Geral

Grávida aos 16, e agora?

Eu engravidei quando tinha 16 anos, a minha filha nasceu quando eu estava com 17.

4 de julho de 2009

Nós, equipe de jornalistas do Canal Teen, composta por Andresa Luedtke, Andrey Lenon da Veiga, Daniela Karoline Klabunde e William Gustmann, ex-alunos do projeto JP Escola, desenvolvido pelo Jornal de Pomerode em parceria com a Secretaria de Educação do município, iremos, mensalmente, participar da elaboração de uma matéria polêmica, destinada aos adolescentes. Como primeiro tema, optamos em falar sobre um assunto que nos desperta, entre outros sentimentos, medo e preocupação: gravidez na adolescência. 
Feita por nós, voltada para pessoas como nós, que muitas vezes, sentem-se excluídas do processo comunicacional, já que somos deixados em segundo plano, não nos enquadrando nem no conteúdo voltado às crianças e nem nas editorias destinadas aos adultos. Assim sendo, caros amigos leitores, esperamos que vocês gostem do nosso trabalho e que participem nos enviando comentários através do e-mail canalteen@terra.com.br.

Grávida aos 16, e agora?

Eu engravidei quando tinha 16 anos, a minha filha nasceu quando eu estava com 17. Estudava no 2° ano do Ensino Médio. Morava em uma cidade e minhas aulas eram em outra”. Foi assim que nossa entrevistada, uma jovem de 23 anos, mãe de uma menina de seis anos, iniciou o relato de parte de sua história de vida, contando a nós como foi descobrir, ainda adolescente, que seria mãe. Poderíamos ter escolhido alguém que recentemente tivesse tido um bebê ou que estivesse grávida, porém, optamos em mostrar os três lados de nossa história, o antes, o durante e o depois.
Nossa entrevistada nos contou que, mesmo grávida, todo dia tinha que pegar o ônibus para ir a outra cidade estudar. Ela estudou até a última semana de gestação, pois sua filha nasceu em julho, coincidindo com as férias do meio de ano. Parou de estudar duas semanas antes das férias, depois que sua filha nasceu, retornou à escola. “Ela nasceu num sábado de manhã e dois dias antes eu ainda frequentava a escola. Não poderia parar meus estudos, senão perderia o ano e prejudicaria meu futuro”, contou.
Como tudo aconteceu
Sentados à mesa, na sala de redação do Jornal de Pomerode, escutávamos atentos o relato de nossa entrevistada, quando, de repente, as lágrimas correram por seu rosto, nos deixando totalmente perplexos, estáticos, sem reação alguma. Neste momento de grande emoção, as profissionais da área de redação e criação, que nos auxiliam no projeto, explicaram-nos que é normal que isso aconteça, e que cabe ao jornalista saber lidar com situações como estas. “Muitas vezes temos que segurar o riso, a raiva, a alegria e as lágrimas. Toda matéria é uma história e assim sendo, é contada por alguém. As pessoas não são máquinas, e muitas vezes, ao fazerem seus relatos, acabam se emocionando. Temos que separar o nosso lado pessoal do profissional, mesmo que isso não seja uma tarefa fácil”, explicaram.
Após uma pausa para um copo de água, nossa entrevistada, que aqui iremos chamar de Ana para preservar sua identidade, continuou seu depoimento. “Foi assim, eu era muito novinha. Existe aquela coisa de primeiro namorado, primeira paixão, ainda era ingênua, sem muito conhecimento, então me apaixonei. Era meu primeiro namorado, um cara mais velho se não me engano na época, ele tinha 20 anos e eu 15. Comecei a namorar com ele, que não estudava comigo, porque já era formado, mais vivia com os amigos da nossa turma. Ele chegou a frequentar a minha casa e sair com minha família. Tive a minha primeira relação, mas não tive um diálogo aberto com a minha mãe, me deixei levar por uma história qualquer, então me vi com 16 anos e grávida”.
Ana relatou que para ela ele era um príncipe encantado, um cara lindo e maravilhoso.  Ele a levava para todos os lugares, proporcionando uma autonomia que não se tem nessa idade. Os pais de Ana impunham limites para que ela pudesse sair, então chegou um cara, que já tinha um carro e que sabe dirigir. Não foi por interesse, mas ela acabou idealizando um mundo diferente do que estava acostumada. Um mundo de princesa, com um cara bonito, que metade das meninas que ela conhecia eram apaixonadas, que lhe dava tudo, pois trabalhava.
“Querendo ou não, talvez eu não tenha me apaixonado por ele, mas por tudo aquilo que ele me proporcionou. Ele me dava carinho, não via defeitos nele, pois ainda não tinha maturidade suficiente para poder distinguir o que eu queria e o que não queria. Então, para mim, ele era perfeito, não tinha defeitos e me levava a fazer o que ele queria, a acreditar no que ele acreditava”, disse Ana.
A primeira vez
Ana conta que quando começaram a transar, o casal era muito apaixonado. No início, não chegaram a ter muitas relações e em poucos meses, ela engravidou. Por serem jovens, não podiam passar todos os finais de semana juntos. “Como eu não tinha experiênciaachei que ele estava usando preservativo, pois é difícil perceber se o menino está se prevenindo quando não se tem experiência. Ele dizia que estava usando camisinha, mas como eu estava muito nervosa, não percebia se era verdade ou não. Depois, com mais experiência, já se começa a perceber, vai se envolvendo, começa a sentir, a perceber se o cara está usando ou não. Nas primeiras relações acabamos não percebendo pelo nervosismo, no caso, nem sentimos prazer. Pelos cálculos dos meses, aconteceu de eu engravidar nas primeiras relações que tivemos. Quando eu percebi que alguma coisa estava errada, tinha vontade de terminar tudo, mas não é bem assim, eu estava nervosa, precisando de alguém do meu lado”.
Ana relata que contar para os seus pais foi um horror, tanto é que eles ficaram sabendo quando ela estava grávida de três meses, logo quando ela mesma descobriu.  Ela começou a desconfiar quando a menstruação atrasou e ela começou a sentir alguns enjoos. Foi quando decidiu fazer um exame de farmácia. “Quando abri aquilo, não acreditei. Uma coisa é você querer, e outra, é nunca ter pensado nisso. Não tinha noção de como é que eu fiquei grávida, não tinha motivo para eu estar grávida. Isso não estava certo para mim. Só cai a ficha quando você está com o bebê no colo, até então parece que está brincando de boneca.”
Seu namorado na época, a levou ao médico, pois também já desconfiava que ela estivesse grávida. Na primeira vez que Ana foi a um ginecologista, descobriu que estava grávida. Na primeira consulta, a médica preferiu falar com ela sozinha, depois sua mãe acompanhou as outras consultas. Só daí começou a se desenrolar todo o pré-natal.
E agora? Chegou a hora de contar aos pais
 “Nós estávamos enrolando uma semana para contar aos meus pais sobre a gravidez, não sabíamos como chegar e contar assim, sem mais nem menos. Depois que contamos, tivemos que lidar com a reação deles. Imagina, seu pai e sua mãe, não vão querer uma filha de 16 anos que esteja grávida”. Conforme Ana, a emoção pior foi ter que contar para os pais.
Após contar, ninguém percebia que ela estava grávida, até o quinto, sexto mês. Tanto é que no quarto ao quinto mês, ela ainda foi para praia, usava biquíni e não dava para ter certeza que ela estava esperando um bebê. A barriga foi surgindo a partir do sexto mês.
O príncipe virou um sapo
Ana disse que seu ex-namorado demonstrou que havia gostado da ideia, até chegou a fazer planos, queria que ela fosse morar com ele, pois na época ele já morava sozinho, já era uma pessoa bem independente, mas por temer as dificuldades que poderiam surgir, ela não aceitou.
“Ele gostou da ideia, até por ser mais velho. Para um homem mais velho, o choque não é tão grande, porém, quando se é uma menina de 16 anos, a situação é bem diferente. A gente teve diversas brigas, ele era extremamente possessivo. Ele pensava que me engravidando, eu iria morar com ele, e assim eu ficaria perto. Ele era uma pessoa muito ciumenta. Se não fosse por isso ele teria se cuidado”, explicou.
Os pais dele já sabiam da gravidez de Ana, pois era mais fácil contar a eles do que a seus pais. O casal viajou e na volta pararam na casa dele, aguardando a chegada dos pais de Ana, que iriam buscá-la. “Não sabíamos como contar, então ele deu a notícia. A primeira reação foi horrível. Meu Deus, meu pai e minha mãe explodiram. Só deu tempo de contar e já foram me puxando pelo braço, me tirando dali, começando a falar um monte de palavras que nunca vou esquecer. Quando eu cheguei em casa,  meus avós estavam lá.  Meu avô era coronel, um alemão alto e todos sempre o tiveram como o exemplo da família. Todos tiveram uma educação muito rígida. Meus pais chegaram a contar a notícia da gravidez quando todos estavam em casa”.
Um dos piores momentos para Ana foi quando seu avô a olhou nos olhos e disse que estava muito decepcionado. Todos começaram a colocar a cabeça em ordem, mas isso demorou pelo menos duas semanas, até começarem a entender o que estava acontecendo.
Amor de pai e mãe, amor incondicional
Em compensação, Ana relata que ao passar o susto, sua mãe começou a lhe acompanhar ao médico. Diz que foi neste momento que ela percebeu que nada é comparado ao amor de uma mãe e de um pai. “Todas as palavras que eles me disseram, toda a decepção que eles sentiram, não se comparam ao amor que eles me deram no momento mais difícil da minha vida, quando eu mais precisei”. 
Grávida e “sozinha”! O que poderia ser pior?
Do terceiro ao sexto mês era só confusão, pois Ana conta que seu namorado só incomodava, brigava com seus pais. Nessa época, o seu pai começou a trabalhar em Rio do Campo, não estava mais em casa durante a semana, só sua mãe estava presente. Ele, ex-namorado, tornou a vida de Ana um inferno, ficava insistido que ela fosse morar com ele. 
Os meses que se estenderam as brigas eram cada vez mais frequentes, foi quando finalmente ele percebeu que o melhor seria se afastar, já que Ana não iria morar com ele. “Do sexto ao sétimo mês, ele não ligava, não dava notícias e nem ajudou financeiramente. Meus pais pagaram tudo, na época, eu tinha plano de saúde, mas nem tudo cobria. Meu ex-namorado ficou sem dar notícias cerca de um mês, ainda bem, pois eu já não aguentava mais.
Descobrindo o sexo do bebê, descobrindo os verdadeiros amigos
A vida de Ana era uma mistura de fortes emoções. Ela não sabia nem ao menos o sexo do bebê, fez vários ultrassom, sem resultado. Com quatro ou cinco meses já é normal saber se é menino ou menina, então voltou a fazer ultrassom, mas mesmo assim, não conseguiu descobrir, pois ela estava com a perninha cruzada. Ana só ficou sabendo que seria mãe de uma menina com sete meses de gestação.
Foi nessa época em que Ana descobriu também quem eram os seus verdadeiros amigos. Após seu namorado desaparecer é que estes amigos vieram dizer que ele não prestava, que era um galinha. “Para mim ele era um príncipe, que todo mundo via como um ‘galinha’, uma pessoa em que nos finais de semana, quando não saía comigo, saía com outras meninas. As coisas que os meus amigos não falavam antes, me cotaram depois. Se alguém tivesse falado algo antes, talvez não tivesse acontecido o que aconteceu”.
Vítima de preconceito
Questionamos se Ana havia sido vítima de preconceito e ela contou que sim, em muitos momentos. “Lembro de uma vez em que eu ia estudar na casa de uma amiga e a mãe dela não aceitou que eu fosse lá, pois acreditava que eu não era companhia para sua filha. Agora, se a filha dela tivesse aberto os meus olhos antes, talvez eu não estivesse passado por essa situação. Ter amigos é muito bom, porém quando estive grávida, foi uma das coisas que mais me faltou e umas das coisas que demorei a superar”.
Próximo ao momento do parto
Ana disse que faltando dois mêses para sua filha nascer foi quando seu namorado ligou pela última vez pra saber se estava tudo bem. Depois disso, ele nunca mais ligou, nunca mais a procurou, deixando uma única vez um recado em seu Orkut. A família dele também nunca mais a procurou. 
“Eu fiquei grávida até a 42ª semana e não tive dilatação. Não sentia nada, cheguei a ir até o último dia para a aula, só tive no início da gravidez um pouco de enjoos, comia de tudo, não tive nenhuma complicação. Tive consulta na sexta-feira, e minha médica disse que não dava mais para aguardar o parto e desde o início ela disse que não iria fazer parto normal, porque eu era muito nova e não tinha uma estrutura formada para ter um filho. Seguramos até quando podíamos, pois assim o neném fica mais formado, tanto é que ela nasceu com quase quatro quilos, para uma menina, é muito grande, ela nasceu com 51 centímetros, nasceu grandona”.
Ana conta que não chegou a ficar ansiosa com a chegada da neném, pois tinha um apoio muito grande dos pais. “Minha filha acabou tendo muitos pais. Tinha o meu pai, que era pai e avô. Tinha a minha avó, que fazia tudo o que eu tinha vontade de comer, se preocupa muito comigo, e moramos por um período com ela. Tinha a minha mãe, que dava todo o apoio emocional, me levava ao médico. Também tinha a minha tia, que hoje é madrinha dela, que foi sensacional, todos deram o suporte necessário, mesmo não pedindo.”
No dia do nascimento, Ana conta que seu irmão a acompanhou no parto. Questionamos a ela, como foi retomar a vida normal, sair com amigos e ir às baladas. Ela nos respondeu que quando começou novamente a ir para a balada, sua filha já tinha uns seis ou sete meses. “Lembro que tinha uma festa de um amigo, era o aniversário dele, e levei minha filha junto, ela tinha quatro ou cinco meses. Teve outra vez que a levei junto, era um churrasquinho na casa de um amigo. Quando eu fui para a balada, já não amamentava mais, ai foi que voltei a fazer parte do círculo de amigos. No início, parece que você é uma estranha, enquanto eles todos estão naquele clima de fazer festa, você não está. Quando ela nasceu os meus amigos chegaram a ir me visitar, veio bastante gente, ai voltei a ter amizades antigas. Mudando de escola você perde esse ciclo de amigos, criando uma nova turma. Foi quando retomei amizades da quarta série, amigos que estudaram comigo até a oitava série, que são as minhas amigas hoje ainda. Foi com elas que voltei a sair, voltei a ter aquelas amizades antigas, que não se incomodavam se eu tinha filhos ou não, que me conheciam antes de tudo isso acontecer. Era uma amizade mais sadia, voltei a ter aquela confiança que só se tem em amigos de verdade. Quando comecei a trabalhar, minha filha já tinha um ano”.
Ana também contou que no primeiro ano só estudou. Quando ela queria comprar algo para sua filha, seus pais davam o suporte. “Não que eu tivesse tudo, tinha coisa que queria comprar e dar para minha filha e não pude comprar, até porque não era dinheiro meu e sim deles. Tinha muita coisa bonita que gostaria de ter dado, mas eu não gostava de pedir, porque eles já estavam pagando tudo. Até eu me formar no terceiro ano, eu não trabalhei, meus pais deram tudo o que era necessário. Quando comecei a trabalhar, também iniciei a faculdade, foi uma época difícil, porque eu estava com ela o dia inteiro, estudava de manhã e passava o resto do dia com ela. Então comecei a passar o dia inteiro longe dela, só a via à noite, e foi outra fase complicada.”
Ana conta que o pai de sua filha nem a registrou, e que em momento algum contribuiu financeiramente com as despesas da menina.
O início do futuro
Quando Ana conheceu seu noivo, com quem ela está junto até hoje, sua filha tinha dois anos.  Ana diz que a relação dos dois é mágica, que “rolou” uma química desde o primeiro momento, quando eles se viram pela primeira vez. “São amigos, se respeitam e não sentem ciúmes pelo fato de que eu tenho que me dividir em duas, para poder dar atenção a ambos, da mesma forma. Meu noivo sempre me ajudou a cuidar dela e sei que ela reconhece a importância dele em sua vida. Se eu pudesse escolher um pai para minha filha com certeza escolheria ele”.
Finalizando a entrevista, questionamos se sua filha não manifestou ainda interesse em querer conhecer seu verdadeiro pai. Respondendo a pergunta, ela disse que agora é que ela está pensando, pois a figura de pai que ela tem é do avô, tanto que ela sempre o chamou de pai.
“Agora que fui morar com meu atual noivo, percebo que ela sente falta das pessoas que convivia antes, também sente muita falta da minha mãe, porque sempre quando eu saía era ela que cuidava dela, agora eu tenho que dividir a guarda com eles, pois eles sentem muitas saudades dela”, finalizou.
Tirando uma conclusão de tudo isso, Ana diz que foi muito difícil no começo, principalmente, passar por tanto preconceito. O mais importante que ela percebeu foi a importância dos pais em sua vida e de toda a sua família.

Esclarecendo algumas dúvidas…

Nsexta-feira (12/06), quando estávamos reunidos na redação conversando sobre as perguntas que faríamos na enquete, nos dividimos em duplas, aprendemos como utilizar as máquinas fotográficas, pegamos os nossos blocos de anotações, deixamos a vergonha de lado e saímos em busca de nossos entrevistados.
No Centro de Pomerode, dois de nós entrevistaram os pais de adolescentes para que soubéssemos como os mesmos falam sobre sexo com seus filhos. A outra parte do grupo fez entrevista com os adolescentes, perguntado como eles falam sobre sexo com os seus pais.
Passando pela farmácia Farmalan, tivemos a ideia de perguntar como é a comercialização de camisinhas, pílula do dia seguinte e dos anticoncepcionais. A atendente da farmácia, Camila, nos esclareceu algumas dúvidas. “A compra da camisinha é feita normalmente por jovens de 14 a 20 anos. A camisinha feminina não é utilizada pelas jovens. A pílula do dia seguinte é comprada geralmente por rapazes. A maioria dos anticoncepcionais é comprado pelas mães e pelas adolescentes, geralmente com receita médica. Já o teste de gravidez não é muito procurado pelas jovens, normalmente é feito em laboratório”, afirma a atendente Camila.
Para saber mais sobre os testes de gravidez fomos ao laboratório Sandrini e falamos com Técnicas de Enfermagem, Celina Raduenz e Juliana Lima. “As das adolescentes fazem o teste de gravidez, sem o acompanhamento dos pais ou do namorado, vindo depois da aula, acompanhadas por amigas. As meninas não se preocupam em fazer exames que detectem doenças sexualmente transmissíveis. Algumas meninas pedem para que seus nomes sejam omitidos, para não terem suas identidades descobertas”, afirmam.
Ficamos espantados com o fato de que muitos jovens temem somente uma gravidez indesejada, não se preocupando com a possibilidade de que a ausência de proteção possa acabar fazendo com que uma doença sexualmente transmissível seja adquirida.
Lição do dia: Aprendemos com a entrevista que a realidade é cruel e que infelizmente, aqui mesmo em Pomerode, grande parte dos jovens não está ligado nos perigos que o sexo irresponsável pode gerar.

Conversando com quem está por dentro do assunto

Decidimos, em equipe, que cada tema que escolhêssemos para fazer uma matéria, iríamos, primeiramente, conversar com um profissional da área em questão. Assim sendo, como o primeiro tema abordado foi gravidez na adolescência, decidimos então convidar o Dr. Hamilton Petito, ex-secretário de saúde e atual vereador do município, pois ele é bastante experiente e formado há vários anos. Em casa, elaboramos perguntas baseadas nas curiosidades e dúvidas que tínhamos sobre o assunto.
Chegamos meia hora antes do combinado com o nosso entrevistado na redação do Jornal de Pomerode. Nesse tempo, trocamos ideias sobre como teríamos que nos comportar diante de sua presença. Estávamos muito ansiosos com a sua chegada e curiosos para recebê-lo. Dr. Petito começou a entrevista apresentando um resumo do assunto, muito entusiasmado.
Primeiramente, Dr. Petito nos falou que já tínhamos idade suficiente para termos conhecimentos sobre o básico que envolve as relações sexuais e as consequências da falta de cuidados para evitar, entre outras coisas, as doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez indesejada.
Iniciamos nossa entrevista um pouco inseguros. Ainda tímidos perguntamos:

Canal Teen: O que mudou da sua época em relação aos dias de hoje no que diz respeito ao sexo e a gravidez na adolescência?
Dr. Petito: Atualmente, a gravidez na adolescência é mais um problema social do que um problema físico. Se vocês pudessem voltar no tempo dariam risadas quando eu tinha a idade de vocês. Nós não tínhamos a oportunidade de ir a um motel as moças faziam questão de casar virgens. Talvez, a mudança de hábito tenha ocorrido. Os costumes mudaram e antigamente não tínhamos muitas adolescentes grávidas. Éramos homens e mulheres como os que existem hoje. Também tínhamos vontade de ficar mais próximos das pessoas que gostávamos, mas o “ficar” não existia. As mulheres se preservavam e a virgindade era de extrema importância. Os costumes foram mudando e, evidentemente, às portas foram se abrindo. Se olharmos para o passado, há 20 anos tudo era muito diferente. Atualmente, a sociedade é mais aberta, e as pessoas passaram a analisar com outros olhos certos costumes. Os pais, por exemplo, passaram a ceder. Antes, os filhos não beijavam na boca do namorado ou namorada na frente dos pais, pois era muito desagradável, tinha um lugar para cada coisa, geralmente os beijos aconteciam no cinema. Com toda esta dificuldade, obstáculos eram colocados para que os adolescentes não ficassem sozinhos. Era muito mais difícil uma adolescente engravidar. Hoje não, as pessoas conhecem umas às outras na balada e já acabam transando.

Canal Teen: Você tem filhos? Como foi ou é a experiência de ser pai de adolescentes?
Dr. Petito: Eu tenho um filho de 39 anos e tenho uma filha de 15. Entendo perfeitamente a diferença das épocas anteriores a esta, e me preocupo muito com isso. Começo a achar que ter filhos atualmente é desagradável, pois se o pai chama a atenção é considerado careta. Pensam que aqueles que têm relações sexuais são diferentes dos que são virgens, o que não é verdade. Quando o jovem tem confiança no que ele quer realmente, depois de um tempo, ele se sente superior aos outros, principalmente ás mulheres, pois em matéria de sexo, quem tem que se cuidar, principalmente, são as meninas, já que são elas que carregam o bebê e toda a responsabilidade da gestação. Os meninos acabam tendo certas atitudes mais por instinto do que qualquer outra coisa.

Canal Teen: Você já fez parto de mulheres virgens? Ou seja, mulheres que engravidaram sem a penetração, apenas pelo contato do pênis com a vagina?
Dr. Petito: Eu fiz vários partos de mulheres virgens. Naquela época, a virgindade era uma coisa importante, então, as mulheres trocavam carinhos e o homem alcançava o orgasmo e elas engravidam sem a penetração, só encostando a parte úmida.

Canal Teen: É possível cuidar de um bebê e estudar ao mesmo tempo?
Dr. Petito: Muito difícil, pois na idade de vocês uma gestação faz com que vocês tenham que abandonar a escola, pois um bebê deve ser amamentado de três em três horas.  Muda muito a vida social, as meninas acabam ficando estressadas e acabam tendo um sentimento de culpa, pois fizeram algo de errado, que a sociedade não aceita.

Canal Teen: Numa gravidez precoce, quais são os riscos que a adolescente está submetida?
Dr. Petito: Principalmente problemas psíquicos e físicos. Os problemas psicológicos acontecem muito, há casos em que adolescentes grávidas se matam por problemas depressivos e outros que surgem. Vocês adolescentes estão numa fase de identificação, estão saindo da fase de criança para serem adultos e nessa transição, procuram identidade própria. Neste período, vocês estão tentando se auto-conhecer, e por isso, os jovens acham que os pais não são mais úteis e que falam besteira, mas os jovens estão procurando identidade e nesta procura, principalmente as mulheres, sofrem de ansiedade e de depressões, acabam tendo a autoestima abalada. Então, se a mulher tiver uma baixa alto-estima e estiver grávida e os pais não oferecerem apoio necessário, conforto e compreensão, ela pode entrar numa fase de depressão profunda.

Canal Teen: Durante o parto de uma adolescente, quais são as complicações que podem ocorrer?
Dr. Petito: A gravidez na adolescência justifica o índice de mortalidade das crianças e são maiores ás complicações do parto. O amor que você tem naquele momento de prazer, aqueles dois minutos, pode causar um transtorno para o resto de sua vida, não tenha dúvida disso.

Canal Teen: Quais são os métodos de prevenção contra uma gravidez?
Dr. Petito: O melhor método de prevenção na adolescência é a camisinha, pois os anticoncepcionais não funcionam bem. Então, a garantia para não engravidar tomando anticoncepcional na adolescência é muito pequena. Se uma adolescente começar a tomar anticoncepcional, o corpo às vezes pode mudar, pois o anticoncepcional é hormônio. Assim, evidentemente, você pode mudar o tamanho da mama, pode haver pêlos ao redor da mama, quando há uma gestação a mulher escurece em alguns pontos, por exemplo, a linha que vai do umbigo até a vulva fica mais escura e nascem alguns pelos que acabam caindo, elas ganham bigodinho, o ciclo menstrual acaba atrapalhando por causa da tabelinha. Existe também a camisinha feminina, ela é toda desajeitada, são poucas as mulheres que conseguem se adaptar a ela, que é enrolada e inserida na vagina e fica um negócio enorme para fora. É como um saco plástico e o ato sexual se consuma dentro dela. A camisinha feminina é mais eficaz que o anticoncepcional via oral.

Canal Teen: O que é a tabelinha?
Dr. Petito: A tabelinha funciona quando o ciclo menstrual da mulher é regulado, como por exemplo, em 30 dias a ovulação dela  ocorre 14 dias antes da próxima menstruação. Daqui um mês, se a mulher é regulada, como suposição, ela pode me dizer que dia 20 ela voltará a menstruar. 20 menos 14 dias, são seis dias. Naquele dia eu sei que ela pode engravidar e eu respeito dois ou três dias antes e depois pois o espermatozóide fica dentro dela e ele pode ficar dois dias vivo, esperando o óvulo. Respeitando os dias ela pode ter relação que não engravidara. Uma adolescente nem sempre é regulada e é difícil ter uma menstruação normalizada. Na maioria das meninas, a menstruação acaba vindo várias vezes em um mês, depois fica um mês sem menstruar, depois de dois meses vem pouco, então a tabelinha não serve. Também, como o anticoncepcional não funciona bem, acumula muito hormônio num corpo que ainda está se desenvolvendo.

Canal Teen: Qual é a importância da camisinha?
Dr. Petito: A camisinha não é só para evitar a gravidez. Mesmo que os dois não tenham AIDS, existem outras doenças como a hepatite B e a hepatite C que são transmitidas pelas secreções resultantes do ato sexual. Trocar saliva não é muito legal com quem você não conhece, pois você não pode usar camisinha na língua, mas na troca de saliva pode se pegar hepatite B e a hepatite C. A hepatite B fica para o resto da vida causando ou não causando mal à saúde. Já a hepatite C, pode levar ao câncer do fígado. Então, as doenças sexualmente transmissíveis, não se resumem na AIDS. Sendo assim, a camisinha é um método que poupa todas as situações, não só a gravidez, mas também o restante das doenças sexualmente transmissíveis.

Canal Teen: Em sua opinião, deveriam ser desenvolvidos mais projetos de prevenção como, por exemplo, na escola?
Dr. Petito: A maioria dos problemas brasileiros são como nós chamamos de pontuais, ou seja, o que nós estamos falando agora, daqui um ano, vocês, adolescentes, irão conversar o mesmo assunto com outra pessoa. As informações precisam ser classificadas todos os dias, pelo menos nas escolas, pois é lá que as pessoas têm que aprender e a ensinar, pois são os jovens que vão transmitir isso a outras pessoas. Isso deveria fazer parte sim, pois não pode ser uma coisa só de vez em quando, como uma palestra, uma campanha de jornal. Por exemplo, agora em veículos de comunicação regionais, estão fazendo uma campanha sobre o Crack, e depois que acabar a campanha, o que será do Crack? A mesma coisa é com o sexo, necessita de mais informações, então, deve ter campanha sim, principalmente, nas escolas.

Canal Teen: No Brasil, como estão as estatísticas em relação à gravidez na adolescência?
Dr. Petito: Há estatísticas do ano de 1998, que são as mais recentes, que dizem que 84% de mulheres grávidas são adolescentes. Por exemplo, cada 100 grávidas, 84 são adolescentes, entre 16 e 17 anos. 75 % a 95% das gestantes jovens, fazem o pré-natal e tem o acompanhamento médico, isso é uma boa porcentagem. Das adolescentes que tiveram acompanhamento médico, 68 % tiveram um parto normal. 56% dessas meninas que engravidaram não usaram algum método anticoncepcional, porque as adolescentes de 14 a 16 anos acham que não irão engravidar, pensam que quanto mais jovem a menina é, menor é a chance de engravidar, e isso é uma consequência da falta de informação. São vários os fatores que levam à falta de informação como, por exemplo, uma camada social mais pobre. As pessoas vivem em locais sujos, desapropriados, e não fazem questão de se orientar. As jovens não orientadas acabam engravidando, porque usam a camisinha em 28% das suas relações, e isso é um perigo! A menina acha que por ter relação sexual só de vez em quando, e não mantendo a regularidade do anticoncepcional, não irá engravidar. Porém, está errada, pois devemos manter a regularidade, tanto da camisinha, quanto no anticoncepcional.

Canal Teen: Caso a menina tenha uma relação e não se preveniu, o que pode ser feito para que um feto não se desenvolva?
Dr. Petito: Existem substâncias que são introduzidas na vagina logo após uma relação sexual, que matam 90% dos espermatozóides. Mas o que adianta matar 90% dos espermatozóides se é necessário somente um para engravidar? Outro método é a pílula do dia seguinte, que é um hormônio em dose alta que inibi a ovulação. E se ela usar uma vez ou outra não vai haver um risco muito grande para saúde, mas se isso virar um hábito, ela vai ter deformidades no seu corpo. Com a utilização excessiva da pílula, a mulher engorda, os seios crescem, ganham pelos, ela fica deformada, lógico que se tomar uma vez ou outra não irá ter essas consequências.

Canal Teen: O que é coito interrupto?
Dr. Petito: Coito interrupto é quando no ato da relação, o homem retira o pênis. Isso pode trazer uma neurose para ele, para quem está tendo uma relação sexual, que é um momento de verdadeiro prazer e de relaxamento e ele tem que ficar preocupado em tirar o pênis. Sem falar que é um louco quem tenta fazer isso, e se não funcionar?

Canal Teen: Qual é a reação dos pais quando descobrem que a filha está grávida?
Dr. Petito: Depende da formação que têm os pais, quando a filha chega em casa e diz que está grávida, têm pai que dá uma camaçada de pau na filha. Outros chamam de burra, de inconsequente, de estúpida, dizem que estragou a sua vida, têm outros que chegam a mandar sair de casa. Tem pais que ficam danados da vida, pois imagine só, uma moça que tem a idade de vocês, está estudando, se preparando para ter um futuro profissional e acaba engravidando. Daí, a moça precisa parar de estudar, alterando assim o seu futuro profissional. Também já vi pais, que falam: você fez uma tremenda burrada, mas nós vamos te ajudar no que for possível pois nesse momento, a moça precisa de apoio, já fez a bobagem, mas mesmo a família dando apoio ela esta com a vida dela estragada. Cuidar de criança necessita tempo, você tem que trocar a frauda, dar banho duas vezes por dia, ela chora de noite, chora de dia, toda hora tem que amamentar, vacinar. Mas tem de tudo, tem pai que bate de cinta, tem pai que não conversa mais com a filha, tem uma porção de comportamentos, depende do tipo de criação. Engravidou, não adianta tentar voltar no tempo. Errar errou, acertou no buraco, mas errou na conduta.

Canal Teen: A partir de quantos anos é aconselhável ter o primeiro filho?
Dr. Petito: A partir dos 19 ou 20 anos, quando o corpo está completamente desenvolvido. Na gravidez na adolescência ocorre o maior índice de baixo peso, trazendo alguns problemas, como o baixo peso da criança. Há uma desproporção entre a cabeça da criança e a bacia da adolescente, pois a cabeça da criança é igual à bacia da mulher com o corpo já formado, e as adolescentes não têm o corpo formado para isso, muito embora, as jovens de hoje, com cerca de 16 anos, já tenham formação de mulher. Alguns anos não era assim, nem no tamanho e nem na largura. Hoje há duas vezes e meio mais mortes de filhos de adolescentes do que de pessoas adultas, pois a bolsa das adolescentes rompe primeiro, então, o filho deve ser retirado, pois senão ocorre uma infecção grave para o bebê, e ele pode morrer. Com isso, ele fica com baixo peso e ganha problemas, tendo que ficar internado no hospital, com dificuldade respiratória.

Canal Teen: O parto de uma adolescente é normal?
Dr. Petito: Sim, ocorre naturalmente, a não ser se há uma desproporção, então é feito um ultrassom para observar se a cabeça do bebê é muito maior que a passagem da bacia da menina, nesses casos é feita uma cesariana. Quando ocorrem os problemas de retardamento mental, lesões cerebrais do bebê, durante a passagem do canal vaginal no parto, o médico deve acelerar o parto no momento em que a cabeça vem, pois se demorar muito, a cabeça fica apertada e o bebê fica com falta de ar, e a criança acaba nascendo com Paralisia Cerebral. As adolescentes morrem mais do que as mulheres adultas no momento do parto e após, pode surgir uma doença muito grave, que às vezes não há forma de tratamento. Essa doença é chamada de Coagulação Intra Vascular Disseminada, o sangue começa a coagular, tanto é que nós médicos não conseguimos fazer nada, e a moça acaba morrendo durante o parto. Não há nada o que fazer, pois é uma doença disseminada, é uma doença que nós não sabemos o surgimento dela. Acaba acontecendo três vezes mais na adolescência, durante o parto, do que na mulher adulta. A gravidez na adolescência também faz com que a jovem pare de crescer, se ela for de estatura baixa, ela acaba não crescendo mais.


Canal Teen: Como são feitos os partos normais?
Dr. Petito: No primeiro parto é feito um corte ao lado da vulva para facilitar a passagem do bebê, utilizando a anestesia geral para que a mãe não sinta nada. Ela não passa a perder a parte motora, mas perde a parte sensitiva, o chamado de alívio, depois de termos feito o corte ao redor da vulva, costuramos como era antes para que fique normal, sem problema algum. Do primeiro para o segundo parto, ela já tem uma elasticidade maior. Depois de ter feito o primeiro parto normal, o segundo parto em diante, a mãe acaba ficando mais tranquila, pois já passou por tudo aquilo, tendo uma elasticidade maior, sendo mais fácil.

Canal Teen: Há algum tratamento específico para a gravidez precoce?
Dr. Petito: Uma mulher que deseja ter uma gravidez, não vai ter distúrbio psicológico nenhum. Já em uma adolescente, ocasionou uma gravidez que não foi planejada, o que acontece na maioria das vezes. Os problemas psíquicos são maiores e há desproporção entre a cabeça do bebê e a bacia da adolescente. O médico fará com que o parto seja mais cuidadoso, pois sabe desses problemas, fará os exames pré-natais com mais cuidado, observará as alterações psíquicas, pois se não foi planejado e a moça está insegura, ela pode até se matar, chamamos isso de medicina de ideação suicida, que é pensar em se matar, e é mais comum na adolescente grávida do que em uma mulher adulta. Nós tratamos da mesma forma a mulher madura e a adolescente, a não ser se há alterações psíquicas ou outras.

Canal Teen: Muitas adolescentes pensam em abortar?
Dr. Petito: O problema do aborto é que não há nenhuma forma de aborto seguro. Há 30 anos, quando esses comprimidos não existiam, eu vi mulheres perderem suas vidas, elas usavam um objeto, a cureta, que é uma espécie de colher de cabo longo, que na ponta há uma colherinha que é extremamente afiada, elas introduziam isso dentro da mulher grávida e ficavam raspando para remover tudo o que existe dentro útero. Geralmente, as mulheres contraíam infecções, se não raspassem direito não conseguiam tirar tudo aquilo que havia, então, as mulheres que faziam aborto, furavam o útero da paciente, gerando as infecções. Isso é um aborto criminoso, que é proibido por lei, poucas pessoas ainda fazem isso. Existem mulheres que fazem isso com agulha de tricô, pois não tem aonde fazer, então introduzem no útero e ficam machucando até sangrar e perder o bebê.

Tabu ou jogo aberto?

Enquete – Como você fala sobre sexo com seus pais?

 

 

Fique ligado nas dicas e curiosidades!

* Gravidez na adolescência afasta jovens das salas de aula;
* Uma boa ideia é consultar o médico antes e depois de qualquer ato sexual;
* O maior índice de suicídio é de adolescentes grávidas;
* Previna-se de doenças sexualmente transmissíveis, usando preservativos que são encontrados nos postos de saúde e nas farmácias;
* De dez mulheres grávidas quatro são jovens de 16 a 17 anos;
* Os adolescentes devem ter um diálogo aberto com os pais;
* É bom ter cuidado e responsabilidade na hora
da relação, pois talvez não seja a hora certa e se acontecer cuidar com as consequências que com certeza vão aparecer;
* Na gravidez de uma adolescente, na maioria dos casos, os bebês nascem prematuros;
* Caso engravide, faça exames de sangue para detectar se tem algum tipo de doença como: sífilis, toxoplasmose, diabetes, AIDS, entre outras.

Rodrigo Medeiros – 16 anos – Estudante
“Tento sempre tocar no assunto. Falo mais com o meu pai, pois os rapazes normalmente conseguem ter um diálogo mais aberto com os pais. O meu pai sempre tenta dialogar comigo da forma mais aberta possível, falando principalmente sobre as doenças sexualmente transmissíveis.”

Elisandra – 12 anos – Estudante
“Não costumo falar muito sobre sexo com meus pais, mas quando tenho alguma dúvida em especial pergunto à minha mãe. Tem alguns assuntos que fico com vergonha de falar com eles”.

Jéssica Harmel – 12 anos – Estudante
“Geralmente pergunto para minha mãe, pois não tenho vergonha de perguntar para ela dúvidas sobre sexo. Temos um diálogo bastante aberto. Aprendo muita coisa na escola também, pois os professores falam muito sobre o assunto com os alunos hoje em dia.”

Selone – 16 anos – Estudante
“Não tenho o costume de falar sobre sexo com os meus pais, pois tenho um pouco de vergonha. Quando tenho alguma dúvida falo, mais com os meus amigos, pois nos entendemos, falamos na mesma linguagem e acabamos tendo as mesmas dúvidas e curiosidades.”

Jéssica da Cruz – 12 anos – Estudante
“Pergunto com mais frequência para minha mãe, mas tenho um pouco de vergonha para falar sobre isso. Acho muito importante que tenhamos com quem falar sobre sexo, seja com os pais, com os amigos ou na escola, com nossos professores. Quanto mais soubermos, menos riscos corremos de fazer uma besteira”.

Diálogo ou vergonha?

Enquete – Você fala abertamente de sexo com seus filhos?

Silvio Schroeder – 45 anos – comerciário.
“Quando meu filho era adolescente, eu falava com ele sobre sexo abertamente. Hoje, meu filho já é casado e acredito que eu tenha desempenhado corretamente o meu papel de pai, já que ele nunca me deu trabalho”.

Adolfo Dorn – 55 anos – Auxiliar de produção
“Não falo abertamente. Tenho um pouco de vergonha e receio de falar sobre sexo”.

Iveti Vier – 50 anos – professora.
“Falo pouco sobre sexo com eles. Acredito que quando o assunto sexo é abordado na escola, pelos professores, o resultado seja maior, já que não existe vergonha por parte dos pais e dos filhos”.

Emilio da Cruz – 35 anos – pedreiro.
“Não falo abertamente, por não terem a idade adequada para que o assunto seja discutido abertamente. Para mim, a idade certa para falar sobre sexo, é a partir dos 15 anos, quando os jovens já têm maturidade suficiente.”

Rosana Raduenz- 41 anos –merendeira.
“Tenho uma filha de 14 anos e sempre que possível falo abertamente com ela sobre o assunto”.
 

Notícias relacionadas