Geral

Luto em Pomerode

Dor, tristeza, dúvida e revolta. Esses são os sentimentos que tem estado presente na Família Hoffmann nos últimos dias e certamente vão perdurar por muito tempo, se não para sempre. Ralf Hoffmann, 49 anos, taxista em Pomerode.

16 de março de 2012

Dor, tristeza, dúvida e revolta. Esses são os sentimentos que tem estado presente na Família Hoffmann nos últimos dias e certamente vão perdurar por muito tempo, se não para sempre. Ralf Hoffmann, 49 anos, taxista em Pomerode. Ele foi morto na noite de quinta-feira (08/03), com facadas, no Morro da Garuva, em Blumenau. Segundo a polícia, os principais suspeitos, que já estão apreendidos, são dois adolescentes. Ele, um jovem de 17 anos; ela, com 16 anos e grávida.
De acordo com familiares que receberam a reportagem do Jornal de Pomerode, na segunda-feira (12/03), Ralf era conhecido na cidade, principalmente por estar 24h atuando, se necessário, sempre buscando o bem -estar, principalmente dos idosos, que eram fiéis clientes do taxista. Anderson Sasse, um dos sobrinhos, relatou que na noite de quinta-feira, ao ir para a sacada de sua residência ainda avistou seu tio, dentro do taxi, falando ao celular. E algumas horas depois, recebeu a notícia da morte brutal.
Adilson Hoffmann, o outro sobrinho, contou que a esposa de Ralf, havia recebido uma ligação dele, dizendo que estava voltado de uma corrida, mas que estava indo a Blumenau, para levar mais passageiros. “Minha tia ainda contou que ele pediu para que ela o esperasse acordada, pois queria conversar com ela. Eles sempre tinham esse hábito; por que meu tio era muito grudado na neta de alguns meses, e sempre trazia fotos para a minha tia ver a noite, ou contar alguma coisa que ela havia feito de novo; mas nessa noite ele não voltou mais”, relata.
A suspeita da família, é que a morte de Ralf tenha sido uma espécie de queima de arquivo. “Nós temos informações extra oficiais de que o garoto tinha a desconfiança que iria ser preso novamente, por esse motivo resolveu fugir com a namorada e meu tio era a única pessoa que sabia onde eles estavam e o matando eles imaginaram que não seriam pegos”, diz Anderson.

O crime
De acordo com o relatório expedido pela Polícia Militar de Blumenau, Ralf Hoffmann, motorista do veículo Astra (Táxi) de Pomerode, foi encontrado por volta das 23h30min, já sem vida, com corte no pescoço e perfurações no rosto, provenientes de golpes de faca, encontrada no local do crime, próximo ao veículo e ao corpo.
Na fuga, o suposto agente deixou cair uma bolsa com roupas e uma carteira com dinheiro e uma foto 3×4. O local foi isolado e o perito do IGP, juntamente com policiais civis, realizou a perícia, sendo que o material encontrado foi entregue aos mesmos.
Algumas viaturas deixaram o local do crime, mas policiais permaneceram de campana. Quando o local ficou menos movimentado, o casal que estava se escondendo no matagal, saiu do esconderijo e foi pego pela polícia.

A repercussão em Pomerode
Pomerode amanheceu de luto e os moradores estavam em estado de choque. Logo cedo, o assunto já tinha tomado conta dos veículos de comunicação da região e das redes sociais. Nessas, moradores se diziam indignados com a morte do taxista e pediam justiça. Manifestações virtuais, de condolências e homenagens também foram prestadas ao taxista.
Durante todo o dia e nos dias que se seguiram, o assunto principal em Pomerode, foi o assassinato de Ralf e qual teria sido a possível motivação dos dois adolescentes para o crime.
Segundo a família, a indignação foi geral em Pomerode, já que o tio era uma pessoa muito querida por todos, apesar de não ter nascido na cidade. Natural de Trombudo Central, Ralf Hoffmann veio morar em Pomerode em 1981. Aqui casou e teve seus dois filhos e há quatro meses havia recebido o presente de ser avô. A profissão de taxista, ele iniciou em 1992 buscando uma vida mais tranquila, depois de trabalhar dez anos como metalúrgico.

Revolta e tristeza em família
Anderson e Adilson contaram à reportagem que a dor ainda é grande, mas a revolta é enorme. “Acreditamos que podia ter sido qualquer outro taxista da cidade, mas foi meu tio quem os levou até Blumenau”, explicam.
Para eles, o que revolta é a impunidade, a falta de posições enérgicas do Governo e da própria polícia, em situações como essa. “Para votar e decidir o futuro de um país, 16 anos é o mínimo; agora para matar um inocente e praticar outros crimes, a pessoa nessa idade não pode ser julgada e presa, por que é menor de idade, isso parece brincadeira” diz um deles.
“Foram sonhos dele e da família destruídos por um jovem menor de idade, no qual tem o poder de matar, mas não pode ser preso. Tudo leva a crer que este assassinato ocorreu devido à fuga do jovem de sua detenção por outro crime, porém o rastro teve que ser apagado por ele. Não pode se dizer que a justiça foi feita, pois a captura e detenção deste casal é temporária e em pouco tempo eles estarão novamente morando ao nosso lado e com as fichas limpas”, comentou Jeferson Hoffmann, filho da vítima.
“Sabe, meu pai teve sentença de morte decretada, e qual foi seu crime? Um menor de idade pode votar, pode ter conta em banco, pode ir para festas em qualquer horário e consumir quanta bebida alcoólica quiser, Stammtisch, por exemplo. um menor de idade pode matar a namorada. Pode ser solto, pode matar de novo. Mas não pode, não pode, ser preso”, comentou Alexander, o filho mais novo de Ralf.
A esposa da vítima, Janete Hoffmann, disse que gostaria de acreditar que este é um pesadelo e que em breve vai acordar, e ter o seu marido de volta ao lar. Mas infelizmente ela sabe que isso não é possível.
Com a neta de quatro meses no colo, ela diz: “Ela é a única pessoa que está me fazendo sorrir”.

Manifestação na Câmara de Vereadores
No fim da tarde de segunda-feira (12/03), familiares e amigos se reuniram em frente à Câmara de Vereadores, para fazer uma manifestação pacífica, reivindicando mais segurança e demonstrando a revolta em relação à morte do taxista. Em função da manifestação e para receber os familiares da vítima, a residência da câmara optou por atrasar a Sessão em cerca de uma hora.
Na oportunidade a família Hoffmann esteve em contato para manifestar a indignação em relação à violência que vem ocorrendo em Pomerode. Principalmente após o assassinato do Sr. Ralf Hoffmann, taxista de 49 anos que levou diversas facadas de uma casal jovem no qual estava morando em Pomerode. De acordo com documento encaminhado: “Este taxista que estava exercendo sua profissão e contribuindo para esta cidade. Este que sentiu a violência da forma mais cruel e que com certeza não esperava isto no nosso meio”.
Não ocasião, eles aproveitaram para fazer alguns questionamentos, também documentados:
1. Sabemos que falta estrutura e pessoas na nossa polícia, sabemos que a demora no atendimento a chamados é devido a falta de pessoal. Mas temos dúvida no seguinte: Alguém aqui presente nesta reunião pode mudar este cenário? Qual seria a solução para uma mudança?
2. Poderíamos ter mais postos policiais na cidade? Principalmente nos limites do município.
3. Por diversas vezes meu filho questionou se nossa casa está segura ou se vamos acordar com bandidos na nossa casa. Minha esposa já comentou que está preocupada com a chegada do segundo filho, pois com tanta violência e impunidade não estamos certos do amanhã.

De filho para pai
“Pai, você me ensinou a amar e a perdoar, você me ensinou a verdade, a honestidade, o trabalho e o respeito. A todos que sofrem, que lembrem do meu pai e sigam seu exemplo. Te amo pai.
A pergunta que não sai da cabeça é porque mataram nosso pai, ficamos sabendo de uma autoridade do município de uma possível explicação. Este delinqüente estava para ser preso na quinta feira, dia 08/03/2012 e isso não aconteceu por falta de uma assinatura de outra autoridade municipal. A lógica que fica disto é que o jovem assassino ficou sabendo de seu recolhimento e decidiu fugir, ligou para um táxi e achou que matando o motorista estaria apagando seu rastro.
Será que a perda de uma vida por falta de uma assinatura é justo? Será que uma assinatura que demora no máximo cinco segundos não poderia ter sido feita? O que será, alguém pode responder?”

De amiga da família
“Ouvi o termo menino referente aquele monstro de 17 anos que friamente e brutalmente matou o taxista Ralf. Menino é meu filho de 10 anos, até meu filho de 19 anos pode ser chamado de menino. Meninos não matam. Menino soa inocente e isso ele não é. Inocente foi o taxista assassinado. Alguém faz idéia do terror psicológico que vive a família, imaginando a agonia do momento do crime? Só para lembrar o “menino” já havia matado outra pessoa. Ele é no mínimo um lixo mas a lei e os direitos humanos o protegem Neste caso existem direitos humanos para a família que sofre com a perda
e que é de grande benefício para a sociedade? Ele está sob o sustento de nossa sociedade,é justo isso?”

A insegurança dos taxistas
O assunto da segurança pública sempre foi abordado. No entanto, o caso da última semana traz à tona um questionamento gerado por vários profissionais da categoria: Até quando a insegurança vai atrapalhar a prestação de serviços?
A profissão não garante segurança. Afinal, não há como descobrir quem você levará numa corrida ou se a pessoa possui passagem pela polícia ou não. Em virtude disso, alguns profissionais já adotaram outras maneiras de se protegerem.
O taxista Gilmar Gessner, que atua há 12 anos na profissão, informou que por medida de segurança, trabalha para uma empresa e fora isso, faz corridas apenas para conhecidos. “Estamos batalhando para viver. Não vou ficar esperando no ponto para ser assaltado. Meu ponto é em casa”, afirmou.
Gilmar já foi assaltado e disse ainda, que a situação deixa qualquer um traumatizado. “Há quatro anos eu atendia 24 horas, hoje não faço mais isso”, comentou. Além de ser amigo de Ralf, Gilmar também era seu primo e já trabalhou para ele. “Trabalhei oito anos com o Ralf e falei algumas vezes para ele parar de trabalhar a noite. Não sabemos quem vamos buscar e Pomerode não é mais a mesma”, completou.
A solicitação dos taxistas é a mesma da família: mais segurança para a população e para os profissionais da categoria.

Notícias relacionadas