Hospital esclarece dificuldade financeira e situação dos médicos
A comunidade pomerodense tem conhecimento das crises financeiras enfrentadas pelo Hospital e Maternidade Rio do Testo nos últimos tempos. O que não se sabia é a origem desta problemática.
A comunidade pomerodense tem conhecimento das crises financeiras enfrentadas pelo Hospital e Maternidade Rio do Testo nos últimos tempos. O que não se sabia é a origem desta problemática.
O SUS (Sistema Único de Saúde), que foi criado com a finalidade de alterar a situação de desigualdade na assistência à saúde da população, tornando obrigatório o atendimento público a todos os cidadãos, cumpre de forma falha com as suas obrigações, não destinando aos hospitais o valor que deveria, para cobrir custos com atendimentos e procedimentos médicos.
O SUS deveria ser destinado a todos os cidadãos e ser financiado com recursos arrecadados através de impostos e contribuições sociais pagos pela população e compõem os recursos do governo federal, estadual e municipal, sendo que estes valores em muitos casos, não são repassados as instituições de saúde, resultando em rombos consideráveis no caixa das mesmas.
Através de um controle denominado “ficha verde”, o SUS delimita certo número de atendimentos e procedimentos e quando estes são ultrapassados, o custo integral dos mesmos é responsabilidade total do hospital, que por sua vez não deixa de prestar atendimento.
Somente em março deste ano, o Hospital e Maternidade Rio do Testo, arcou com o custo de R$ 41.005,23 em atendimentos e procedimentos médicos, ficha verde(SUS). Destes, foram repassados a instituição, apenas R$ 10.625,60. O déficit de R$ 30.379,63 do Hospital, que em um ano chega a cifra de quase R$ 400 mil, é amenizado através do lucro obtido com as internações particulares e dos convênios. Quando o valor arrecado não é suficiente, o hospital se vê obrigado a recorrer as subvenções sociais da Prefeitura de Pomerode.
Sobre a polêmica do acordo firmado entre a instituição e a Secretaria de Saúde, a direção esclarece que pelo antigo convênio a Prefeitura pagava ao Hospital e Maternidade Rio do Testo, responsável pelo plantão, o valor de R$ 23,76, sendo que deste montante, 20% do valor era destinado as despesas do hospital e 80% para os médicos. Atualmente, após a parceria estabelecida com a Secretaria de Saúde, o Executivo local está pagando aos médicos R$ 32,00 por hora trabalhada no plantão, sendo que a categoria não mais recebe o pró-labore dos convênios, o que tem causado um grande descontentamento aos médicos prestadores de serviço ao hospital. A Prefeitura está pagando mais e os médicos por sua vez, estão ganhando menos pois não recebem o pró-labore pago pelo SUS e convênios privados, valor este hoje destinado para a cobertura da medicação e custos dos serviços de enfermagem.
O Hospital não está efetuando cirurgias por não possuir médicos anestesistas, como já informado anteriormente pelo Jornal de Pomerode. Segundo a Direção do hospital, os anestesistas que prestam serviço à instituição, são terceirizados. Os municípios da região trabalham com o sistema de sobreaviso, sendo muito mais rentável aos profissionais, atuarem nas outras cidades do que em Pomerode. A Direção em parceria com a Secretaria de Saúde está tentando reverter esta situação e contratar efetivamente profissionais desta área, que venham morar na cidade e posteriormente negociar a possibilidade do sobreaviso também aqui em Pomerode.
Mesmo com todas as dificuldades acima relatadas, os pacientes internados pelo SUS e os que são internados por convênios ou particular, recebem o mesmo tratamento, sendo inclusive dispensada aos enfermos à mesma alimentação, de acordo com os casos e a prescrição efetuada pelas nutricionistas.
A situação financeira do Hospital e Maternidade Rio do Testo, segue sendo crítica e não recebendo mais subvenções por parte da Prefeitura, a instituição tende ao fechamento. “Para nós é fundamental o apoio da Secretaria de Saúde e Prefeitura Municipal de Pomerode, para o bem estar do Cidadão Pomerodense”, declarou o diretor do hospital, Valmor Kamchen.