Geral

Experiências de um mundo novo

Hospedar intercambistas alia conhecimento e cultura, além de quebrar preconceitos sobre a morada temporária

1 de junho de 2015

Viajar pelo mundo, chegar a um país desconhecido e ser recepcionado por uma família nunca vista. A coragem dos intercambistas vai muito além do fato de querer conhecer novas culturas e aprender outros idiomas, rotinas e lugares.

No entanto, tão importante quanto desejar ser intercambista, é a família que o recebe. E, para quebrar muitos conceitos precoces sobre o tema, Luciene Mengui abriu as portas de sua casa, em duas oportunidades, e conta sobre sua experiência.

Para Luciene, é importante hospedar os intercambistas. Precisamos dar oportunidade a esses jovens dinâmicos e corajosos que querem ter essa experiência longe da família e descobrirem do que realmente são capazes e o que suportam. É importante ter alguém preparado para recebê-los. Gosto de mudanças e ter uma pessoa diferente no seu dia a dia torna tudo diferente, reitera.

O aprendizado vai além da cultura, aprende-se a lidar com pessoas. Cada um tem um perfil bem particular e descobrir como lidar com essa nova pessoa é um aprendizado interessante, pois aprendemos a nos conhecer melhor também e testar nossos próprios limites, frisa.

A mudança na rotina acontece, mas cada caso é um caso, de acordo com Luciene. Depende do perfil do intercambista, já recebi uma que se adaptou muito fácil à família e outra que de certa forma tivemos que nos adaptar à ela. No geral, a rotina é seguida normalmente pela minha família, porque o intercambista é mesmo nosso filho quando está conosco, conta.

E quando questionado sobre por que hospedar, a resposta foi rápida: viver experiências. Você vive experiências maravilhosas e diferentes do seu dia a dia, há sempre novidade, sem aquela monotonia porque algo diferente sempre acontece: o ônibus que pegou errado, as picadas dos nossos insetos, o chegar tarde sem avisar, as palavras diferentes que você não conhece e vice versa, o sabor da comida, as risadas, os diálogos, lembra.

Diante das vivências, muitos pré-conceitos são quebrados após a experiência. Pré-conceitos, como aumento de despesa, adaptação no convívio, cultura linguística e alimentar, aceitação, são algumas das preocupações e até bloqueio que temos antes da experiência que acabam se esvaindo quando a vivemos e compartilhamos com a família e os amigos, afirma.

A bareira do idioma também e um dificultador da hospedagem. No entanto, isso é rapidamente superado. Eles têm uma habilidade incrível para aprender a nossa língua, até agora não tem sido problema para nós essa questão. Vale tudo nessa hora, gestos, escrita, comparações, o que estiver ao alcance é usado, conta.

E quando a dúvida é referente ao o que fazer com os estudantes aqui, basta incluí-los nas suas atividades. Como sempre são incluídos em nossa atividades não temos problemas com isso. Se vamos viajar, vão junto, se vamos ao cinema também vão, festas, um café na padaria, são convidados, mas como todo adolescente, eles muitas vezes acabam por realizar muitas atividades com os novos amigos, explica.

Luciene hospedou estrangeiros em duas oportunidades e conta que o suporte que recebe da entidade que os traz ao Brasil é fundamental. O suporte dado pela AFS é de extrema importância. O encontro mensal com o conselheiro e as atividades proporcionadas pela AFS devem ser respeitadas, cumpridas e realizadas para que o intercambista sinta-se seguro e possa dividir suas preocupações quando não conseguir fazê-lo com a família, caso ocorra, afirma.

Como em todos os casos, algumas observações devem ser efetuadas. Em qualquer situação existem regras. Em casa temos regras, como a AFS existem regras a serem seguidas e todas são para o bem comum e segurança do próprio intercambista. No entanto, com o suporte que a AFS fornece, acho que mais famílias deveriam se cadastrar para essa experiência, pois quem tem filhos sabe que, uma oportunidade como essa pode fazer a diferença na vida deles. É um crescimento pessoal incomparável e único. Todos ganham com o intercâmbio, mas os pais hospedeiros têm um crescimento contínuo a cada novo filho que chega, completa.

E sabendo disso, Luciene também permitiu que seu filho, Nickolas, se tornasse mais um intercambista pelo mundo. A experiência com os estudantes em sua casa foi fundamental para isso. Foi primordial para as futuras decisões. Meu filho tinha receio de fazer o intercâmbio, mas a presença de um intercambista o ajudou muito nessa decisão, tanto pela convivência quanto pela troca de experiências entre eles. O que fazer, como agir, as próprias atitudes serviram de parâmetro para o preparo pessoal dele. Deu-lhe segurança, orientação e tranquilidade para ir adiante nessa nova jornada, reitera.

Hospedar um intercambista é adicionar mais amor à família, mais um membro à casa. Levo a palavra mãe e cuidados ao pé da letra, os intercambistas são filhos para mim e os trato como tal, cobrando horários, responsabilidades, participação nos afazeres domésticos e de lazer. São recebidos e aceitos com carinho, atenção, diálogo, beijos e abraços, tal qual faço com meu filho biológico. Para mim um filho é exemplo para o outro, tanto nas coisas certas quanto nas erradas. Gosto de tê-los em casa. É gostoso, por exemplo, sentar para jantar e compararmos nossas culturas, aprender palavras do dialeto, dar risadas das coisas que aconteceram durante o dia com ele/a e das gafes, finaliza.

Uma experiência única, válida para toda a vida. Assim podem ser definidos os momentos vividos pela família hospedeira. Então, por que não ter histórias para contar e viver em um mundo novo dentro da própria casa?

 

Hospede um intercambista – O AFS Intercultura Brasil está selecionando famílias residentes em Pomerode e Blumenau interessadas em hospedar voluntariamente alunos estrangeiros, com idade entre 15 e 18 anos, participantes de programas de intercâmbio internacional da Organização. Os interessados podem entrar em contato com o Comitê do AFS de Blumenau/SC pelo e-mail comite.blumenau@afs.org ou pelo telefone (47) 8844-7386.

No momento, o AFS Comitê Blumenau busca famílias hospedeiras para 04 (quatro) estudantes, sendo eles um dinamarquês (menino de 17 anos), duas belgas (meninas de 16 e 18 anos) e um holandês (menino de 18 anos).

Receber um estudante estrangeiro é vivenciar a experiência do aprendizado intercultural sem sair de casa. Afinal, uma única pessoa, vinda de outro país, está repleta de diferenças culturais que estimulam a aprendizagem de novos hábitos e valores, se inserida em uma família disposta a lidar com a diversidade. Por meio de experiências compartilhadas no dia a dia, você aprenderá não só sobre música, literatura e idioma do país de seu visitante, mas também a maneira de solucionar problemas, a importância do tempo, a natureza das amizades, entre outras questões mais profundas de sua cultura.

Todos os estudantes são selecionados e orientados pelo AFS do país de origem e isso traz uma segurança para a família que irá hospedá-lo. O AFS acompanha e dá todo o suporte à família hospedeira, pois assim como o participante, a família também tem sua fase de adaptação. Todos os nossos intercambistas têm o compromisso de frequentar a escola e a AFS é o responsável por despesas com seguro médico, escola e transporte escolar.

Podem se candidatar a receber um estrangeiro, famílias com diferentes formações, origens, níveis socioeconômicos, raças e religiões, desde que acreditem e apoiem nossa proposta de educação intercultural.

É a família hospedeira que ajuda o participante a se integrar na comunidade local além de ser peça fundamental na adaptação e superação dos desafios que o mesmo irá enfrentar.
Saiba mais: http://www.afs.org.br/hospede-um-intercambista/

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