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Equoterapia: alternativa terapêutica poderá beneficiar pomerodenses

?Montado a cavalo, as forças se combinam e nossas desvantagens diminuem?, Neil Cutler, praticante de equoterapia.

6 de maio de 2010

Na terça-feira (27/04), foi apresentado na Secretaria de Saúde de Pomerode, ao CMDCA (Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente) e representantes de diferentes segmentos educacionais do município, um projeto inovador que poderá ser implementado em Pomerode, caso aprovado pelo órgão responsável.

O projeto visa oferecer às crianças e adolescentes de Pomerode com necessidades especiais, sejam físicas ou mentais, bem como, para jovens com problemas de relacionamento, a prática da equoterapia.

A iniciativa partiu da fisioterapeuta Fabiana Bertagnolli Fragoso, que no Rio Grande do Sul já trabalhava com equoterapia, método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas da saúde, educação e quitação.

“Trata-se de uma atividade com um campo vasto de atuação, complementando o processo de ensino-aprendizagem e buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiências e/ou necessidades especiais. A equoterapia proporciona a oportunidade de interação dos meios físicos e sociais, trabalhando a relação entre a consciência do sujeito e o mundo que o cerca”, explica.

Fabiana Fragoso apresentou o projeto ao servidor municipal e vereador, Ricardo Campestrini, que agendou junto ao CMDCA o encontro, já declarando na oportunidade que se aprovado for, o projeto contará com o auxílio do Executivo, que colocará a estrutura da Secretaria de Saúde (profissionais especializados e acompanhamento técnico) e de outros setores à disposição.

Ricardo Campestrini expôs aos presentes um esboço orçamentário da implementação do projeto no município, que contaria com a parceria da iniciativa privada e recursos da APAE, uma das principais beneficiadas, além da contrapartida do CMDCA, que através de seus recursos, investiria R$ 90 mil, e de voluntários. “Acreditamos que com aproximadamente R$ 147 mil consigamos viabilizar o projeto. Esse valor contempla todas as despesas geradas no período de dez meses. A APAE de Pomerode tem alunos que já estão envolvidos na equoterapia, e que semanalmente tem que se dirigir ao município de Blumenau para a prática”.

A fisioterapeuta explica que a equoterapia emprega o cavalo como agente promotor de ganhos nos níveis físico e psíquico. “A atividade exige a participação do corpo inteiro, contribuindo, assim, para o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio. O vínculo com o cavalo ajuda muito não só em relação às deficiências, mas igualmente nas perdas, traumas e fracassos. Os programas de equoterapia são realizados conforme as necessidades e potencialidades do praticante, de forma individualizada ou em grupo, segundo os objetivos a serem alcançados, visando intenções médicas ou fins educacionais ou sociais”.

Os profissionais presentes no encontro se manifestaram favoráveis à implementação do projeto, que está sendo analisado pelos membros do CMDCA, órgão responsável pelas ações que dizem respeito à criança e ao adolescente, em todos os níveis. É o CMDCA quem formula e zela pela política municipal dos direitos da criança e do adolescente, fixando prioridades para a consecução de ações, captação de recursos e suas aplicações.

Fabiana Fragoso diz que o projeto tem como base o trabalho realizado pela Associação Nacional de Equoterapia ANDE-Brasil, sociedade civil, de caráter filantrópico, terapêutico, educativo, cultural, desportivo e assistencial, sem fins lucrativos, com atuação em todo o território nacional. “Como a própria ANDE-Brasil relata, não existe euterapia e, sim, equoterapia, o que quer dizer que se precisa de uma equipe. Desta forma, nos fica claro que para a realização deste projeto será necessária a parceria do Município, da Secretaria de Saúde, da Secretaria de Educação e Formação Empreendedora, Secretaria da Cidadania e Desenvolvimento Social, Secretaria de Esportes, bem como, da APAE, Ministério Público, empresas e demais entidades interessadas em apoiar a realização deste projeto, que visa beneficiar a população pomerodense como um todo”, finalizou.

Relato de uma praticante

“Costumo sempre dizer que a equoterapia é a terapia da alma, porque ela mexe não só com a parte física do ser humano, como também trabalha o lado psicológico, que é a própria alma. O praticante de equoterapia começa a ter uma visão diferente do mundo. Passa a perceber que tem potencial para contribuir com alguma coisa para a sociedade, pois passa a ter mais confiança em si próprio. O cavalo nos mostra que temos liberdade de fazer coisas que, normalmente, pensamos que não temos o poder de realizá-las. É indescritível a sensação que temos quando estamos sobre o cavalo”. Cathlen Cudo – 26 anos – Portadora de sequelas de paralisia cerebral e professora de História, formada pelo Centro Universitário de Brasília.

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