Inclusão pelo esporte
A Apodef realiza diversos eventos na cidade e participa de muitos outros fora do município, tudo em busca da integração de seus atletas. O exemplo mais recente desta busca foi o 1º Torneio de Bocha Rafa para Deficientes em Pomerode, que ocorreu no final de semana, dias 23 e 24 de junho. Em dois dias de competição, cerca de 50 atletas estiveram presentes no local.
A Apodef realiza diversos eventos na cidade e participa de muitos outros fora do município, tudo em busca da integração de seus atletas. O exemplo mais recente desta busca foi o 1º Torneio de Bocha Rafa para Deficientes em Pomerode, que ocorreu no final de semana, dias 23 e 24 de junho.
Em dois dias de competição, cerca de 50 atletas estiveram presentes no local. O torneio aconteceu no Salão Primavera, nas seguintes categorias: deficientes físicos cadeirante e andante masculino e feminino e deficiente intelectual, masculino e feminino.
As 25 duplas vieram de Blumenau, Brusque, Jaraguá do Sul, Indaial, Itajaí e, claro, Pomerode. Além dos atletas que participaram do evento, a torcida também compareceu e fez bonito.
As partidas iniciaram às 9h de sábado, dia em que todas as equipes chegaram ao local. Além da competição, o Salão Primavera também se transformou em alojamento, local de alimentação e, à noite, danceteria. Isso mesmo, depois de um dia inteiro de competição, os atletas ainda tiveram ânimo para uma noite regada a muita música e animação. A festa acabou à meia noite, mas a animação permaneceu e tomou conta do último dia de competição.
Silvio José Tiedt, atleta de Pomerode, não esconde em seu olhar a alegria em poder participar de mais um evento. “Foi muito bom. Nós treinamos no asilo e fizemos muitos amigos aqui”, completou.
Marcos André Maestri é coordenador da Associação de Pais e Voluntários dos Atletas Especiais de Brusque – APVAEB, e esteve presente no evento com os atletas do seu município. A importância destes eventos sempre é lembrada por quem acompanha os atletas Marcos não pensa diferente: “A amizade, a troca de ideias e experiências, sair do cotidiano e conhecer novos lugares são algumas das motivações e conquistas dos nossos atletas. Além disso, a independência que criam tomando seus próprios medicamentos ou realizando suas atividades sozinhos fazem parte de seu crescimento”. Outro ponto lembrado por Marcos é que são em competições que os atletas colocam em prática tudo que treinam e aprendem, não deixando passar em branco esse conhecimento.
Mesmo o evento ocorrendo no final de semana, dias em que não há transporte escolar especial, as famílias dos atletas pomerodenses os levaram até o Salão Primavera para poderem participar do torneio. “Ficamos contentes com a participação da família também”, completa a treinadora da equipe, Ilsani Baptista.
Segundo o presidente da Apodef, Vilmar de Ramos, a competição é motivadora. “A competição também é uma novidade. E, acima de tudo, é importante para mostrar que existimos”, completa.
O mostrar a existência ainda tem sido um desafio para os que possuem algum tipo de deficiência. Em um mundo que ainda luta por acessibilidade, os deficientes físicos, cegos, surdos e mudos não têm incentivo da sociedade. E mesmo com toda a dificuldade encontrada, o que não faltarão são sorrisos em seus rostos.
Cada um com sua deficiência, mas todos com um sentimento em comum: a alegria de viver. E com esse sentimento dedicaram-se a competição de corpo e alma. Maike Sommerfeld Tarnawski e Maria Regina Decker são atletas da Abludef, de Blumenau, e ficaram em primeiro lugar na categoria cadeirante – feminino. Esta foi a primeira vez que ambas participaram de um evento de Bocha e puderam voltar para casa com o título de campeãs. No entanto, a medalha é apenas um detalhe para elas. “A participação e integração com o pessoal são o que realmente faz com que essas competições valham a pena”, completaram.
Enxergar o mundo com outros olhos, não possuir limitações e sempre buscar superação. Os treinos são baseados nesses quesitos. E mais do que o esporte, esses artigos são levados para a vida.
O esporte é uma alternativa para superar a deficiência. No entanto, a maior barreira que os deficientes podem encontrar é quebrar a barreira dentro deles mesmos. “Às vezes, a aceitação própria é a mais difícil, principalmente para quem fica deficiente após algum acidente ou algo do gênero. O primeiro passo para a felicidade é a aceitação. Depois disso a superação é conseqüência”, diz Vilmar.
Enquanto alguns atletas estavam sérios e concentrados durante as partidas, os que estavam com tempo livre praticavam outra atividade: jogavam sinuca, assistiam televisão e até uma roda de música se formou.
O mundo especial ainda é pouco conhecido pela maior parte da população. E é isso que a Apodef procura mudar. “Se não nos mostrarmos como vamos cobrar nossos direitos?”, questionou Vilmar. Por isso a resposta é simples, “é preciso mostrar para ser visto. É o que fazemos”, completa o presidente da Apodef.
Após os dois dias de competição, a professora Ilsani Baptista não nega a alegria do sucesso do evento e vai embora com cara de dever cumprido. “Esse momento é único. Não há como não se orgulhar de nossos atletas. Neste torneio tivemos 22 atletas pomerodenses participando”, completa. A competitividade é deixada de lado e o simples fato de participar já vale a pena. Os laços criados em um evento como esse são eternos.
Os organizadores do evento agradecem à Apae, à Fakini que fez a doação de brindes para os atletas e a todos os voluntários que contribuíram para que este evento acontecesse. “Um agradecimento em especial à Elisiane Wirt, ela é atleta e aluna da Apae é colaboradora da Apodef”, completou Ilsani.
O evento pode ser resumido em uma palavra, que traduz o eterno: Amizade. Sentimento bom e sincero que une esses atletas que, acima de tudo, possuem um coração de ouro. E são eventos como esse que proporcionam momentos únicos a essas pessoas tão especiais. Especiais não pela sua deficiência, mas especiais pelo que carregam no peito: um coração sem preconceitos e amor sem limites.
Palavra de quem vive a causa
“Incentivar e apoiar o paradesporto é uma das atividades da Apodef! Ver o sorriso e a lágrima, ambos de emoção, do atleta que recebe a sua medalha, conhecer histórias de dor seguidas de superação, rir à toa, cantar sem medo de desafinar, permitir-se ser diferente e especial, caminhar devagar, ajudar a subir, a descer, a servir a comida, dançar na cadeira de rodas, fazer piada até com as adversidades, ter o desejo de vencer, mas preocupar-se para que o adversário também esteja feliz, dar o máximo de si e terminar a prova, mesmo que a medalha esteja distante… Enfim, essas são algumas das nossas vivências! Amo muito tudo isso!”. Margareth Ripp Butzke
Pedágio Apodef
Ajudar nunca é demais e faz bem para a alma. E você também pode ajudar a Apodef. No sábado, dia 14 de julho, vai ocorrer um pedágio em prol da entidade. Faça a sua parte e colabore com a instituição que não mede esforços para dar visualização àqueles que, as vezes, passam despercebidos.
Portanto, não esqueça: sábado, dia 14 de julho,
Pedágio da Apodef. Participe!
Confira a classificação:
Deficientes físicos andantes
(masculino)
1º lugar – Jaraguá do Sul
2º lugar – Pomerode
3º lugar – Blumenau
Deficientes físicos andantes (feminino)
1º lugar – Pomerode
2º lugar – Itajaí
Deficientes físicos cadeirantes (masculino)
1º lugar – Itajaí
2º lugar – Pomerode
3º lugar – Blumenau
Deficientes físicos cadeirantes (feminino)
1º lugar – Blumenau
2º lugar – Itajaí
3º lugar – Indaial
Deficientes intelectuais
(feminino)
1º lugar – Brusque
2º lugar – Pomerode
3º lugar – Pomerode
Deficientes intelectuais
(masculino)
1º lugar – Brusque
2º lugar – Pomerode
3º lugar – Pomerode