Fortes chuvas voltam a causar problemas
Pomerode mais uma vez sofre com fortes chuvas que assustam a população e deixam toda a cidade em alerta.
Há alguns dias, o transtorno com as chuvas voltou a preocupar Santa Catarina. Cidades como Mirim Doce, Jaraguá do Sul, Criciúma e Florianópolis registraram vítimas e muitos desabrigados e desalojados.
Até então, Pomerode só sofria a consequência dessas chuvas com o acesso interditado da Serra que liga o município a Jaraguá do Sul. As intensas chuvas na região fizeram com que houvesse uma danificação da manta asfáltica em sua superfície. Segundo o Deinfra, houve uma infiltração por baixo, criando crateras e uma queda de barreira. O barro que caiu sobre a via atingiu dois veículos que passavam no momento. A queda da barreira não feriu ninguém.
Contudo, desde a última sexta-feira, 28/01, bairros de Pomerode convivem diariamente com as fortes chuvas registradas na região, que afetam drasticamente os locais.
Na sexta-feira, as primeiras localidades atingidas foram, de acordo com a Defesa Civil, a região de Testo Alto e Ribeirão Areia.
No sábado, 29/01, as chuvas, além dos dois já atingidos na noite anterior, castigaram os bairros Wunderwald e Centro. “Testo Alto foi atingido com menor intensidade, mas também sofreu consequências dos temporais”, relata Ademar Marquardt, coordenador da Defesa Civil.
As maiores consequências, contudo, aconteceram no domingo (30/01) e na terça-feira (01/02). No domingo, Ribeirão Herdt, Rua dos Parapentes, Vale dos Irmãos, Testo Central, Jardim Pomerânia, Karl Guenther, Ribeirão Souto, Pomerode Fundos, Ribeirão Lübke, Rua Presidente Juscelino, Rua Presidente Costa e Silva, além de alagamentos e danificação de tubulações em algumas residências. Na Rua Luiz Abry também houve queda de barreira e a obstrução de tubulação.
Destes, a Rua dos Parapentes foi a mais atingida, de acordo com a Sodeci e Defesa Civil. Moradores comentaram inclusive, que na região, em algumas horas, chegou a chover 88 mm nas propriedades. O Ribeirão Herdt foi outra localidade considerada, pelas autoridades de Pomerode, em situação preocupante ainda no domingo.
Conforme relatório parcial da Sodeci e da Defesa Civil divulgado na segunda-feira, o final terminou com quatro pontes parcialmente destruídas, 25 tubulações danificadas e muitas ruas tiveram seu macadame arrastado pelas chuvas. “Teremos que refazer vários trechos que haviam sido recuperados nos últimos meses. Foi uma chuva muito grande que deixou várias marcas”, comenta Laudir Carlos Busarello, presidente da Sodeci.
Na segunda-feira, a Defesa Civil permaneceu em alerta, divulgando que a umidade relativa do ar estava muito alta (98%), e por isso, indicando que a chuva iria continuar. “As casas mais baixas devem se preocupar com os alagamentos, e as mais altas, com os desmoronamentos. Pedimos que em qualquer situação de riscos, as famílias saiam imediatamente de onde estão e sigam até um local seguro. É fundamental garantirmos a segurança de todos os pomerodenses”, relembra Ademar Marquardt.
Secretários do Executivo e a Defesa Civil estiveram reunidos no início da segunda-feira para traçar estratégias aos locais de desassoreamentos, principalmente no Ribeirão Herdt, Ribeirão Clara, Ribeirão Areia e Ribeirão Souto. A Comdec registrou, que nos locais onde este tipo de trabalho foi realizado, as enxurradas não causaram tantos transtornos.
A chuva deu uma trégua durante a segunda-feira, mas durante a terça-feira, voltou a causar transtornos na cidade.
Busarello, explica que geralmente, 120 mm de chuva caem mensalmente na cidade. O que assusta é que durante a última semana de janeiro, de acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente (Sederma), a Estação Meteorológica registrou 157 mm em apenas sete dias. “Isto significa que choveu em uma semana, o que era para ter chovido em um mês”, diz o secretário da Sederma, Nilton Provensi Machado. Somando as chuvas da semana, durante os dez últimos dias, choveu 225 mm na cidade. Na terça-feira foi registrado o número de 67 mm em uma hora, tendo localidades que registraram dois milímetros por minuto.
O acesso para Pomerode Fundos, por volta das 17h, estava parcialmente interditado. Muitos carros de passeio não conseguiram passar por diversos pontos de alagamento e desmoronamento.
A situação era ainda mais grave no próprio bairro, onde várias famílias viram a água entrar em suas residências. Algumas até ficaram ilhadas. “O problema não é só o nível do rio que sobe, mas também a água que desce dos barrancos. Aqui na minha residência esse é o maior problema, pois tudo que desce vem parar aqui em casa”, comenta uma moradora que antes mesmo da chuva terminar, já começava o trabalho de limpeza.
Mais uma vez, a Escola Municipal Professor Vidal Ferreira foi afetada pela enchente. “Hoje terminamos de limpar toda essa área. É triste ver tudo sendo lavado pela água das chuvas. Problema maior ainda são os equipamentos que estão ali, como a mesa de tênis de mesa e as outras do refeitório. A água pode danificar tudo, sabemos as consequências, mas não temos o que fazer”, relata o secretário da Escola.
Alguns funcionários e professores viam a água subir e não podiam fazer nada, a não ser esperar a água baixar e recomeçar a limpeza do local. “O difícil é ver que tudo estava pronto para o início das aulas e agora, voltamos à estaca zero”. Em meio ao desespero, alguns queriam tentar entrar no refeitório, que foi o local mais atingido, para salvar o que podiam. “Erguemos tudo em cima das mesas, não podemos fazer mais nada. Se entrarmos nessa água, amanhã estaremos nos postos de saúde da cidade doentes, e isso é a última coisa que desejamos nesse momento. O que podíamos fazer, fizemos”, completam os funcionários.
O bairro do Ribeirão Areia também foi outro que sofreu fortemente com a chuva. Moradores ligaram para o Jornal de Pomerode para contar os estragos. “Tubulações estouraram e invadiram nossas residências”, relata a moradora da Rua Nossa Senhora de Fátima.
Na mesma Rua, muitos moradores faziam o trabalho de limpeza e de retirada das águas das residências. O trabalho também era de desentupimento dos bueiros e desobstrução das ruas que ligavam o bairro a outras localidades. Vizinhos auxiliaram uns aos outros, principalmente com os locais mais atingidos.
A Praça Jorge Lacerda foi outra a ficar embaixo da água. Motoristas tiveram que esperar a água da rua baixar para poder transitar no local. Na Avenida 21 de Janeiro, em frente ao Samae, os carros precisaram desviar para conseguir chegar a algum lugar.
Perto do local, na sede do Floresta, a água invadiu o campo e a entrada em uma velocidade gigantesca. O Pavilhão de Eventos teve alguns bueiros entupidos, gerando pequenos trechos de alagamento, acúmulo de lama, e alguns prejuízos.
As localidades de: Rega III, Testo Rega, Jardim Pomerânia, Ribeirão Herdt, Testo Central, Rua dos Atiradores, Presidente Juscelino, Rua São Joaquim e Clube Pomerode também sofreram as consequências.
Estima-se que, até o fechamento da edição do Jornal de Pomerode, quarta-feira, mais de 400 residências foram atingidas devido às chuvas. Isso porque, contabiliza-se como atingidas, inclusive as residências que ficam sem acesso devido a alagamentos
Soluções
Com a voracidade das águas, pontes foram arrastadas e cobertas pela água. Vários trechos registraram deslizamento e algumas ruas foram interditadas parcialmente para que um trabalho de recuperação fosse realizado. “Estamos trabalhando em equipe, a Sodeci, a Secretaria de Obras e a Defesa Civil, assim, fica mais ágil o processo de recuperação e de identificação dos pontos críticos”, explica Busarello.
A medida é provisória, até que a cidade volte ao normal. Segundo Marquardt, trabalhos estão sendo feitos todo momento para que isso não aconteça mais na cidade. “O trabalho de macrodrenagem serve para isso. Nas localidades em que esse trabalho já foi realizado, as consequências foram muito menores que antigamente. Há também o desassoreamento, feito em diversos pontos, mas o trabalho ainda não está concluído, e, portanto, ainda sofremos com tantas tragédias”.
A Prefeitura Municipal também informou que está realizando medidas preventivas em diversas localidades de Pomerode, com o objetivo de reduzir danos e catástrofes futuras em virtude das intempéries do tempo. Um exemplo é o enrugamento da margem do rio a fim de evitar desbarrancamento, na ponte Leopoldo Alsleben, em Testo Central. Outra obra feita recentemente foi o desassoreamento do início do Ribeirão Areia, próximo a empresa Porcelana Schmidt. O local estava totalmente assoreado, dificultando o escoamento das águas pluviais e causando diversos alagamentos.
Já as obras de Macrodrenagem (parceria entre o Governo Federal e Municipal), iniciadas em 2010, servem para solucionar alguns problemas relacionados às enchentes. Já foi realizado esse trabalho no Ribeirão do Vale do Selke Grande, Vale do Selke Pequeno, Pomerode Fundos, parte do Ribeirão Souto (um dos locais mais críticos).
Há também uma equipe de geólogos do Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina (CEPED/UFSC) que visita áreas atingidas por desassoreamentos. O Morro do Chuchu, do Schroeder, da Turquia, Rua Pedro Alves da Cunha, Vale dos Irmãos, além de outros, foram vistoriados. Nestes locais foram feitos diversos trabalhos de conscientização, prevenção e, quando necessário, a remoção das famílias. Também foram realizados alguns trabalhos de contenção de encostas, como exemplo a Rua Frederico Weege e a Massaranduba.
Recomendações da Defesa Civil
Como a previsão de chuvas intensas continua em todo o estado, a Defesa Civil faz diversos alertas para as cidades mais atingidas, como é o caso de Pomerode.
No caso de ventos fortes ou tempestades, é fundamental que as pessoas procurem abrigo em locais seguros e evitem o trânsito em locais abertos, próximo a árvores e placas.
Já em alagamentos, deve-se evitar contato com as águas e não dirigir em lugares alagados. Se houver granizo é aconselhável que as pessoas se protejam em lugares com boas coberturas, ao exemplo dos banheiros das residências, fechar janelas e portas, e não manusear nenhum equipamento elétrico ou telefone devido aos raios e relâmpagos.
No caso de deslizamento de terra, é importante observar qualquer movimento de terra ou rochas próximas a suas residências e inclinação de postes e árvores. Neste caso, é recomendável que a família saia de casa e acione a Defesa Civil municipal ou o Corpo de Bombeiros.
Qualquer problema deve ser comunicado à Coordenadoria municipal de Defesa Civil, através do telefone de emergência 199.
Consequências em outros municípios catarinenses
Já passa de 80 o número de cidades em emergência por prejuízos causados pela chuva em Santa Catarina. De acordo com a Defesa Civil Estadual, 86 municípios tinham registrados danos devido aos temporais. Em todo o Estado, mais de 840 mil pessoas foram afetadas, até esta terça-feira, 01/02.
Mais de 20 mil pessoas tiveram que deixar suas casas, entre elas, 18.737 estão desalojadas, e 1.976, desabrigadas. A chuva já causou a morte de seis pessoas e deixou 162 feridas. Quase sete mil residências foram danificadas pelos temporais em Santa Catarina.
As cidades em emergência são Antônio Carlos, Anitápolis, Alfredo Wagner, Águas Mornas, Anita Garibaldi, Armazém, Araquari, Araranguá, Aurora, Balneário Arroio do Silva, Balneário Barra do Sul, Balneário Gaivota, Biguaçu, Barra Velha, Bom Jardim da Serra, Braço do Norte, Braço do Trombudo, Bombinhas, Camboriú, Cocal do Sul, Corupá, Criciúma, Dona Emma, Ermo, Forquilhinha, Gaspar, Grão Pará, Gravatal, Guaramirim, Governador Celso Ramos, Içara, Ilhota, Imaruí, Itapoá, Itaiópolis, Jaguaruna, Jaraguá do Sul, Joinville, Jacinto Machado, Laurentino, Lauro Müller, Maracajá, Massaranduba, Meleiro, Major Gercino, Morro da Fumaça, Morro Grande, Nova Veneza, Palhoça, Passo de Torres, Pedras Grandes, Porto Belo, Praia Grande, Rio do Campo, São Pedro de Alcântara, Santa Rosa do Sul, Santo Amaro da Imperatriz, São Bento do Sul, São Francisco do Sul, São João do Sul, São Martinho, Siderópolis, Sombrio, São José, São José do Cerrito, Taió, Turvo, Timbé do Sul, Treviso, Tubarão e Urussanga, sendo que o município de Mirim Doce decretou estado de calamidade pública.
Um levantamento preliminar da Secretaria de Infraestrutura de Santa Catarina apontou que as chuvas causaram um prejuízo de R$ 413 milhões. Ainda na quarta-feira passada, 26/01, a presidente Dilma Rousseff anunciou a liberação de R$ 40 milhões para ajudar na reconstrução das cidades afetadas pela chuva em Santa Catarina.
O governador do Estado, Raimundo Colombo divulgou em seu twitter, na quinta-feira, 27/01, para onde iriam os primeiros recursos. “Acabamos de liberar 50 mil reais para cada município em situação de emergência (total de 60) e mais 200 mil para Mirim Doce, no Alto Vale”.
Entre as verbas emergenciais estão o envio de alimentos, materiais de higiene pessoal, de limpeza e colchões para os municípios em situação de emergência. Os números realmente impressionam. Joinville já registrou 6.285 desalojados; Criciúma, com 2.400; Jaraguá do Sul, com 1.080; e Maracajá, com 600.
Alerta para a saúde
O contato com a água das enchentes é necessário para a limpeza de qualquer residência. Contudo, o mesmo contato deve ter alguns cuidados, principalmente para evitar doenças transmitidas pelas águas.
Qualquer contato pode deixar a pessoa mais vulnerável a doenças como a leptospirose e a hepatite A. O Ministério da Saúde alerta para várias medidas que devem ser tomadas após a ocorrência de chuvas fortes seguidas de enchentes.
Utilizar materiais como luvas de borracha, botas e demais roupas que protegem o corpo do contato direto com a água são medidas simples, mas ao mesmo tempo fundamentais. Outro ponto está no consumo de água e alimentos que entraram em contato com a enchente. É fundamental ferver e filtrar a água antes de ingerir, assim como o interior da caída d’água deve tem que ser limpo e desinfetado antes de qualquer utilização da mesma. Para esta limpeza, utilizar esponjas, escovas e panos, sem produtos de limpeza. Depois de limpar a caixa, coloque água e adicione água sanitária, deixando agir por duas horas. Depois, esvazie toda a caixa e encha de água novamente.
Os alimentos são outro alerta. Caso qualquer produto entre em contato com a água das enxurradas, ele deve ser jogado no lixo imediatamente, pois é provável que a contaminação já tenha acontecido.
No caso dos utensílios domésticos como panelas, copos, pratos, etc, é preciso lavá-los normalmente, com água e sabão. Após, é importante utilizar um desinfetante, diluindo um copo (200 ml) de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) em quatro copos de água (800 ml). Após preparar a solução, basta mergulhar os objetos na mesma, deixando-os ali por, pelo menos, uma hora.
Para pisos, paredes, móveis e outros objetos, após retirar a lama, lave o local com água e sabão e, a seguir, prepare uma solução diluindo um copo (200ml) de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) para um balde de 20 litros de água. Umedeça um pano na solução e passe nas superfícies, deixando-as secar naturalmente.
Uma vistoria completa pela residência também deve acontecer. A água das chuvas pode trazer animais e insetos para dentro da mesma. Alguns deles podem ser inclusive, venenosos, como escorpiões, aranhas e cobras. É preciso bater os colchões, roupas e sapatos e não colocar as mãos em buracos ou frestas.
Para evitar maiores complicações, o mais recomendável é que depois do contato com a água suja ou ao sentir dores no corpo ou musculares, além de febre e diarreia, é buscar um atendimento médico, e não se automedicar. Se alguém demora a procurar um tratamento pode acarretar em hemorragias e problemas nos rins, no caso da leptospirose, e problema nos pulmões, no caso da dengue.
É importante também verificar o acúmulo de água em recipientes e ambientes, por causa da proliferação do mosquito da dengue.
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