Escritório Técnico do Iphan é inaugurado
O dia ensolarado, com céu azul e poucas nuvens, contribuiu para tornar a inauguração do Escritório Técnico da Imigração do Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan) em Pomerode, ainda mais especial. A cerimônia foi realizada na manhã desta quinta-feira, 04 de abril
O dia ensolarado, com céu azul e poucas nuvens, contribuiu para tornar a inauguração do Escritório Técnico da Imigração do Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional (Iphan) em Pomerode, ainda mais especial. A cerimônia foi realizada na manhã desta quinta-feira, 04 de abril, e contou com a participação de diversas autoridades e pessoas que contribuíram para que a obra se tornasse realidade.
A estrutura do Escritório Técnico está abrigada na Casa do Salto, em Pomerode Fundos. O imóvel foi cedido ao Iphan, em maio de 2018, e o contrato tem validade de 10 anos. O objetivo da estrutura é trabalhar em prol da preservação de todo o patrimônio relacionado à imigração presente no Vale do Itajaí, atuando em âmbito regional, em prol da preservação e a salvaguarda do patrimônio cultural.
Além dos técnicos do Iphan que já atuavam em Pomerode, o Escritório contará com a contribuição de acadêmicos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Regional de Blumenau (Furb), que realizarão atividades a campo, nos bens tombados pelo Iphan.
De acordo com a professora de Patrimônio Histórico do curso de Arquitetura e Urbanismo da universidade, Yone Pereira, a seleção de alunos já foi feita e a atuação dos acadêmicos traz benefícios para ambas as partes. “Essa participação acadêmica é fundamental, pois você nunca você consegue fazer um projeto com apenas uma pessoa. Reunindo órgãos, há um grupo de pessoas diferentes, que trazem várias contribuições. Para os acadêmicos, essa experiência é imprescindível, porque sabemos que a teoria e a prática precisam andar juntas. É muito importante, também, para a formação de nova mão de obra para o cuidado com o patrimônio, porque eu percebo que cresceu o interesse da comunidade pelo patrimônio histórico. Sempre digo a eles que a única coisa que deixamos nesse mundo é a memória, todo o resto passa”, afirma a docente, que representou a universidade, no ato.
Junto aos técnicos do Iphan, serão cinco alunos da Furb envolvidos nos projetos de preservação do patrimônio, sendo que quatro deles são do curso de Arquitetura e Urbanismo e um é da Engenharia Civil. Estes estudantes trabalharão in loco, tirando as medidas e fazendo os desenhos das casas, para posterior diagnóstico e, possivelmente, para o trabalho de restauração.
Por ter um vasto acervo de patrimônio histórico, fruto da colonização europeia, o Vale do Itajaí é uma das regiões de Santa Catarina que mais recebe o trabalho do Iphan, relacionado à manutenção deste patrimônio. Por isso, de acordo com a superintendente do órgão no estado, Liliane Nizzola, é de extrema importância que Pomerode tenha um escritório técnico.
“Para nós é super importante, porque sempre tivemos dificuldade em atender as cidades da região com os técnicos da sede, que fica em Florianópolis. Aqui é uma região com muitos bens tombados, muito patrimônio, então, para nós, o escritório será um facilitador, para estar mais próximo da população”, destacou a superintendente.
Quem também marcou presença na cerimônia de inauguração foi a presidente nacional do Iphan, Kátia Bogéa, que destacou o seu orgulho por Pomerode, classificando a cidade como exemplo do que o Iphan busca realizar.
“A nossa missão é proteger o patrimônio cultural brasileiro e a região da imigração tem um patrimônio reconhecido, que é tombado pelo Iphan, que é o arquitetônico, da cultura alemã. Esse escritório nos permitirá ter uma atuação mais próxima da população do Vale do Itajaí, para que, juntos, possamos preservar esse patrimônio. Essa não é uma tarefa só do Iphan, mas também, do Governo do Estado, da Prefeitura de Pomerode, e, principalmente, junto à maior parceira, que é população. Porque ela é quem é detentora desses bens. Sem ela, seu amor, a preocupação com esse herança cultural, sem sua a participação, nosso trabalho não tem sentido”, ressaltou.
Agora, Pomerode integra a lista dos 38 Escritórios Técnicos espalhados pelo Brasil, que trabalham pela preservação cultural.
O prefeito Ércio Kriek, em seu pronunciamento, destacou a alegria em poder ter a sede do Escritório Técnico do Iphan e a importância da parceria com o Iphan. “Esse escritório traz mais agilidade e facilidade de acesso aos profissionais do Iphan, proporcionando resultados melhores para a preservação, então, é tudo de bom”, declarou.
Nova normativa
A comunidade de Testo Alto, com a vinda da comitiva nacional do Iphan, também tem um motivo para comemorar. Isso porque foi assinada pela presidente nacional do Intituto, uma nova normativa, que retifica uma outra, de 2013, que estabelecia diversas regras e critérios para construções no bairro.
O texto foi elaborado com base em conversas com os moradores de Testo Alto e, agora, tornou-se realidade, após quase dois anos de conversas com o Iphan.
De acordo com o novo texto, a Portaria nº 87, de 04 de abril de 2019, “altera a Portaria nº 70, de 22 de fevereiro de 2013, que dispõe dobre o regulamentação de diretrizes para a preservação do Conjunto Rural de Testo Alto, no município de Pomerode, no estado de Santa Catarina, com o estabelecimento de parâmetros para novas intervenções nas áreas tombadas e de entorno”.
Kriek destacou, ainda, que a presidente do Iphan se comprometeu a lutar, junto ao município, para conseguir recursos para executar o projeto de requalificação do patrimônio histórico, anunciado em outubro do ano passado.
A Casa do Salto
O imóvel foi cedido ao instituto por meio de um convênio com a Prefeitura e o Samae, através da aprovação do Projeto de Lei nº2818/2018, no dia 08 de maio, em Sessão Ordinária da Câmara de Vereadores, que, agora, é a sede do Escritório Técnico do Iphan, no Vale do Itajaí. O Iphan já possuía, há alguns anos, o desejo de ter um escritório técnico em Pomerode, por ser um ponto mais central na região, que tem vários imóveis tombados pela instituição.
A edificação, construída na metade do século XX, possui apenas um pavimento, construído na técnica enxaimel, que se constitui, basicamente, de uma estrutura de madeira cujo elemento de vedação usual são os tijolos aparentes ou rebocados, ou mesmo, taipa.
A Casa do Salto recebeu este nome por causa de uma pequena cascata formada no riacho que corre atrás da edificação.