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Farmacêutico: um profissional a serviço da qualidade de vida

No dia 20 de janeiro, domingo, comemora-se o Dia do Farmacêutico, profissional essencial para a nossa sociedade. Antigamente, há mais de dois mil anos, a profissão era um tanto quanto intuitiva. Contudo, com os avanços científicos e tecnológicos, não existe mais espaço para tentativas e precisão passou a ser fundamental na prática da atividade.

1 de junho de 2015

No dia 20 de janeiro, domingo, comemora-se o Dia do Farmacêutico, profissional essencial para a nossa sociedade. Antigamente, há mais de dois mil anos, a profissão era um tanto quanto intuitiva. Contudo, com os avanços científicos e tecnológicos, não existe mais espaço para tentativas e precisão passou a ser fundamental na prática da atividade.
O Farmacêutico, profissional com curso superior, desenvolve muito mais do que fórmulas manipuladas. Seu compromisso é a garantia de um resultado eficaz de tratamento, bem como, o acompanhamento terapêutico que se faz necessário com o mesmo.
O profissional que atua na manipulação de fórmulas é o único capaz de direcionar corretamente o tratamento recomendado por médicos e demais profissionais da área da saúde.
Todos os produtos submetidos ao seu desenvolvimento, são pesquisados, com todo o controle de qualidade que se faz necessário. Além disso, exames clínicos laboratoriais (sangue, fezes, urina, entre outros), são analisados com zelo pelos farmacêuticos, permitindo o diagnóstico médico preciso e que seja ministrado o tratamento mais recomendado.
Buscando compreender ainda mais sobre a profissão, o Jornal de Pomerode entrevistou a farmacêutica Raffaella Sandrini Pizzolatti. Confira a entrevista:

JP: O que a levou a escolher a profissão de Farmacêutica?

Eu entrei na faculdade muito cedo. Tinha 18 anos. Mas na verdade, a profissão já estava no meu sangue. Meu pai também é Farmacêutico, e assim, fui criada neste universo. Lembro-me que quando era pequena e meu pai tinha que ir ao hospital ou na casa de algum paciente, principalmente nos fins de semana, fora de hora, ele levava os filhos juntos, para que pudéssemos passear. Acompanhando esta paixão pela profissão, o carinho que ele tinha, acabei percebendo que era o que eu queria fazer pelo resto de minha vida. Em momento algum fui pressionada, foi algo natural, que foi surgindo com o tempo.
Sou formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis. Não tive muita dificuldade, pois já existia a estrutura do laboratório e da farmácia quando eu estava na faculdade. Mas com isso, o compromisso é ainda maior. Tinha que dar continuidade a um trabalho iniciado por meu pai, que já era reconhecido na área. Quando me formei, fiz um ano de trabalhos voltados a pesquisas, na UNICAMP. Lá me aprimorei e voltei com uma bagagem que me permitiu imprimir a minha personalidade nos negócios da família e, ao mesmo tempo, inovar, buscando outra gama de produtos e serviços contemplados pela profissão.

JP: Quais os avanços da profissão nos últimos anos?

A abrangência da profissão, nas áreas de atuação dos profissionais, tem crescido bastante nos últimos anos. Temos a possibilidade, como farmacêuticos, de atuar em várias áreas, como por exemplo, na agricultura, em exames preventivos e diagnósticos, indústrias químicas, saúde da família.
A própria indústria química e farmacêutica cresceu muito nos últimos anos. Éramos vistos no passado como uma espécie de curandeiros, hoje não cabe mais espaço para erros, temos que ser cada vez mais precisos. A tecnologia é a nossa maior aliada. Toda matéria prima é testada e liberada depois de muito estudo, muita análise. Até chegar ao paciente, os medicamentos são testados, prevendo todo o tipo de reação adversa que podem causar.

JP: Para você, qual a maior realização que a profissão lhe oferece e os maiores obstáculos?

O que mais gosto de fazer, minha grande paixão, é atuar no que chamamos de atenção farmacêutica. Na verdade, trata-se de um atendimento mais individualizado, personalizado, oferecendo uma assistência ao paciente. O farmacêutico é o médico do medicamento, tendo sempre que dar a atenção que o paciente precisa. Auxilio informando o horário e a forma correta de tomar o medicamento, explicando o funcionamento correto da posologia, para que ele tenha sucesso pleno no tratamento.
Trabalhamos também com a combinação de fórmulas, geralmente de medicamentos utilizados, que tenham a mesma função. Entro em contato com os pacientes para ver como está sendo a adaptação com a medicação.
Quanto aos obstáculos, o principal é o reconhecimento da profissão, já que o nosso trabalho é mais de bastidores. Somos o elo entre o médico e o paciente. Mas de uma forma geral, e eu não me incluo neste caso, a maior dificuldade para os profissionais que acabam de se formar, é a questão de montar um laboratório ou uma farmácia de manipulação. Os custos são muito elevados.

JP: Muitas pessoas fazem uso indiscriminado de medicamentos. Qual o alerta que pode ser deixado neste sentido?

Existem estudos e dados apontados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que revelam que mais de 10% das internações hospitalares são provocadas por reações adversas e uso indiscriminado de medicamento. É uma informação preocupante. As pessoas tem que ter a consciência de que toda farmácia deve contar com um farmacêutico e que este profissional está à disposição para esclarecer qualquer tipo de dúvida.
No momento de adquirir um medicamento que chamamos de “venda livre”, que não necessita de prescrição médica, principalmente os utilizados para tratar males menores e recorrentes, como dor de cabeça, por exemplo, cabe sempre a opinião de um especialista. Como farmacêuticos, temos a obrigação de notificar as autoridades de saúde, como o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, da ocorrência de qualquer evento adverso não esperado pelo uso de medicamento.
Outra estatística interessante, e igualmente preocupante, é em relação aos agentes causadores de intoxicação nos seres humanos. Os medicamentos, segundo o Sistema de Informações Tóxico-farmacológicas (SINITOX), no Brasil, ocupam a primeira posição. Geralmente, pensamos que os agrotóxicos e produtos químicos são os principais causadores de intoxicação, mas não, são os medicamentos.

JP: É necessária uma constante atualização?

Vejo que todos os bons profissionais estão em constante atualização, e assim deve ser. O mercado se atualiza muito rápido. A indústria e a medicação evoluem muito frequentemente, então, temos que buscar informações complementares.
A aposta para os próximos anos é o aperfeiçoamento de terapias e medicamentos individualizados, baseados no sequenciamento do código genético humano. Com isso, não podemos estagnar, parar no tempo, temos que estudar a cada dia. Um idoso, por exemplo, não pode tomar o mesmo medicamento que um adolescente, são sistemas diferenciados, em muitos casos debilitados, que exigem um atendimento personalizado.

JP: Qual a maior procura por medicamentos em farmácias de manipulação?

Nossa maior procura é por medicamentos que não são encontrados prontos para a comercialização, ou seja, por fórmulas que, necessariamente, precisam ser manipuladas. São fórmulas mais específicas, que não oferecem retorno financeiro para as indústrias farmacêuticas ao ponto de serem produzidos em grande escala.

JP: Conte um caso que tenha lhe marcado nestes anos de profissão.

Mesmo que não tenhamos o contato direto com o paciente, acabamos nos envolvendo. Uma vez realizei a análise de um exame, de uma criança, e apareceram sérias alterações. Como a mãe deste menino viria retirar o resultado em três, quatro dias, não pensei duas vezes. Peguei o carro e fui até a casa deles, que ficava bem no interior, onde não tinha telefone. Até hoje a mãe dele passa por mim na rua e me mostra a ele, dizendo que fui muito importante em sua vida.

JP: Quantos funcionários a Farmácia e o Laboratório Sandrini possuem hoje em dia?

Nossa equipe conta com 20 funcionários distribuídos nos dois laboratórios e na farmácia. Com o desenvolvimento tecnológico, o número de colaboradores acaba diminuindo, é uma tendência.

Outras atividades desempenhadas pelo Farmacêutico
• Exames toxicológicos para atletas e animais (antidoping);
• Controle da poluição ambiental;
• Manipulação alopática ou homeopática;
• Área hospitalar, na prestação da assistência e atenção farmacêutica;
• Coordenação nas instituições de ensino superior, como coordenador de curso de farmácia e/ou docente das disciplinas existentes nos currículos de cursos de farmácia;
• Atuação também como professores no Ensino Médio.

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