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Imagens de satélite mostram redução na poluição do ar, durante quarentena

Imagens de satélite mostram como a quarentena reduz a poluição

14 de abril de 2020

Os níveis de poluição tiveram uma diminuição em grandes centros urbanos no Brasil durante o período de quarentena vivido devido à pandemia do novo coronavírus. Imagens captadas do satélite Sentinel 5P, da Agência Espacial Europeia, mostram redução do dióxido de nitrogênio em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia, Curitiba, Salvador e Belo Horizonte.

Pesquisadores explicam que o fenômeno se deve, principalmente, à redução da circulação de veículos automotores — em geral, os principais emissores do composto nas grandes cidades. O dióxido de nitrogênio é um poluente produzido pela queima de combustíveis fósseis — como petróleo e biomassa (queimadas em florestas, por exemplo). É um dos principais indicadores do Índice de Qualidade do Ar (IQAR), segundo resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

A análise do dióxido de nitrogênio foi feita pelo gerente de Gestão de Informações Ambientais e Geoprocessamento do  Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC), Diego Hemkemeier, que observou e processou os dados, transformando-os em mapas. Ele comparou do dia 20 de março ao dia 8 de abril deste ano com o mesmo período do ano passado. Nas imagens, é possível perceber que as manchas (que é a concentração) deste poluente ficaram menores em 2020.“É visível que houve uma mudança considerável”, disse. 

Para Hemkemeier, os efeitos da mudança são sentidos principalmente por quem sofre de doenças pulmonares. Sabe-se que a Covid-19, causada pelo coronavírus, causa uma inflamação no pulmão, o que faz com que os pacientes graves necessitem de respiradores. “Acho que pode ser crucial (a diminuição dos níveis de poluição) para essas pessoas (que têm doenças pulmonares e venham a se contaminar com coronavírus)”, observou o gerente do IMA-SC.

São Paulo

Em São Paulo, é possível observar uma queda no percentual dos índices de poluentes. Dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mostram a redução de 50% de monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio durante a quarentena. A análise foi feita pela professora Maria de Fátima Andrade, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Ela observou, ainda, uma diminuição de 30% de material particulado, que vem, por exemplo, da fuligem que sai do escapamento ou desgaste de pneu no asfalto.

Professora de gestão ambiental da Universidade de São Paulo, Regina Maura de Miranda ressalta que a diminuição tem  impacto direto na vida das pessoas, em especial nesta época do ano, com menos chuva e umidade. “Seria uma época em que as pessoas sofreriam mais com doenças respiratórias, procurariam mais os hospitais, principalmente crianças e idosos. Níveis mais baixos com certeza contribuem para que essas pessoas sofram menos. Além disso, as concentrações mais baixas ajudam a prevenir doenças cardiovasculares”, explica.

A diferença entre gases poluentes

Assim como o dióxido de nitrogênio, o monóxido de carbono é emitido pela queima de combustível de veículos automotores. O primeiro, entretanto, é considerado mais prejudicial porque tem concentração maior na atmosfera. Enquanto o dióxido de nitrogênio é emitido especialmente por veículos pesados, movidos a diesel, o monóxido de carbono tem como fonte maior os veículos leves, de passeio.

Ar mais puro

Os dados compilados pelo gerente Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC) indicam uma redução significativa do dióxido de nitrogênio. O estudo comparou os níveis de poluição de 2019 e 2020, no período entre 20 de março e 8 de abril. Veja como as manchas em vermelho diminuem de tamanho:

São Paulo, 2019


São Paulo, 2020


Brasília, 2019 


Brasília, 2020
Fotos: Agência Espacial Europeia 

Com informações do Correio Brasiliense

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