Força-tarefa remove duas toneladas de peixes mortos do Rio Jaraguá e investigação aponta indícios de contaminação
Mortandade começou no fim de semana em ribeirão que corta Rio Cerro e Rio da Luz; amostras foram encaminhadas para análise laboratorial
Foto: Fujama/Divulgação
Cerca de duas toneladas de peixes mortos foram retiradas do Rio Jaraguá em uma força-tarefa que mobilizou Defesa Civil, Secretaria de Obras e Serviços Públicos, Bombeiros Voluntários e o Clube de Canoagem Kentucky. A ação, iniciada na tarde de terça-feira, dia 26, percorreu diversos trechos do rio, principalmente nos bairros Rio Cerro e Rio da Luz, onde os animais se acumulavam às margens e em áreas de menor correnteza.
Segundo o secretário de Obras, Alceu Gilmar Moretti, a operação exigiu logística complexa devido à quantidade de peixes e à extensão do curso d’água. Ele informou que novos números serão divulgados à medida que as equipes atualizem os registros em campo.

Indícios de contaminação e investigação em andamento
A mortandade, percebida por moradores ainda no fim de semana, levou a Fujama a intensificar fiscalizações já na segunda-feira, dia 25. Durante inspeções, foram encontrados indícios de contaminação em empresas localizadas na área de influência do rio. Uma delas operava sem licença ambiental e utilizava produtos químicos compatíveis com os efeitos observados nos peixes mortos.
A Fundação coletou amostras de água e de peixes, enviadas a laboratório para análise. O biólogo Gilberto Duwe destacou que, embora em pequena quantidade, a substância lançada foi altamente tóxica, provocando morte em massa de peixes que desceram com a correnteza.
Alinhamento entre órgãos e monitoramento contínuo
Representantes da Fujama se reuniram com a Polícia Militar Ambiental para alinhar estratégias conjuntas e definir protocolos de monitoramento da região. A fiscalização seguirá diária, abrangendo rios e empresas próximas, garantindo acompanhamento técnico e jurídico rigoroso.
O presidente da Fujama, Anderson Kassner, reforçou que todos os elementos técnicos e laboratoriais serão utilizados para responsabilizar os envolvidos, conforme a legislação ambiental. Lançar substâncias em cursos d’água que causem mortandade de peixes é infração grave, sujeita a multas que podem chegar a R$ 50 milhões, além da interdição das atividades.
Próximos passos
Os resultados laboratoriais devem ser divulgados em até 20 dias e nortearão as medidas administrativas e legais. Até o momento, não há registro de impacto direto no abastecimento de água do município, mas o monitoramento seguirá reforçado.