JMJ Rio 2013: uma experiência de solidariedade e fé
Na semana passada, o assunto que dominou a mídia foi a realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio 2013), realizada entre os dias 23 e 28 de julho, no Rio do Janeiro.
Na semana passada, o assunto que dominou a mídia foi a realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio 2013), realizada entre os dias 23 e 28 de julho, no Rio do Janeiro. Um evento grandioso, que reuniu peregrinos de toda, as partes do mundo, ansiosos para participar desta verdadeira demonstração de fé e, principalmente, conhecer o Papa Francisco, em sua primeira grande viagem internacional.
Como não poderia deixar de ser, alguns pomerodenses estiveram entre os 3,5 milhões de pessoas que participaram destes dias especiais para os católicos de todo o mundo. Um deles é Mário Jr. Niederle, que vivenciou estes momentos como peregrino. A oportunidade surgiu por meio do convite da minha amiga Jéssica Reis Nunes, no final do ano passado, dentro do ônibus que nos levava para a faculdade. Ela veio insistindo para que eu fosse com ela e com o Grupo de Jovens de Timbó, na qual ela participa. No começo deste ano, ela veio de novo com este assunto, só que desta vez, o meu pai estava junto e me incentivou. Agradeço muito pela persistência dela e o apoio do meu pai, conta. Só que um imprevisto aconteceu neste meio tempo. Faltando um mês para a JMJ, a Jé me deu a notícia de que ela não poderia ir junto, pois ela havia sido recentemente contrata para trabalhar num escritório de advocacia. Neste momento, disse para ela que iria aproveitar por mim e por ela também.
No mesmo grupo de Mário, representando nossa cidade, estiveram Rodrigo Becker, Noemi Silva, Bruno Bolonha e duas Irmãs Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo, Andreia e Milena. Tudo foi novidade para mim, começando já na missa de envio dos jovens no dia 20 de julho, na Catedral em Blumenau, quando conheci o restante do grupo que iria viajar. Éramos em 46 jovens e ali já percebi a motivação de todos por essa viagem, apesar da forte chuva que caia naquela noite, ressalta.
No domingo, dia 21, o grupo foi conhecer a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, quando tiveram o primeiro contato com jovens de muitos outros países. Chegamos ao Rio de Janeiro na segunda-feira de madrugada e fomos acomodados na Escola Poeta Mário Quintana, no bairro de Jacarepaguá. Logo cedo, buscamos nossos Kits Peregrinos no bairro Santa Cruz, o que levou a manhã toda, em virtude da multidão que começava a tomar a cidade. E como soubemos que o Papa havia chegado e faria uma passeata no centro do Rio, fomos todos juntos de trem até o centro. Lá, numa avenida onde estava localizado o prédio sede da Petrobras, vimos o Papa de perto pela primeira vez, relata Mário.
Atividades – Durante uma semana, o grupo vivenciou grandes emoções durante a JMJ. Conheci igrejas antigas e o lar dos Franciscanos. Neste dia, gerou-se um enorme tumulto, pois o acesso ao metrô para ir à missa de abertura da JMJ estava muito cheio. Por sorte, conhecemos uma voluntária, carioca, que nos mostrou um caminho alternativo. Andamos entre a multidão até pegarmos um ônibus até Copacabana. Mas tarde, soubemos que o trem que iríamos pegar quebrou. Toda a viagem, do alojamento até o centro, levava em torno de duas horas de ônibus. E quando conseguíamos ônibus para acomodar todos os 46, era sempre muito animado, pois cantávamos músicas da Jornada e contávamos piadas. Esta foi a maneira que encontramos para a viagem não ser cansativa, por que o ônibus sempre estava lotado, com trabalhadores ou com mais outros peregrinos.
O jovem participou de várias atividades, como a missa de abertura na praia de Copacabana, nas catequeses e missas de quarta e quinta-feira pela manhã, no Rio Centro, onde houve uma feira de artigos relacionados à igreja.
Mário conta também que, na missa de abertura, teve a oportunidade de conhecer a Praia de Copacabana e mostrar seu amor por nossa cidade. Neste dia, aproveitei para sentir pela primeira vez a areia de Copacabana e conhecer outros jovens. Na ocasião, como estava de lenço escoteiro representando o nosso Grupo Escoteiro Pomerano e com a bandeira de Pomerode, conheci um grupo de quatro escoteiras de Luxemburgo, dois militares alemães fardados, outro grupo de alemães e três escoteiros da Argentina. Foi muito legal.
No que diz respeito à alimentação dos jovens, Mário conta que a Jornada mudou a rotina da cidade. Pela manhã, havia o café do peregrino, onde recebíamos numa caixinha alguns alimentos embalados. E para o almoço e jantar, tínhamos um cartão, tipo vale alimentação, onde comíamos em restaurantes ou lanchonetes que aceitavam este cartão. No fim de semana da Vigília com o Papa, recebemos um ‘super kit refeição, para passar o dia de sábado e domingo bem alimentados. Havia muitos kits, com dezenas de carretas sendo descarregas com muitos deles. Uma cena que ficou fixa na minha memória foi ver, da praia do Aterro do Flamengo, um grupo de algum país africano carregando caixas grandes sobre a cabeça. Imaginei-me na hora vendo eles carregando estas caixas lá na África e distribuindo essa comida toda aos seus conterrâneos. Foi uma cena que me tocou bastante.
Missa de envio – O último grande evento da Jornada foi a Missa de Envio, realizada no domingo pela manhã. E o grupo de nossa região esteve presente, para encerrar a sua jornada de uma semana em terras cariocas. A missa foi emocionante demais. Vimos bandeiras de muitas nacionalidades, de todos os continentes por lá. Nós não dormimos na praia, pois a maioria do grupo optou em voltar no sábado e dormir no alojamento, para, no domingo pela manhã, voltar à praia e acompanhar o restante da missa da vigília com o Papa. A união do nosso grupo só foi possível com a colaboração de todos e a paciência da líder. Nós temos muito a agradecer, porque muitas vezes tivemos que andar de mãos dadas e em fila, para encontrar um bom lugar e aproveitar os eventos que aconteceram na praia de Copacabana, enfatiza.
A participação do jovem católico, pelo que percebi, é muito forte em todo o mundo e cheio de esperança de mudá-lo para melhor. Com essa JMJ no Rio, o Papa Francisco deixou claro que nós jovens temos que ser mais representativos, sem medo de espalhar, fé e o amor de Cristo para todos. E que temos que ser revolucionários, acrescenta.
Sacrifício – Nestes dias em que esteve no Rio, o Papa esbanjou alegria, simplicidade e simpatia. E para ver o pontífice, valia qualquer coisa. Conseguimos vê-lo por duas vezes. Uma foi na segunda-feira, onde o Papa fez uma passeata surpresa no centro do Rio. E outra oportunidade foi quando ele fez a passeata em direção ao palco principal na quinta-feira, no momento eu consegui filmar. Consegui isso por causa do Rodrigo Becker, que se prontificou a me levantar em seus ombros para que eu ficasse mais alto, e assim, pude filmar e bater foto, um aparelho em cada mão. Foi emocionante demais, conta o jovem.
Da JMJ, o peregrino diz que leva muita coisa, principalmente a alegria e satisfação de se encontrar com tantos jovens e todos com o mesmo propósito de um mundo melhor. Renovei a minha fé para com Deus. Com certeza, desta experiência, irei levar também para a minha vida os novos amigos que fiz. Só quem participou nunca mais esquecerá a energia positiva que se sente num evento como este. Agradeço a Deus por ter vivenciado este momento histórico, com mais de três milhões de jovens na Cidade Maravilhosa, que era o meu sonho conhecer, finaliza.
Visita ao Rio – Quem também vivenciou estes momentos da JMJ Rio 2013 foi a família de Antonio Ferreira. Católicos, eles programaram a viagem justamente para coincidir com a realização do evento. Foi muito especial, pois aproveitamos as férias para passear, conhecer a cidade e participar de algumas celebrações. O clima na cidade era o melhor possível, pois todos estavam reunidos em torno de um bem comum: a palavra de Deus, com muita paz, alegria e alto astral. Eu, sinceramente, nunca vi tanta gente reunida e, apesar disso, não houve nenhuma ocorrência. Foi uma experiência emocionante, conta.
Durante os dias em que estiveram no Rio de Janeiro, eles puderam também ver o Papa Francisco de perto. Foi em Copacabana, numa de suas passagens. Ficamos a cinco metros dele e eu me senti mais perto de Deus. Seu carisma cativou a todos, ele por si só já é uma mensagem de fé e de esperança, enaltece Antonio.
Outro ponto positivo destacado pelo pomerodense foi a solidariedade do povo carioca. Além disso, a Jornada Mundial da Juventude mostrou que é possível uma multidão de três milhões de pessoas viverem em paz. Levo muitas coisas boas desta viagem.
Segundo Antonio, o evento vai trazer muitos benefícios para a Igreja Católica. Como disse o Papa em uma entrevista, é preciso que a igreja saia para as periferias. Além disso, o líder mundial dos católicos, com sua forma simples, vai realizar uma revolução nos conceitos de se fazer igreja. E cabe a nós, católicos, colocar em prática os seus ensinamentos, finaliza.
Fotos: Divulgação