Geral

Ela escolheu amá-los

Mãe adotiva mostra que dedicação e amor estão muito além da genética.

8 de maio de 2011

O lanche está pronto e embalado para ser levado pela jovem, que o comerá após o trabalho e antes de ir para a faculdade. Assim são todos os dias da semana, na casa de Ruth Lempke, 50 anos, que agora aposentada, não mede esforços para facilitar a vida da filha, Kelly Caroline Lempke, de 20 anos.
Tanta dedicação só poderia ser coisa de mãe-coruja, que vive em função dos filhos. Todo esse zelo, não é só com Kelly, mas também com o pequeno, Johnny Lempke, seis anos, que enquanto é feita a entrevista se esbalda com dois filhotes de cachorro.
O curioso desta história é o amor que impera na casa entre mãe e filhos, principalmente porque não é segredo para ninguém que ambos são adotados. Essa é a prova que a maternidade não está em dar a vida a um novo ser e sim em criá-lo, dando condições de crescer uma pessoa de bem e repleta de felicidade. Foi assim que Ruth criou Kelly, desde que a conheceu quando a menina tinha dois dias de vida.
Sempre à par de tudo o que tinha acontecido, a jovem nunca despertou interesse para conhecer a mãe biológica e diz que segue normalmente a vida sem essa revelação.
Talvez essa convicção da filha, tenha feito Ruth perder o medo do retorno da mãe de Kelly. “Não tinha medo de ela levar a Kelly de mim, mas de confundir a cabeça dela”, confessa a mãe.
Uma preocupação natural, mas que é suprida pela convivência e identidade entre as duas, a ponto da própria Kelly, admitir: “tem gente que diz que somos iguais no temperamento e no jeito de rir e falar”, diz Kelly, ciente de que a convivência pode tornar as pessoas parecidas, contrariando até mesmo as Leis naturais.
Ruth garante que tudo isso que aconteceu é uma dádiva de Deus e que possibilitou ela ser uma pessoa realizada como mãe e mulher. “Preencheu um vazio que existia na minha vida”, revelou.
Com o pequeno Johnny a semelhança física é maior, pois ele é loiro e de olhos claros. Porém, pela idade de Ruth muitos acham que ela é a avó do menino, mas neste momento ela tira sua diplomacia da cartola e avisa: “Ele não é meu neto e sim filho, só que adotivo”, explicando.
Porém, a diferença de idade não é obstáculo, pelo contrário. Como já está aposentada, acaba tendo mais tempo para se dedicar a criação de Johnny, que ela garante que dará mais trabalho que Kelly. “A Kelly sempre foi uma menina calma, já o Johnny é mais agitado. Tudo que ela me poupou de trabalho, acho que vou pagar com ele”, brinca a mãezona.
Como Kelly e Jhonny não ganharam apenas uma mãe e um pai e sim as famílias dos dois lados, o domingo do Dia das Mães, 08/05, já está confirmado na casa da Oma Tiedt, mãe de Ruth, onde outras mamães como Márcia, Marciana e Mirtes se farão presente. “Vamos todos para casa da minha mãe, mas antes quero deixar essa homenagem as minhas cunhadas que também são mães e sabem o que eu estou falando”, concluiu Ruth.

Reprise
Toda história tem sua particularidade, mas parcialmente pode ser repetidas. Pelo menos no ato principal. Por isso, Kelly acredita que depois de realizar o sonho da maternidade, pense em repetir o gesto da mãe ao adotar uma criança. “Quero adotar um criança negra, acho bonito esse contraste e mistura”, diz a filha, que recebe o apoio de colegas sempre que o assunto está em pauta.
Caso isso se concretize, ela pretende agir assim como Ruth e dar total liberdade para a criança conhecer a mãe biológica.

Notícias relacionadas