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Leishmaniose chega ao Estado de Santa Catarina

Nos últimos dias, a notícia sobre a Leishmaniose vem tomando conta da mídia no estado de Santa Catarina. No entanto, não precisamos
nos desesperar.

23 de setembro de 2010

 A Leishmaniose, sem dúvida, é uma doença que os proprietários de cães e gatos têm que tomar cuidado. A Leishmania donovani complexa ou Leishmania braziliensis pode ser encontrada em áreas endêmicas na América Central, América do Sul e sul do México. A doença é cosmopolita, com maior prevalência em animais que vivem em regiões endêmicas, geralmente no Mediterrâneo, onde os vetores são encontrados e os cães, expostos a eles.

O protozoário responsável pela leishmaniose causa dois tipos doença: a leishmania cutânea e visceral. A leishmania é transmitida pelo mosquito da espécie Phlebotomus spp., mais conhecido como mosquito-pólvora, que é hematófago. O flebótomo (vetor) transmite para a pele do hospedeiro os parasitas flagelados.

Os sistemas e órgãos afetados são: cutânea, pele, sistema hepatobiliar, baço, rins, olhos e articulações. A forma visceral da doença causa diátese hemorrágica.
O período de incubação da doença é de um mês e pode chegar a anos, podendo dissociar conforme com início da doença clínica, o histórico de quarentena ou viagem á região endêmica.

As formas da leishmaniose visceral e cutânea surgem poucos meses a vários anos, como relatado anteriormente, após a infecção inicial. O proprietário pode observar lesões que, normalmente começam na cabeça e se espalham pelo pavilhão auricular e extremidades, podendo, na sequência, se generalizar.

A leishmaniose visceral apresenta sintomas que variam, mas incluem com frequência a depressão mental progressiva insidiosa, intolerância a exercícios, anorexia e grave perda de peso, diarreia com sangue etc.

Nos gatos, muitas vezes, o parasita é localizado na pele, mas nos cães, é encontrado em todo o corpo e na maioria dos órgãos. A principal causa das mortes nos animais é por insuficiência renal.

Entre os sinais de insuficiência renal estão a poliúria, polidipsia e vômito. Poliartirte também pode ser observada, assim como polimiosite, lesões osteolíticas e periostite proliferativa, palidez das mucosas (decorrentes da anemia), etc.

Na forma cutânea da doença, o sintoma mais comumente encontrado é a hiperqueratose, que se caracteriza por uma excessiva descamação da epiderme, despigmentação e ressecamento do focinho e dos coxins (almofadas plantares).
Alguns sinais de alopecia (queda de pelo) também são encontrados, pois a pelagem começa a ficar seca, e em consequência, os pelos se tornam quebradiços e, por fim, caem inteiramente.

Nódulos de pele (intradérmicos) ou mucosa, pústulas (espinhas) e unhas anormalmente longas (com crescimento rápido) ou quebradiças, entre outros, também são sintomas encontrados.

Há vários métodos de diagnóstico e existe tratamento para os animais que contraem a doença. Uma vez o mesmo sendo reagente à sorologia, não significa que seja uma sentença de morte, mas sim, que o animal deve ser investigado. Existem tratamentos modernos que o proprietário pode fazer em casa por via oral em seu animal.

Os cães são tratados com alguns tipos de drogas e, antifúngicos também têm sido usados com bons resultados. A Leishmania, independentemente do tratamento, não é curável, mas sim, controlável. Todos os animais que respondem bem ao tratamento devem fazer exames periódicos que podem ter um espaço de até seis meses, desde que estejam regularmente monitorados pelo médico veterinário responsável e atentamente observado pelo proprietário, pois pode ocorrer reincidência.

Para que a leishmaniose seja prevenida, o proprietário pode evitar viagens a regiões endêmicas. Caso isso aconteça, os animais devem ser mantidos em ambientes fechados, uma hora antes do pôr do sol e até uma hora após o amanhecer. Em algumas regiões, costuma-se usar telas finas em canis e residências, pois o mosquito é muito pequeno, podendo passar por pequenos orifícios, mas há controvérsias quanto ao uso das mesmas, pois uma vez o animal saindo de casa e tendo o contato com o mosquito, ele é infectado, logo a vacina, repelentes e inseticidas tópicos e próprios para cães têm demonstrado bons resultados.

O diagnóstico diferencial da leishmania envolve outras doenças, sendo uma delas a erliquiose (doença do carrapato).O acompanhamento dos animais acometidos se dá pelo monitoramento da melhora dos sinais clínicos e a identificação de organismos em biopsias repetidas. As recidivas ou recaídas podem ocorrer poucos meses ou um ano após o tratamento, logo, os animais devem ser reexaminados no mínimo, a cada dois meses após terminar o tratamento. O prognóstico da leishmania para a cura é reservado. As medicações usadas podem melhorar a qualidade de vida do animal.

A maneira de prevenir é agir precocemente. Vacinas contra a leishmania estão disponíveis em clínicas veterinárias e devem ser feitas por médicos veterinários, pois antes de uma vacinação, seja para qualquer doença, o animal deve sempre passar por um exame clínico.

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