Esporte e Mídia sob diversos enfoques
Com workshops, palestras e capacitação, o 9º Fórum Internacional de Esportes reuniu mais de 4 mil pessoas no Centro Multiuso, em São José.
Profissionais de Educação Física, gestores e dirigentes de esportes, acadêmicos, universitários, jornalistas esportivos. Todos reunidos em um único objetivo: discutir o relacionamento do esporte com a mídia e diretrizes para os próximos anos. Este foi o tema da nona edição do Fórum Internacional de Esportes, que ocorreu nos dias 13 a 15 de maio, no Centro Multiuso, em São José, na Grande Florianópolis.
Para aqueles que participaram do encontro, a diversidade de temas em torno do assunto central foi grande. A começar pelos 16 eventos que ocorreram paralelamente durante as tardes. Os assuntos abrangiam apresentação de trabalhos científicos, marketing esportivo, justiça desportiva, seminários de futebol, atividades físicas, recreação e lazer. O sábado – último dia do evento – ficou reservado aos 11 cursos de capacitação que envolviam gestão esportiva, esporte escolar, esporte falando com a mídia, elaboração de projetos para captação de recursos, entre outros.
Segundo a organização, foram contabilizados mais de quatro mil inscrições, oriundas de 105 municípios de 19 Estados brasileiros.
Encontro de Cronistas e Jornalistas Esportivos
Pela primeira vez, o Fórum Internacional de Esportes contou com Encontro de Jornalistas e Cronistas Esportivos, sob a coordenação da Associação dos Cronistas Esportivos de Santa Catarina (ACESC). Mesmo sob a tímida presença da mídia, a primeira tarde do evento, contou com palestras e debates, que foram moderadas pelo professor João Kioshi Otuki e coordenada pelo presidente da ACESC, J. B. Telles. Futebol e mídia: paixão nacional foi o primeiro tema a ser abordado, e foi ministrado pelo professor Fernando Gonçalves Bittencourt, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A discussão se estendeu com uma mesa de debates composta por jornalistas renomados, como Mário Medáglia (Florianópolis) e o radialista Francisco Milioli Neto, comentarista das rádios Transamérica FM (Criciúma) e Difusora AM (Içara). Medáglia não deixou de mencionar sua preocupação quanto à questão de identidade, principalmente com este período de Copa de Mundo. “Vejo que há uma exacerbação em torno do patriotismo e espero que isso não tenha retornos futuros”, ressalta. Milioli Neto aproveitou o gancho para colocar que é um defensor do futebol bem organizado e da importância de um jornalista passar pelos bancos da faculdade.
A segunda palestra fez um parâmetro do “atleta de ontem e hoje na mídia”, e foi ministrado pelo coordenador do curso de jornalismo, rádio e TV da Universidade de Santo Amaro (SP), Anderson Gurgel Campos. A discussão também se estendeu com a participação do narrador esportivo da Rádio Guarujá/Florianópolis, Paulo Branchi.
Como chegamos às Olimpíadas
Embora os debates ocorressem em diversos enfoques, não teve como escapar do assunto ligado às Olimpíadas de 2016.
“Não tem por que não sonhar, independente do tamanho do seu sonho.” Essa foi uma das frases iniciais que marcaram a palestra do Superintendente Executivo do Comitê Olímpico Brasileiro, Marcus Vinícius Freire, que deu uma verdadeira aula sobre estratégias do COB elaborou para o Brasil ganhar a disputa dos Jogos Olímpicos.
“Tiramos um pouco da síndrome do cachorro vira-lata, pois sempre nos falavam que o Brasil não teria a menor chance de sediar uma Olimpíada,” relata Freire.
Foram dez anos que toda uma equipe se preparou, iniciando um grande trabalho em eventos de menor porte, como Jogos Sul-Americanos e Pan-Americanos, para posteriormente, se candidatar às Olimpíadas 2012.
Para a candidatura de 2016, o COB convidou três consultores para analisar os erros cometidos. Foi apostando em diversos diferenciais, desde entrega de materiais e proposta de mudanças, que o Brasil conseguiu chegar em primeiro lugar.
O Superintendente encerrou citando que o próximo objetivo é fazer do Brasil uma grande potência olímpica.
A referência do Fórum ultrapassou expectativas. Para o presidente da UNESPORTE, Adalir Pecos Borsatti, o evento contou com inovações, como a presença do Encontro de Jornalistas e Cronistas Esportivos e workshops. “Dessa forma, proporcionaremos simultaneamente o crescimento de várias entidades, priorizando as parcerias”, finaliza.
O Ministério do Esporte, através do assessor de gabinete do Ministro, João Ghizoni, marcou presença no evento e ao que tudo indica, o Fórum, a partir de 2011, constará no calendário oficial de eventos do Ministério.
Perspectivas entre Esporte e Mídia
O evento contou com a participação de um ícone do jornalismo esportivo, Luis Ernesto Lacombe, que atualmente é um dos apresentadores do programa dominical Esporte Espetacular. O jornalista abordou o tema “Esporte e mídia – Evolução e perspectivas” e, antes da abertura do evento, recebeu a equipe da Revista Blitz Esportiva. Mostrando receptividade e descontração, o jornalista não hesitou em falar que as transmissões atualmente estão dando um show de tecnologia. E em se tratando de conteúdos, não é de agora que tentam priorizar a informalidade. “Queremos aproximar o telespectador, com uma linguagem acessível e matérias com mais localidade”, explica.
Lacombe conta que trabalhar com esporte é um sonho antigo. Estreou na TV Bandeirantes, em 1988, onde fez uma tímida participação na cobertura da Copa de 90. A oportunidade surgiu novamente em 2003, quando estava no canal Globo News, onde iniciou paralelamente nesse período, a participação no canal de TV a cabo Sport TV, através do programa Super Vôlei. A partir disso, a ida para o Esporte Espetacular foi um pulo.
O jornalista, que se considera uma pessoa sensível, relata que a matéria-prima do esporte é mais suave e gostosa para trabalhar. “Vejo que o pessoal da redação se diverte e trabalha ao mesmo tempo, e isso muda muito. A editoria “geral”, em contrapartida, é muito dura e nem sempre conseguia me manter à parte das desgraças que eu via”, relata.
Não demorou muito para Lacombe entrar em cena no salão de teatro, local da palestra. Iniciou comentando que, durante a pesquisa que realizou para levar à palestra, percebeu o quanto os teóricos da internet criticam as formas de conteúdo abordadas, nas quais grande parte é ligada ao futebol. Lacombe, porém, ressalta que as portas estão abertas para todo tipo de modalidades na mídia, desde que estes se tornem atraentes e organizadores. Como exemplo, citou o próprio Esporte Espetacular, onde o programa apresenta um cardápio de eventos ligados a diversas modalidades, exceto o futebol.
No decorrer da palestra, enfatizou que a mídia ajuda a desenvolver o esporte, e que este pode ser um caminho para mudar diversas trajetórias de vida.