Linguiça defumada na mira da CIDASC
Mudanças propostas pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC) que entrarão em vigar a partir de maio de 2012, colocam em risco práticas artesanais de produção de linguiça. O tema foi motivo de polêmica da sessão da Câmara de Vereadores de segunda-feira, 27/06, quando os legisladores tomaram…
Mudanças propostas pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC) que entrarão em vigar a partir de maio de 2012, colocam em risco práticas artesanais de produção de linguiça. O tema foi motivo de polêmica da sessão da Câmara de Vereadores de segunda-feira, 27/06, quando os legisladores tomaram partido a favor da iguaria e em defesa dos produtores e colonos.
Segundo o vereador Nelson Fischer, o mais enfático e que trouxe o assunto ao plenário, primeiro proibiram o colono de vender o queijinho branco, leite, ovos de galinha caipira e koch kaese e agora também querem proibir de venderem linguiça. “Tanto é que em nossa cidade, que era tradicionalmente agrícola, com tantas proibições, os nossos clássicos colonos não tiveram alternativa senão abandonar o sustento tirado da terra. Os poucos que ainda restam estão aos poucos sendo pressionados por leis absurdas e sempre em seu desfavor para dificultar a venda seus produtos”, reclamou o vereador.
A indignação de Fischer é porque a CIDASC exige que até 2012 os produtores que são inspecionados pelo estado sejam adequados às normas de exigência. Neste caso, a embalagem primária do produto não pode ser mais a tripa e sim, deve ser um material plástico, como forma de proteção. Sendo assim, indiretamente anunciou o fim da linguiça tradicional, tal como está sendo fabricada artesanalmente e comercializada desde os primórdios da colonização em todo o Vale do Itajaí. “Alegam que a tripa de porco usada na sua fabricação para dar forma à linguiça é permeável e desprotegida e pode facilitar a contaminação do produto se tiver contato direto com o meio ambiente e com o manuseio de vendedores e compradores. Que me perdoem a franqueza, quem está querendo que esta lei seja posta em prática não entende nada de linguiça”, explica o vereador.
Se isso acontecer o produto corre o risco de perder o sabor e suas particularidades, pois o produto precisa ‘respirar’ mesmo quando exposto à venda. Sem a reação da linguiça com o ar, sofrerá mudanças de sabor e de cheiro.
Conforme o responsável pelo escritório da CIDASC em Pomerode, Augusto Eneas Upnmoor, quando foi feita a determinação foi levado em consideração essas questões do produto, porém ela segue uma exigência que já era praticada a estabelecimentos com inspeção Federal, e agora passará a incidir sobre os que estão regidos pelo Estado. “Eles terão um ano para se adequar, depois disso a fiscalização ficará a cargo de órgãos competentes como a Vigilância Sanitária”, explicou Augusto, dizendo que a tendência, depois disso, é que a determinação tenha incidência sobre os estabelecimentos inspecionados pelo município também.
Fischer salientou que sua geração e a que o antecedeu foi alimentada de forma mais natural, com alimentos que eram produzidos sem as recomendações que hoje a tecnocracia da saúde impõe e nem por isso deixou de ser saudável. “Somos até hoje mais sadios e resistentes do que os jovens da atualidade, que se empanturram de lanches dessa e daquela marca internacional, dos salgadinhos e docinhos pré-fabricados e ricos em conservantes”, criticou, concluindo que não se pode permitir que os produtos coloniais, como o queijinho, a nata, manteiga, o koch kaese, e a nossa tradicional linguiça e outros embutidos sofram imposições de tecnocratas.
Além de Fischer, os vereadores Maurício Wisnieswski, Ivan Falk e Arno Müller teceram comentários contra as normas da CIDASC.