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Formando uma família através da adoção

Da decisão à adoção em si, um caminho muito longo foi trilhado. Foram dez anos de tentativas, sendo que, neste
processo, chegaram a pensar em desistir. “Esperamos por muito tempo. Um dia recebemos um telefonema da Juíza,
perguntando se ainda tínhamos interesse em formar uma família.

16 de dezembro de 2015

Da decisão à adoção em si, um caminho muito longo foi trilhado. Foram dez anos de tentativas, sendo que, neste processo, chegaram a pensar em desistir. “Esperamos por muito tempo. Um dia recebemos um telefonema da Juíza, perguntando se ainda tínhamos interesse em formar uma família. Respondemos na hora que sim. Uma casa sem crianças não é um lar. Fomos conversar com a assistente social do Fórum. Atualizamos nosso cadastro, agendamos um horário com a Juíza e Promotora, que nos fizeram várias perguntas. Depois nos falaram que tinha um menino de quatro anos que estava apto a ser adotado”, explica Osni.

Na mesma hora Rosana Millbratz questionou quando isso aconteceria e o que deveriam fazer. A surpresa veio na resposta. Em menos de 24 horas eles seriam pais. Sem gestação, sem preparo, sem organização. “A vida mudou de uma hora para outra.

Saímos do Fórum e fomos comprar roupas, arrumar o quarto dele. Foram as 24 horas mais longas das nossas vidas. Estávamos esperando o nosso filho”, revela o casal.

Osni Millbratz conta que quando foram ao Fórum buscar o menino, ao chegar no local, a assistente da Juíza falou: “Estão vendo aquela porta? Do outro lado está o filho de vocês”. A emoção tomou conta do casal. Do outro lado, na verdade, estava Gabriel, uma criança assustada, miudinha. “Foi amor à primeira vista. Trocamos a roupa dele lá mesmo, deixamos o passado de lado. O trouxemos para casa, apresentamos aos parentes. Mal conseguímos dormir naquela noite, estávamos os três assustados. Ele deitou na cama conosco, em nosso meio, queríamos que ele se sentisse acolhido, que soubesse que era nosso e que tudo ficaria bem”.

A emoção de ser chamado de pai pela primeira vez é quase impossível de ser descrita por Osni. “Ser pai é tudo, proteger, dar carinho, amar, ensinar, educar”. Para a mãe, Rosana, a vida deu uma reviravolta. “Nossa rotina mudou por completo, ele passou a ser o centro de tudo. Adotar o Gabriel foi a melhor coisa que fizemos em nossa vida. Parece que ele nasceu de mim.

Chegamos a identificar características nele que sabemos que são nossas. Hoje, com nove anos, parece que ele nunca esteve em outro lugar a não ser conosco”.

Gabriel acompanhou atento a entrevista. A adoção nunca foi um tabu para a família, que fala abertamente sobre todo o processo. “Brincamos bastante, viajamos, passeamos. Adoro me divertir com meus pais, visitar meus avós. Tento me comportar e ser bonzinho. Mas, às vezes, apronto um pouco”, diz o garoto.

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