Em nome da amizade
Fazer o bem sem olhar a quem. Essa famosa frase deveria nortear a vida de todos, pois praticando atos de bondade, principalmente para os mais necessitados.
Fazer o bem sem olhar a quem. Essa famosa frase deveria nortear a vida de todos, pois praticando atos de bondade, principalmente para os mais necessitados, nossa vida também se torna mais bela e aprazível. O tamanho da ação não precisa ser medida pelo tamanho, mas pela grandeza e pela diferença que faz.
É com base neste conceito que pessoas procuram demonstrar a sua preocupação com o seu semelhante. Estamos falando de Chico França, de 68 anos, que não mede esforços para que seu vizinho e grande amigo Otto Krambeck, com a mesma idade, possa continuar se sentindo útil na sociedade. Cadeirante, em virtude de ter amputado as duas pernas, por causa do diabetes e de outras doenças, há quatro anos vem trabalhando com papelão e latinhas de alumínio, que revende para complementar a sua renda.
No entanto, para ele seria muito difícil encarar esta rotina sozinho, pois a sua condição física não permitiria. É neste momento que entra a figura do amigo Chico, que faz este trabalho de recolhimento do material para ele. Faço isso porque gosto, pois via que ele ficava sozinho em casa, sem ter o que fazer. Ele é apenas três meses mais velho do que eu e já não possui as duas pernas, além de sofrer de artrite e gota. Eu tenho saúde e posso me locomover. Então, por quê não ajudar? Ele se sente feliz com isso e eu, idem, relata. Chico diz que recolher materiais recicláveis para o Sr. Otto já faz parte de sua rotina. Eu organizo os meus horários para que eu sempre tenha um tempo para fazer este trabalho. Alguns amigos meus e muitos comércios também me ajudam com estes materiais recicláveis. Há um supermercado na cidade que me deu autorização para recolher papelão e levar para ele. Além disso, eu procuro pegar o material mais limpo possível, para que o trabalho dele seja feito com bastante assepsia também. Quando digo o motivo e para quem estou fazendo isso, aí é que as pessoas se sensibilizam mesmo. Esses tempos, um amigo meu doou sete sacos grandes de latinhas de alumínio. Tanto eu quanto ele ficamos muito emocionados com o gesto, diz, com lágrimas nos olhos.
Não me importo de carregar estes materiais dentro do meu carro, faço isso com muito prazer. Às vezes ele me ajuda no combustível, mas não é o objetivo. Quero que ele continue se sentindo útil e possa ter a sua rotina, pois ‘cabeça vazia é oficina do diabo, acrescenta, referindo-se a um famoso ditado popular.
No entanto, infelizmente, ainda há pessoas que não se sensibilizam com a atitude de Chico. Muitas vezes, eu encontro dificuldades para realizar este trabalho tão bonito, mas eu não desanimo, pois sei que atitudes nobres são recompensadas. Faço isso em nome dos nossos 18 anos de amizade e 14 de vizinhança. Acima de tudo, somos amigos, confidentes, e isto faz com que eu continue ajudando-o. Enquanto Deus me der forças, vou prosseguir.
Esforço recompensado – Quando se entra na casinha simples de madeira, já pode-se notar a quantidade de materiais recicláveis presentes. Mesmo estando preso a uma cadeira de rodas, o sorriso cativante mostra um homem que não esmorece frente às dificuldades. O trabalho do sr. Otto é muito bem organizado, pois ele faz com muito carinho e dedicação. Eu trago as caixas grandes de ovos desmontadas. Ele monta novamente, costura embaixo e corta os outros pedaços de papelão de maneira que caibam certinho dentro da caixa. Aí ele fecha a caixa grande e a costura novamente, relata Chico. Tanto que, os compradores do papelão, gostam da maneira como a trabalho é feito, pois fica bem mais fácil para carregar o produto final. Latinhas também são amassadas e acondicionadas em sacos, para facilitar a remoção.
Na última vez, eu vendi 1.200 quilos de materiais, que me ajudam com um dinheirinho extra no fim do mês. Grande parte deste material vem graças à ajuda do Chico, que está me ajudando muito. Eu fico muito feliz com isso, quanto mais ele traz, mais eu fico feliz, diz o sr. Otto, aos risos. Eu me sinto muito melhor fazendo esse serviço e isso eu devo ao meu amigo Chico, acrescenta, ressaltando que outras pessoas também o auxiliam, bem como seus familiares.
Ao final, o abraço fraterno dos dois mostra o real valor de uma amizade e o quanto ajudar os outros pode ser benéfico para ambas as partes.