Economia

Gasolina com mais etanol: nova mistura levanta dúvidas sobre impactos nos carros e no preço do combustível

Aumento do percentual de etanol de 30% para 32% é questionado pelo MPF, que aponta falta de estudos conclusivos; setor afirma que testes não identificaram prejuízos aos veículos e prevê redução da dependência de gasolina importada

1 de agosto de 2026

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A gasolina que chega aos postos poderá ter uma proporção maior de etanol, mas a mudança já provoca debate e levanta dúvidas entre motoristas: a nova mistura pode afetar o funcionamento dos veículos? E haverá impacto no preço do combustível?

Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%, conhecido como E32, divide opiniões. Enquanto o Ministério Público Federal (MPF) questiona a segurança da nova composição e pede a suspensão da medida, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que os testes realizados não identificaram impactos relevantes nos veículos.

Para o MPF, os estudos que embasaram a mudança não demonstraram, de forma conclusiva, os efeitos da gasolina com 32% de etanol sobre a durabilidade dos componentes, as emissões, a autonomia e a compatibilidade com os diferentes tipos de veículos da frota brasileira.

Por isso, o órgão ajuizou uma ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores.

MPF aponta possíveis riscos

Na ação, o Ministério Público Federal cita possíveis riscos de corrosão de peças, desgaste das bombas de combustível e falhas nos sistemas de injeção eletrônica.

Segundo o órgão, os possíveis impactos podem ser mais relevantes em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.

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Os procuradores também argumentam que os estudos utilizados foram elaborados para avaliar a mistura E30, com 30% de etanol, e não para validar especificamente a adoção permanente do E32.

Além disso, o MPF afirma que ainda faltam estudos sobre possíveis impactos ambientais indiretos e solicita a realização de uma perícia técnica independente.

Setor afirma que veículos não apresentaram prejuízos

A Unica, no entanto, defende que o aumento da participação do etanol na gasolina é positivo e pode fortalecer a segurança energética do Brasil, além de reduzir a necessidade de importação do combustível.

De acordo com a entidade, “não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32”.

A associação informa que a nova mistura foi avaliada em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia.

Os testes foram realizados em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024.

Segundo a Unica, mesmo os veículos mais antigos analisados não apresentaram impactos na partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com o uso da gasolina E32.

A entidade também afirma que não foram identificados impactos relevantes no desempenho, consumo, partida a frio ou funcionamento dos motores.

Mistura pode reduzir importações

Além das discussões sobre a segurança dos veículos, a mudança também pode gerar efeitos econômicos.

A estimativa da Unica é de que o Brasil deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano com o aumento da participação do etanol na mistura.

Segundo a entidade, a redução da dependência de gasolina importada pode ajudar a conter os preços dos combustíveis. A Unica afirma ainda que, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em cerca de R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses.

Com o impasse entre o MPF e o setor sucroenergético, a discussão sobre a gasolina com 32% de etanol envolve, agora, possíveis impactos nos veículos, a necessidade de novos estudos e os efeitos da medida no bolso dos consumidores.

Fonte: Agência Brasil

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