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Gerações tocadas

Em entrevista ao Jornal de Pomerode, professor fala sobre a evolução da música e explica qual a fórmula para o sucesso

9 de fevereiro de 2015

A música existe há muito tempo. Acredita-se que tenha surgido desde que o ser humano começou a se organizar em tribos primitivas pela África. Há mais de 50 mil anos, a música faz parte do cotidiano das pessoas. Das grandes civilizações do mundo antigo, foram encontrados vestígios da existência de instrumentos musicais em diferentes formas de documentos. Os sumérios, que tiveram o auge de sua cultura na bacia mesopotâmia há milhares de anos antes de Cristo, utilizavam em sua liturgia, hinos e cantos salmodiados, influenciando as culturas babilônica, caldéia, e judaica, que mais tarde se instalaram naquela região.

Canções embalam nossas vidas. Marcam época, influenciam gerações. É a arte da precisão de combinar sons e silêncio e está por toda parte. A produção da música tem relação direta com a organização sociocultural e econômica local, bem como com as características climáticas e o acesso tecnológico. Possui também capacidade estética, sendo capaz de traduzir sentimentos, atitudes e valores culturais de uma nação.

Atualmente a música vai bem mais além de entretenimento ou medida de relaxamento. Ela pode trazer benefícios para a saúde, como alívio de dores, melhora da memória e estímulo a prática de atividade física. Pode também funcionar como um remédio para vários problemas. Isso acontece porque a música ativa o centro de prazer do cérebro, assim como o sexo e o chocolate, por exemplo. Ela libera dopamina e causa uma sensação de bem-estar e, por isso, tem sido usada por médicos, terapeutas e preparadores físicos como tratamento de diversos problemas, trazendo ótimos resultados.

É o uso de música e de seus elementos – som, ritmo, melodia e harmonia – para a reabilitação física, mental e social de indivíduos ou grupos. O musicoterapeuta pesquisa a relação do homem com os sons para criar métodos terapêuticos que visam restabelecer o equilíbrio físico, psicológico e social do indivíduo.

Músicas que marcaram épocas – O músico violonista e professor do Grupo Txai, Oscar da Silva, que interpreta estilos brasileiros e está conectado com o rock e o pop rock e ainda atua como diretor musical de uma dupla sertaneja catarinense, falou ao JP sobre a evolução da música nas últimas décadas e aquelas que marcaram época.

Jornal de Pomerode – Gostaria que fizesse um panorama do que fez mais sucesso nas últimas décadas.
Oscar da Silva – Começando a refletir a partir da década de 90, comercialmente, o que fez mais sucesso são as músicas ditas como populares, que tem grande exposição nas mídias e de fácil acesso a população em geral. Gêneros como sertanejo, pagode e funk, por exemplo, migraram de seu grupo de origem, atingindo uma grande parcela da população.


JP – Saberia dizer que elementos contribuem para que uma música faça mais sucesso?
O.S. – Música que utilizam de recursos como jargões e refrãos fortes e repetitivos.


JP – É possível que a música influencie comportamentos ou crie tendências?
O.S. – Com certeza, podemos notar na moda, no vocabulário, no corte de cabelo, na atitude principalmente dos adolescentes, de como isso é muito forte.


JP – Acredita que as últimas gerações tenham sido marcadas por influências musicais? Se sim, fale sobre elas.

O.S – Acredito que uma coisa reflete na outra e isso desde sempre. Podemos perceber que hoje tudo é muito rápido, piscou tem uma novidade, as informações são instantâneas mas nem sempre com conteúdos profundos. A música comercial também é assim. Hoje o fulano é o cara, amanhã ninguém lembra e as letras das músicas geralmente são bem pobres e vazias. Parece que tudo é feito pra curtir, pra esquecer, pra ligar um botãozinho off, poucas coisas fazem refletir, parar, questionar.


JP – Atualmente, o que os jovens e os mais velhos preferem em estilos musicais?
O.S. – Não querendo generalizar, mas o que é sucesso comercial hoje, é o funk, o pop e o sertanejo.


JP – Na sua opinião qual é a música mais lembrada até os dias de hoje? 
O.S – Essa pergunta é muito difícil de responder, pois têm varias. Para cada segmento tem uma, nacional e internacional. Por exemplo, no sertanejo com certeza o Menino da Porteira. Mas no Rock internacional talvez Hey Jude, e por aí vai.


JP – Quais foram as principais bandas que contribuíram para criar tendências?
O.S. – Essa pergunta nos dá um leque enorme de respostas. No rock The Beatles, foi uma grande influência, as novas cantoras da mpb tem a Marisa Monte, citando apenas alguns nomes fortes. Porém quando falamos de música comercial brasileira, Chitãozinho e Xororó, Zezé de Camargo e Luciano, são fortes referências para as novas duplas.


JP – Acredita que houve uma evolução na música?
O.S – Com certeza, hoje não é só a música de massa, veiculada em rádio/tv e grandes gravadoras que tem seu espaço, a internet democratizou isso. A música não vive somente de sucesso comercial em si. Temos outros apreciadores, pessoas que consomem o que pesquisam, que selecionam, que procuram outro tipo de som, um som que remeta a outras sensações, a outras viagens que não só a massificada. Na verdade a evolução foi no meio de comunicação.


JP – Você tem uma música favorita que a remeta a algum lugar?
O.S. – Sim, várias, mas uma que lembro sempre é Cryin’ de Joe Satriani, me lembra a Áustria.

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