Laços que não se medem.
Quando dizem que o amor é inexplicável e passível de compreensão apenas para quem o sente, as pessoas não estão brincando.
Quando dizem que o amor é inexplicável e passível de compreensão apenas para quem o sente, as pessoas não estão brincando. E diferente do amor de amigo, de namorado ou marido, é o amor dos pais. Esse sim é único, puro, verdadeiro e capaz de tudo pelo bem de seu filho. Tudo mesmo!
Engana-se quem pensa que o amor é maior quando o filho sai de seu ventre ou quando há o acompanhamento desde a descoberta da gravidez. O velho ditado “pais são os que criam” não poderia ser mais completo nesse 25 de maio, data que comemora o Dia Nacional da Adoção.
E para quem acha que isso não é possível, vamos contar uma história que envolve o amor e a adoção. E mais do que isso, o sentimento de agradecimento de uma filha que carrega o orgulho da família que tem nas veias.
A história pode se repetir, mas Dahbya Spies resolveu contar a sua história para homenagear seus pais e, além disso, concluir que laços de sangue não são mais importantes do que os do coração. Porque esses sim são fundamentais em qualquer situação.
O dia 19 de novembro de 1992 foi o início de uma história. Foi o dia em que Dahbya nasceu. Ela tinha apenas quatro dias de vida quando foi adotada. Seus pais adotivos já tinham um filho, mas ele faleceu aos oito anos de idade e Dahbya foi a nova razão para sorrir. A maior preocupação, em seu primeiro ano de vida, era a de que sua mãe biológica fosse recorrer à sua guarda, afinal a pequena Dahbya ainda não estava registrada com o sobrenome de seus pais adotivos.
Passado o primeiro ano e a chegada da nova certidão de nascimento, a parte burocrática estava pronta. A partir daí um longo caminho começava a ser trilhado. Afinal, Dahbya não é nada parecida com seus pais e ela certamente saberia que havia alguma coisa de diferente nesta relação.
A mãe adotiva, Iraci, contava em seu berço, enquanto Dahbya dormia, a sua história. E com isso seu inconsciente já sabia de tudo. O impacto da verdade não foi assustador, pois ela nunca foi escondida. Desde o princípio, Dahbya sabia que não havia nascido do ventre de Iraci, mas isso não a impediu de criar o maior sentimento do mundo: o amor pelos pais.
A mãe biológica não mora por perto e não tinha condições de sustentá-la. Os motivos pelos quais ela não pôde ficar com a filha hoje não importam, Dahbya tem apenas a absoluta certeza de que seu destino era encontrar a família que hoje chama de sua.
Hoje, quase 20 anos depois, Dahbya agradece por poder chamar Iraci e Horst Spies de pais. E comprova que sangue é apenas um detalhe quando o sentimento é verdadeiro. E que pais, infelizmente não são pra vida toda, mas transformam para sempre uma vida.
Uma declaração de amor….
Neste mundo de tantas dificuldades encontrar pessoas dignas de respeito é quase impossível. Descobri também que ser pai ou mãe não é simplesmente fecundar e carregar no ventre durante nove meses. É muito mais do que isso.
Pais não são só aqueles que põe no mundo, mas sim aqueles que, vivendo ao nosso lado, nos preparam para enfrentar o mundo. Aqueles que curam a dor com beijos e se alegram quando nosso coração se alegra.
Talvez vocês não tenham me dado a vida, mas deram certamente uma razão para viver… Ser pai, ser mãe é um constante desenvolvimento de potenciais conhecidos e desconhecidos.
A vocês, que iluminaram o meu caminho obscuro, com afeto e dedicação
para que o trilhasse sem medo e cheios de esperanças, não bastaria um muito obrigado. A vocês, que se doaram inteiros e renunciaram aos seus sonhos, para que, muitas vezes, pudesse realizar os meus.
Recordo-me de um texto chamando trem da vida:
“Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: Nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível…”
Por isso vejo em vocês um grande exemplo. Afinal não precisaram me gerar para me amar tanto.
Com tudo isso pude tirar uma conclusão: há algo mais forte que os laços de sangue: são os laços do coração, aqueles que por uma razão inexplicável nos ligam para sempre.
Amo Vocês!