Geral

Insubstituível, sangue doado salva vidas, mas ainda é escasso em Pomerode e região

Hospitais da região sofrem com a falta de sangue para realizar cirurgias.

27 de junho de 2009

Hospitais da região sofrem com a falta de sangue para realizar cirurgias. Em Pomerode, pelo baixo índice de doação, o Hospital e Maternidade Rio do Testo conta somente, com uma única bolsa de sangue de reserva.

O Ministério da Saúde lançou a campanha “Entre para a Corrente Sanguínea. Doe e convide alguém a doar”, com o objetivo de transformar o ato de doar sangue em um hábito de vida saudável e aumentar o número de doadores em todo o país. Isso porque no Brasil, a situação dos bancos de sangue vive em constante deficiência, principalmente em hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde. O principal motivo dessa situação é a falta de doadores. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, o Brasil possui um percentual de doadores de 1,8%, sendo que a Organização Mundial de Saúde recomenda que o percentual ideal seja de 3,5% a 5% da população.
Em Pomerode, a situação não é diferente. O único hospital do município, HMRT, segundo informações repassadas pelo Enfermeiro Vinicius Nogara, conta somente com uma bolsa de sangue de reserva, tipo O negativo (universal).  A culpa em momento algum é da instituição de saúde ou do Hemocentro de Blumenau, a culpa é da população, que não percebe que o simples gesto de doar sangue é responsável por salvar vidas.
No município, quando alguém necessita de uma transfusão de sangue, seja em casos de emergências ou urgências, caso a quantia exceda a de uma bolsa, consequentemente o que o hospital tem disponível, a ambulância da Secretaria de Saúde vai até o hospital, apanha uma amostra do sangue do paciente previamente coletado pela equipe de enfermagem, coloca-o em uma caixa térmica e se dirige ao Hemocentro de Blumenau. Lá chegando, a liberação do sangue pode ser breve ou demorada, dependendo do estado do paciente que aguarda para realizar a transfusão e da demanda dos 32 hospitais da região.
Neste jogo desesperado, que tem como único objetivo salvar vidas, é importante ressaltar, que em casos de desabastecimento do Hemocentro e dos hospitais da região, a sociedade como um todo tem sua parcela de culpa, já que dependendo da emergência uma única bolsa de sangue disponível, como o caso de Pomerode, não é suficiente para suprir a necessidade de uma única pessoa.
O Enfermeiro Vinicius Nogara diz que pouquíssimas pessoas procuram o hospital para saber como podem ser doadoras. “As pessoas acreditam em certos mitos, que vão ficar fracas ou pegar alguma doença, mas não é verdade, ao contrário, doar sangue é benéfico ao organismo, renova o nosso sangue”.

A triste realidade
Uma bolsa de sangue doada pode salvar até três vidas. Em apenas 15 minutos de uma boa ação e 450 mil desse líquido tão precioso – o qual nosso organismo repõe em apenas alguns dias – é possível renovar a esperança de muitos pacientes que precisam de sangue para continuar vivendo.
Em épocas de férias, como nos mês de julho, por exemplo, a situação dos bancos de sangue se agrava, pois é quando normalmente acontecem mais acidentes e menos pessoas pensam na possibilidade de doar. É quando são percebidos grandes picos de carência, levando a baixas preocupantes nos estoques.
Blumenau é um centro de referência em saúde no sul do país, o que aumenta o número de pessoas em busca de tratamentos no município e eleva o número de procedimentos realizados. Em consequência disso, é constante a procura por doadores de sangue.
O Centro Hemoterápico de Blumenau atende 32 hospitais em toda a região. Segundo o diretor-geral do Banco de Sangue, o médico hemoterapeuta Dr. Delson Morilo Langaro, a coleta mensal atualmente é de aproximadamente 1,5 mil bolsas, o que representa um aumento de 30% a 40% nos últimos oito anos.
As pessoas não precisam ter receio de que a doação possa causar alguma dor, pois o Centro Hemoterápico de Blumenau oferece a opção de aplicar um anestésico local durante a coleta. O tempo de doação dura em média 40 minutos, desde o cadastro até a coleta, que leva aproximadamente dez minutos. Entre as etapas, está a verificação do peso, altura, hematócrito, pressão, temperatura e uma entrevista sigilosa. O objetivo é que o processo seja saudável para o doador e receptor.
Existe uma porcentagem de rejeições que corresponde a 20%. Os motivos variam desde vacinas tomadas pelo doador, comportamentos de risco (se a pessoa teve hepatite após os 10 anos, se tem problemas de coração ou doenças hemotransmissíveis). Após a doação, é servido um lanche com a finalidade de repor líquido. A quantia de sangue retirada na doação não faz falta a quem doa, já que o corpo repõe a quantidade perdida e para no momento que atingiu o volume normal.
Na doação são coletados cerca de 500 mililitros de sangue em uma bolsa. O líquido depois é fracionado e pode ser utilizado para o tratamento de dois ou até quatro pacientes.
Neste fracionamento, o sangue passa por um processo de centrifugação e é dividido em três partes: hemácias (250 ml), plaquetas (50 ml) e plasma (200 ml). A quantidade utilizada dependerá da necessidade do Banco de Sangue, 70% do sangue são concentrados de hemácia. “O que é doado espontaneamente no Banco de Sangue corresponde a 80% da necessidade”, afirma Dr. Delson. “A quantia de sangue a ser utilizada dependerá do tipo de procedimento realizado e do estado geral do paciente. Um transplante de fígado geralmente é o que mais necessita de sangue”.

Cada bolsa contém 500 mililitros de sangue
Não existe sobra de sangue, pois cada componente possui determinada validade. A bolsa de hemácias dura apenas 35 dias, não havendo possibilidade de estocar. Após recolhidas ainda passam por diversos testes. “O sangue é perecível, temos que ter uma entrada compatível à saída”, afirma o médico. Para isso, há bastante cuidado, pois não se pode ter previsão de quando haverá um acidente ou uma cirurgia de emergência.
O plasma fica estocado em um freezer a 20°C negativos e tem validade de um ano. As plaquetas são guardadas a 22°C negativos e duram apenas cinco dias. “Este é um dos maiores problemas do Banco de Sangue, principalmente em época de feriados”, diz o médico.
Todos os tipos sanguíneos podem ser doados e recebidos. Cada doador tem um receptor correspondente. As bolsas são divididas pela tipagem e vão para os doadores compatíveis. “O doador universal é O-, por isso acaba sendo o mais convocado, mas não existe um tipo que não seja necessário, todos são importantes”, observa Dr. Delson.
Dr. Delson Morilo Langaro dirige o Centro Hemoterápico e Banco de Sangue em Blumenau.
Doar sangue é um ato que salva vidas e ajuda na recuperação mais rápida de pacientes em situações emergenciais, doenças crônicas ou distúrbios de coagulação. Não causa doença alguma, uma vez que a doação é realizada dentro de rigorosos padrões técnicos. Não engorda e não emagrece, não torna obrigatória a doação regular, não engrossa ou afina o sangue e não enfraquece o doador. “Não há nada que se possa fazer em 30 minutos que tenha uma repercussão tão grande quanto doar sangue”, analisa o médico.

Para Doar

Apresentar documento com fotografia;
Ter entre 18 e 65 anos;
Pesar no mínimo 50 quilos;
Ter ingerido alimentos com pouca gordura na última refeição e não estar em jejum;
Não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 24h;
Após o almoço, aguardar duas horas;
Obedecer ao intervalo entre as doações:
Homens a cada dois meses
Mulheres a cada três meses
üNão ultrapassar quatro doações por ano para os homens e três para as mulheres.

Mais Informações
Centro Hemoterápico de Blumenau
Rua Floriano Peixoto, 300 – Anexo ao Hospital Santa Isabel.
De segunda à sexta-feira, das 7h30min às 18h e aos sábados das 8h às 11h. (47) 3322-3158.

 

 

Notícias relacionadas