Leptospirose atinge pomerodenses
Em uma semana mais de 30 pessoas procuraram os Postos de Saúde com sintomas da doença
Algumas doenças estão relacionadas a grandes tragédias naturais, como a vivida mês passado pela população de Pomerode, atingida por chuvas e enchentes. A água e os alimentos contaminados, a desestruturação da rede de esgoto e o acúmulo de lixo são alguns dos fatores que contribuem para a proliferação de mosquitos, baratas e ratos, potenciais transmissores de doenças. Uma dessas doenças é mais frequente nessas situações: a leptospirose.
Esta é uma doença infecciosa febril, aguda, potencialmente grave, causada por uma bactéria chamada Leptospira interrogans. Geralmente, é transmitida através de ratos e outros mamíferos silvestres, podendo também ser causada por urina e fezes de cães e gatos. Estes animais, mesmo quando vacinados, podem tornar-se portadores assintomáticos, contaminando pessoas de todas as idades e sexo.
As manifestações, em geral, aparecem entre dois e 30 dias após a infecção. Os principais sintomas são: febre alta de início súbito, sensação de mal estar, dores abdominais, náuseas, vômitos e diarreia, o que pode levar a desidratação. É comum também que os olhos fiquem avermelhados e alguns doentes podem apresentar tosse e faringite. Conforme recomendação da Secretária de Saúde do município sete dias após sentir os sintomas deve-se ir ao Posto de Saúde mais próximo, e solicitar um exame de sangue, que irá comprovar ou não a doença.
Ainda não existe nenhum tipo de vacina para prevenção da doença, mas o risco de adquirir leptospirose pode ser reduzido se tomados alguns cuidados. Evitar o contato ou ingestão de água que possa estar contaminada com a urina de animais, não ingerir bebidas diretamente de latas ou garrafas sem que essas sejam lavadas adequadamente, pois as mesmas também podem estar contaminadas.
O tratamento para pessoas contaminadas com leptospirose é feito fundamentalmente com hidratação. Quando o diagnóstico é feito devem ser empregados antibióticos que reduzem as chances de evolução para a forma grave. As pessoas com leptospirose sem icterícia (amarelão) podem ser tratadas em casa. As que desenvolverem meningite ou icterícia devem ser internadas. As formas mais graves da doença necessitam de tratamento intensivo. Em casos de febre não deve ser utilizado medicamentos que contenham ácido acetil-salicílico (como AAS, Aspirina, Melhoral e similares), pois eles podem aumentar os riscos de sangramentos. Os antiinflamatórios (como Voltaren, Profenid) também não devem ser utilizados pelo risco de efeitos colaterais, como hemorragia digestiva e reações alérgicas. Aos primeiros sintomas, procure um médico imediatamente.
Em Pomerode, desde o início de março já são 74 pessoas supostamente infectadas. Apenas na semana de 28/03 a 02/04 mais de 30 pessoas procuraram os postos de saúde com sintomas da doença. Exames foram feitos em 30 pacientes, pois apenas estes já passavam dos sete dias com sintomas. Com o resultado dos exames foi concluído que apenas dois casos foram positivos, um teve resultado inconclusivo e os demais foram negativos. Os outros 44 exames ainda aguardam o resultado.