantes do projeto ultrapassaram o portão da escola e todos são amigos”, conclui.

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