Ferreiro: uma profissão perto do fim
A profissão, acredita-se, já existe desde 2000 a.C., quando o homem aprendeu a manusear o metal. O ferreiro, basicamente, naquela época, moldava o metal para transformá-lo em armas, armaduras, escudos e outros tipos de estruturas metálicas.
A profissão, acredita-se, já existe desde 2000 a.C., quando o homem aprendeu a manusear o metal. O ferreiro, basicamente, naquela época, moldava o metal para transformá-lo em armas, armaduras, escudos e outros tipos de estruturas metálicas.Suas principais ferramentas de trabalho eram o fole, bigorna e o martelo e sua rotina envolvia altas temperaturas as quais o metal era submetido e, quando estivesse alaranjado ou vermelho, o ferreiro o moldava conforme sua necessidade.
Muito comum antigamente, o ofício entrou em decadência após a Revolução Francesa, onde começou a ser substituído por indústrias metalúrgicas. No entanto, em algumas cidades a profissão ainda existe ou existiu até pouco tempo e Pomerode é uma delas.
Exemplo de amor à profissão é Ademar Klotz, 60 anos, que dedicou 40 anos de sua vida a essa rotina. A história começou em 1970 quando, ainda garoto, foi trabalhar com seu pai, Leopoldo Klotz.
E foram quase 20 anos trabalhando com o pai, quando Leopoldo faleceu em 1988. A partir daí, Ademar começou a trabalhar sozinho como ferreiro. Aprendi tudo com meu pai e, como ninguém queria aprender a profissão, que exige muito talento, os ensinamentos não puderam ser passados adiante, ressalta.
A ferraria de seu Ademar ficava localizada na esquina da Hermann Weege com a Dr. Wunderwald. Ficava, pois em 2010 seu Ademar a vendeu por motivos de saúde. Fiquei doente, fui operado por conta de pedra nos rins e também tenho problemas na coluna. Por ser um trabalho muito manual, tive que abandoná-lo, afirma.
Por ter sido um abandono forçado, seu Ademar sente saudade de poder exercer a profissão que o conquistou. Atualmente não trabalho mais. No entanto, ainda lembro com carinho de tudo que exerci e, muitas vezes, choro de saudade do trabalho e da época em que o vivi, conta.
A esposa de Ademar, Iria, 57 anos, também comenta que a profissão, hoje quase extinta, era de extrema importância. Até 2000 ainda era feita entrega de leite em Pomerode e o ferreiro também auxiliava nisso, por causa das carroças, que eram oito a nove por semana. Hoje em dia nada disso existe mais, relembra com nostalgia.
Pomerode contava com 12 ferreiros, atualmente existe apenas um. A explicação para isso, seu Ademar também possui. Assim como a vida de colono também está se encerrando, os ferreiros também estão perdendo seus espaços, completa.
A realidade das profissões antigas, como ferreiro e sapateiro, é baseada na falta de clientes e, também, pelo progresso, que permite comprar pronto em grandes estabelecimentos, do que encomendar ou mandar arrumar. E, por conta disso, o serviço é cada vez mais escasso.
E por ser uma profissão que exige muito empenho, dedicação e talento, são poucos os que têm a intimidade e proximidade com o ferro, a forja, a temperatura ideal e, principalmente, com a execução de peças como foices, enxadas e picaretas.