Em duas rodas
Aventurar-se. Vivenciar novas culturas e lugares. O mundo dos motociclistas envolve muito mais que motos, envolve conhecimento, experiência e paixão.
Aventurar-se. Vivenciar novas culturas. Conhecer novos lugares. O mundo dos motociclistas envolve muito mais que motos, envolve conhecimento, experiência e paixão. E buscando aliar o desejo à realidade, um grupo de amigos se reuniu e viajou por mais de 10 mil quilômetros por sete estados brasileiros, além de quatro países da América do Sul.
O roteiro foi percorrido durante o fim de ano, com saída no dia 23 de dezembro e retorno no dia 11 de janeiro.
O grupo, que planejou a viagem durante dois anos, garante que os destinos escolhidos valem a pena. Dois anos atrás viajamos e conhecemos o Chile, seguindo pelo Sul. Desta vez o caminho foi pelo Norte e, com isso, o enriquecimento cultural foi ampliado, afirmam.
Durante os quatro dias e meio de viagem pelo Brasil, o grupo, além do calor intenso, também teve seu primeiro imprevisto. Tivemos um pequeno acidente de carro, pois fomos em três motos e um veículo de maior porte. Esse imprevisto atrasou um pouco nosso roteiro, mas, felizmente, ninguém se machucou e os danos materiais foram consertados ainda em terras brasileiras, explicam.
Passado o susto, a viagem continuou. Pelo Brasil, os viajantes passaram por Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre.
Quando chegaram ao Peru, primeiro país a ser visitado, a estada durou sete dias e passou por lugares como Machu Picchu e Arequipa.
O Peru é um país de tradição e de passado indígena, mas também fortemente ligado aos costumes impostos pelos conquistadores espanhóis que chegaram à região na primeira metade do século 16. Essa mistura de culturas deixou no vasto território monumentos históricos, igrejas e sítios arqueológicos, sem contar que a natureza também não deixa por menos, com florestas, desertos e cordilheiras nevadas.
E por toda essa riqueza cultural, é que o país será um dos mais lembrados pelo grupo. No Peru você não vai ver muitas motos, então logo pudemos observar olhares curiosos para nós. Já no deserto do Atacama essa realidade muda. Além disso, as paisagens desertas, com morros compostos por pedras coloridas são encantadoras, completam.
Um dos lugares visitados no país vizinho, Arequipa inicia no deserto costeiro e se eleva nos Andes atingindo grande altitude. Puno foi outra parada do grupo. A cidade, que é capital do folclore peruano, descansa às margens do Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo.
Parada obrigatória para os visitantes do Peru, Machu Picchu é uma impressionante cidadela encravada em uma montanha. O seu nome traduzido ao espanhol significa Montanha Velha. Também foi chamada a Cidade Perdida dos Incas, pois foi um mistério para o Ocidente até ser descoberta por Hiram Bingham, em 1911. A construção da cidadela dataria do século XV e é atribuída ao Inca Pachacútec.
O grupo, além de conhecer o local, também viveu outro tipo de aventura. Deixamos as motos em Cuzco e utilizamos uma van e um trem para chegar a Machu Picchu. Ao todos, foram três horas até chegar ao local. Na volta, a situação foi outra. Sofremos o conhecido overbooking e, então, andamos apenas 11 quilômetros de trem para poder pegar a van e voltar. No entanto, chegamos às 13h30min ao local combinado e, sem sinal de celular, sem banheiro, sem qualquer tipo de comunicação esperamos até às 15h para a chegada da van. Depois de muitas horas na van, finalmente retornamos. E também vivemos momentos de muita tensão ao andar muito próximo dos penhascos, relembram, agora rindo.
A cultura peruana é extremamente rica e as roupas coloridas são tradicionais por lá. As lhamas também são marca registrada, tanto que aparecem em qualquer lugar, mesmo. Estávamos no deserto do Atacama tomando sorvete quando uma lhama entrou no estabelecimento, seguida por outra. Além disso, muitos animais atravessam a rua o tempo todo, divertem-se.
Já no Chile, os quatro dias seguintes foram regados pelo clima desértico, que foi algo a ser superado. Durante o dia o calor tomava conta, mas a noite era muito fria, ressaltam.
Destaque deste trecho, San Pedro de Atacama quase não registra chuvas e possui um cenário árido. Mesmo assim, o local atrai um número grande de turistas. A razão? A paisagem inigualável.
O pequeno povoado de cinco mil habitantes não se entrega às modernidades e preserva ruas de terra e casinhas rústicas. As atrações naturais mais interessantes estão localizadas fora do setor urbano de San Pedro. A lista de pontos imperdíveis é tão extensa quanto aquelas terras do norte do Chile, cujo principal acesso aéreo se dá por Calama, a 98 quiilômetros de San Pedro: aldeias soterradas, fortalezas pré-incas, desertos de sal e até gêiseres fumegantes.
O colorido da paisagem pode ser observado em seus cactos, montanhas e pedras, onde cores como verde musgo, laranja e lilás predominam.
Já na Argentina, os dois dias seguintes, também foram intensos. Cidades como Paso de Jama e Salta foram algumas das visitadas.
Paso de Jama fica a 4.200 metros de altitude e a 160km de San Pedro de Atacama. Com uma paisagem de montanha, através da Cordilheira dos Andes, a região atravessa o deserto do Atacama, o mais seco do mundo.
Na Argentina, Salta é conhecida como la linda. E com razão. Essa cidade verde está a mais de mil metros de altura e ainda preserva seu estilo colonial nas casas e ruas estreitas da capital da província de mesmo nome. É uma mistura equilibrada de grande metrópole com tradições culturais anteriores à chegada dos incas.
Para os locais visitados, apenas uma palavra define: indescritível, ressaltam.
O deserto de Chaco, na Argentina, foi o local onde o grupo se viu em um lugar muito quente, de muito brejo e borboletas.
Então, a viagem estava sendo encerrada com a última parada internacional, no Paraguai.
Depois disso, a parada em Foz do Iguaçu e o retorno para casa. E quando chegaram em casa, a primeira coisa a ser feita foi um bom e belo churrasco brasileiro.
A viagem, apesar de longa, traz momentos únicos e eternizados em fotografias e memória.
No entanto, o motociclismo exige que o espírito aventureiro esteja presente no corpo e na alma. Você vai já tendo a certeza de que é uma aventura. A viagem é rústica, simples, mas os lugares são muito limpos, ressaltam.
A programação também é necessária para que a viagem possa seguir um caminho seguro e com base. Além disso, alguns cuidados devem ser tomados, como, por exemplo, com postos de combustíveis. É importante ficar ligado onde há postos de combustíveis, pois em lugares muito desertos eles ficam distantes do destino e ficar sem gasolina não dá, completam.
Quando o assunto é dinheiro, alguns países próximos do Brasil aceitam Real. Outros, no entanto, não. Em cidades maiores há casas de câmbio. Em cidades menores não, então o pagamento é efetuado apenas com dinheiro, por isso é bom trocá-lo já na divisa dos países. Cartões também são aceitos, explicam.
E se a língua pode parecer um empecilho, muito se engana, pois o grupo não teve dificuldade de se comunicar.
Além disso, a fiscalização policial também acontece, mas sempre de maneira respeitosa e eficiente. Fomos parados algumas vezes pela polícia, mas não nos incomodamos. Quanto às estradas, dão um banho nas nossas rodovias, afirmam.
Uma das maiores dificuldades para quem viaja de moto fica por conta das malas. Que malas?, brincam.
As poucas mudas de roupas são lavadas nos hotéis e as que são usadas por debaixo do macacão de proteção, são descartadas. Tudo isso para levar muito pouco durante a viagem.
O calor pode ser outro problema, mas para amantes de motociclismo faz parte do show. Nesta viagem, em específico, o que mais complica são os longos quilômetros a serem percorridos, além da respiração por conta da altitude e pressão, que causa tontura. A solução foi tomar muito chá de coca, enaltecem.
A alimentação, neste caso, ocorria de forma completa à noite. Café da manhã e janta eram as refeições, o resto do dia eram lanches. A razão? Para não cansar e fazer render o dia, explicam.
Lugares primitivos têm mais fácil acesso de moto, logo, conhecê-los torna-se ainda mais interessante. Quem viaja de carro vê a natureza, mas quem está na moto, faz parte dela, completam.
O aprendizado e a cultura adquiridos em alguns dias são eternos. E é por isso que, cada vez mais, o motociclismo vem conquistando adeptos.