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Egito: uma viagem mística

Um diário de viagem, por Omar Manne. “Vai para o Egito? Fazer o que lá? Um lugar tão longe… Sei não, ainda mais com as confusões que andam acontecendo…”

1 de junho de 2015

Um diário de viagem ao Egito, por Omar Manne. “Vai para o Egito? Fazer o que lá? Um lugar tão longe… que língua eles falam por lá? Sei não, ainda mais com as confusões que andam acontecendo…”
5h20min da tarde, aeroporto do Cairo. Depois de quase um ano e meio de planejamento e economia, finalmente chegamos, a Kátia e eu. Só isto, já foi uma vitória. Após conseguirmos o visto e passarmos pela alfândega, trocamos algum dinheiro por “guiníns”, a moeda local, também conhecida por libra egípcia. Depois de muito pechinchar, conseguimos um taxi até o hotel, onde chegamos bem cansados. Afinal, são 5 horas a mais no fuso horário.
Dia seguinte, logo pela manhã, partimos para a planície de Gizé, o grande sítio arqueológico onde ficam as pirâmides e a esfinge. Trata-se de um enorme trecho de deserto, onde até hoje existem novas escavações e descobertas. Alugamos um cavalo e um camelo e entramos pelo deserto, nos fundos do sítio. Cavalgar pelas areias em um lugar assim já era algo mágico, evocando os livros e filmes sobre os beduínos e suas caravanas. Sentir a luz e o calor das areias do deserto era, longe de ser incômodo, algo que nos dava grande energia. Vá lá, pode chamar isto de entusiasmo… Ríamos muito, pois o quadro estava meio ridículo: eu, em um cavalo árabe, bonito mas não muito grande, e a Kátia lá em cima, no alto das corcovas do camelo. Lembrava as gravuras de Dom Quixote e seu escudeiro Sancho pança. Mas, não só nossos risos pararam, como perdemos a respiração quando, após uma duna, surgiram as pirâmides. Estavam ainda a uns dois km de distância, e já dominavam o horizonte. Na medida em que nos aproximávamos, passavam a dominar o céu! A emoção de estar tão próximo de uma obra levada a efeito ainda nos alvores da civilização, e até hoje inexplicada, nos deixaram calados, como se estivéssemos em um grande e majestoso templo. Foi, no entanto, quando penetramos na Grande Pirâmide atribuída a faraó Khufu (Queops, em grego), que a emoção quase nos dominou. Diferente de todas as outras, sua tecnologia ainda hoje desafia os melhores astrônomos e engenheiros. Estudos sugerem seriamente pertencer a uma civilização ainda mais antiga e complexa do que a dos egípcios. Que estes últimos foram, em verdade, herdeiros daqueles que foram assim chamados “deuses”, e que por algum motivo nos deixaram. Contemplar de perto a “Grande Senhora” (esfinge), foi também uma experiência única. Seu grande corpo de leão é encimado por uma cabeça humana, alegadamente do faraó Kahfre, da IV dinastia (2.300 a.C.). Outros estudos, porém, também sugerem uma idade muito mais antiga, até mesmo pré-histórica.
Seguimos no dia seguinte para Dashur, localizada a cerca de 60 km ao Sul do Cairo, onde também vimos belas pirâmides, mas completamente desertas, ao contrário das de Gizé, sempre congestionadas de visitantes. Alguns km ao Norte, o que sobrou de Mênfis, a bela capital do Antigo Império, nos trouxe ao mesmo tempo um sentimento de contemplação e tristeza. Completamente destruída, o que restou foi agrupado para visitação. A bela esfinge de alabastro ainda domina o pátio central, bem como a imensa estátua quebrada e caída de Ramsés II, ao redor da qual foi erguida uma construção, na tentativa de preservá-la. Causa curiosidade o fato do filósofo grego Plutarco (42-120 d.C.) fazer menção a esta cidade, antiga, mas ainda majestosa. Viveu em plena era romana, onde os imperadores eram patronos e protetores dos templos egípcios, cuja religião respeitavam. Foi justamente após o édito de Tessalônica (380 d.C.), quando a religião cristã foi declarada a oficial do império, que o cristãos, antes perseguidos, tornaram-se nos piores perseguidores de que a história tem notícia. No caso de Mênfis, literalmente, não ficou pedra sobre pedra.
Um pouco mais ao Norte, no sentido do Cairo, visitamos o belíssimo complexo mortuário de Saqqarah. As construções do local abrangem um longo período, indo desde cerca de de 3000 a.C. até o ano 120 de nossa era. O que predomina, porém, é o complexo do faraó Djoser, da III disnastia (2650 a.C.), e sua bela pirâmide escalonada (em degraus). Aqui também não é considerada uma rota turística comum, sendo raros os visitantes. O que chama atenção é a grandiosidade e perfeição que chega aos mínimos detalhes, em uma obra realizada no duro granito, em uma época na qual as únicas ferramentas que existiam eram as de cobre, que mal davam para arranhar a matéria prima disponível.
O Museu Egípcio do Cairo é um espetáculo à parte. Daria para ficar dias estudando suas peças, cada uma mais bela que a outra. Quem for visitá-lo, recomendo que o faça logo pela manhã, quando estiver descansado. Ler alguma obra sobre ele antes também é aconselhável, se quiser aproveitar melhor a visita. Em seu interior existem ótimos livros à venda, em vários idiomas.
Naquela mesma noite, tomamos um ônibus rumo à cidadezinha de St. Catherine, que fica nas proximidades do Monte Sinai, ou Monte Horeb, onde alega-se que Moisés recebeu de Jaweh (seu deus) os dez Mandamentos. Foi uma noite cansativa, com várias paradas para inspeção e revista, dado ser uma região muito militarizada, fronteiriça ao estado de Israel. Chegamos na manhã do dia 4 de outubro, e o sol desenhava belíssimos contornos nas altas montanhas da região. Como sua altitude média era em torno dos 1000m, o clima era bem mais ameno e agradável. Após nos instalarmos, fomos dar uma volta pela cidade, devidamente “disfarçados” (com trajes locais). Eu até enganei direitinho, mas, mesmo de longe, ao avistarem a Kátia, loura de Blumenau, nosso disfarce logo caía por terra.
St. Catherine é uma cidade toda feita de pedras. Ruas largas, casas pequenas. Era uma aldeia beduína até Israel invadir o local, onde ganhou estrutura para receber os turistas judeus que desejavam visitar a região, compreensivelmente sagrada. Estes, ao se retirarem, deixaram condições para que a cidade se beneficiasse de um turismo calmo, mas constante. Foi com um sentimento muito bonito, que visitamos, à pé, todos os lugares pesquisados com tanto carinho, no famoso “google earth”.
Foi na tarde do dia seguinte que iniciamos a subida ao Monte Sinai. Conseguimos que um velho beduíno nos servisse de guia, que acabou nos levando por um caminho que só os habitantes da região conhecem, até o chamado “platô de Elias”, uma região plana com alguns ciprestes centenários, a 40 minutos do topo. A tarde já ia avançada, quando chegamos neste platô. Deixamos nossas mochilas e, em um último e rápido esforço, atingimos o pico. Às 5h da tarde, o sol já se escondendo no horizonte montanhoso… Éramos, naquele momento, os únicos seres humanos, no dia 5 de outubro de 2012, a estarmos no ponto mais alto de uma montanha considerada sagrada por judeus, cristãos e muçulmanos. E também, a propósito, por ufólogos sérios, que consideram a região como parte importante da chamada “paleoufologia”, matéria que estuda a presença de extraterrestres no passado longínquo da humanidade. A noite, acreditem, foi bem fria. Sob um céu maravilhosamente estrelado, dormimos ao relento naquele platô, a 2000m de altitude. Juro que tentei ficar acordado para ver algum ET, mas acabei dormindo como uma pedra…
Dia seguinte, descemos calmamente pela rota dos camelos, indo até o mosteiro cristão ortodoxo do século VI, ainda em funcionamento. De lá, voltamos para a aldeia, tomamos um bom banho, e saímos para comer alguma coisa, já por volta das 2h da tarde. É interessante como foi útil o que pude aprender do idioma árabe, neste ano de preparação… Não só nos ajudou várias vezes, como também despertou simpatia por onde passávamos, simplesmente pelo interesse demonstrado em aprender a língua nativa.
Bem cedo na manhã seguinte, rumamos novamente de ônibus para o Cairo. Não bastando as orações cantadas em árabe tocando alto, em um determinado ponto do trajeto o veículo foi literalmente tomado por soldados barulhentos. Mas até aí nenhum perigo. .. Estavam voltando para suas unidades, após o feriado do dia 6 de outubro, dia das Forças Armadas. Isto até que nos ajudou, pois as barreiras de inspeção nos deixavam passar direto, ao ver o ônibus apinhado de militares.
Nosso vôo doméstico do Cairo para Assuan chegou sem problemas. Já era noite quando chegamos no hotel. Neste ponto foi ótimo, termos planejado tudo com antecedência. Procurar lugar para ficar em uma hora dessas, cansados, “ninguém merece”…
Já na madrugada seguinte, pegamos o comboio rumo a Abu Simbel, cidadezinha na fronteira com o Sudão, que abriga um dos mais belos complexos que existem no Egito, contruído por Ramsés II para si mesmo e para a sua amada, a rainha Nefertari. São quase 300 km ao Sul de Assuan, em uma estrada asfalta com retas imensas. O amanhecer do deserto nos pegou na estrada. Chegamos, pouco passava das 7h da manhã. Por sorte, o hotel ficava bem próximo do complexo. A entrada do sítio era feita por trás da montanha onde estavam os templos. Começamos a circundá-la, não sem uma certa ansiedade. Tínhamos visto as obras tantas vezes, seja em revistas, livros ou na internet, que vê-las assim, ao vivo… Justamente neste momento surge o templo de Ramsés, a quase 400m de distância, mas já enorme. De novo, sentimos a respiração em suspenso. Foram, à medida em que nos aproximávamos, se tornando colossais. Se o que dizem, que também foram construídos para intimidar as incursões núbias for verdade, concordaria plenamente. Imensas, atentas e serenas, as estátuas davam perfeitamente o recado, em qualquer língua. Em seu interior, belíssimas cenas que enalteciam o faraó, seja diante dos homens, vencendo batalhas (como a batalha de Kadesh contra os hititas), seja diante dos deuses, onde partilhava fraternalmente de sua companhia. O templo de Nefertari, este não foi feito para intimidar. Foi como uma canção para a mais amada, a mulher que representou a nobreza feminina de Khemi, o país das duas terras. O poucos turistas que lá estavam saíram, nos deixando praticamente sós. Passeávamos de cá para lá, e simplesmente não dava vontade de ir embora. Após mais algumas horas, porém, fomos vencidos pela fome. Caminhamos um pouco rumo à cidadezinha e fizemos um bom e simples almoço, cujo dono do bar, a um determinado momento, foi à pia, lavou seu rosto, mãos e pés, calmamente desenrolou seu tapetinho e, posicionado-o em direção a Meca (que sempre sabem para que lado fica), ajoelhou-se e começou a orar. Aquilo nos deixou tão comovidos, que o resto do almoço, que até então fora recheado de impressões e comentários sobre os templos, transcorreu no mais absoluto e respeitoso silêncio. No resto da tarde, passeamos pela cidade e nos divertimos, coisa que o turista normalmente não faz.
Retornamos à Assuan no dia seguinte, e fomos conhecer o mercado público, bem perto da estação ferroviária. Um festival de cores, sons e aromas, enriquecidos pelo falar dos vendedores, transformava o local em um pedacinho dos contos das mil e uma noites.
Se quiserem saber o que é um lugar exuberante em pleno deserto, é só visitar a ilha de Kirtchner. O local todo é um imenso e bem cuidado jardim botânico, onde conseguimos chegar de “feluca”, um pequeno barco à vela próprio da região. Momentos de paz em meio a uma bela paisagem. À tarde, fomos a outro ancoradouro e pegamos uma lanchinha até a ilha de Agilkia, onde foi reconstruído o templo de Filae. Em homenagem à Ísis, deusa do amor, da beleza e da maternidade, foi o último baluarte da religião egípcia a cair sob a perseguição cristã, no século VI d.c. Boa parte de suas belas imagens foi destruída pelo fanatismo e intolerância que se espalhou por aquelas terras. Apesar da mutilação, ainda existe muita beleza e boas vibrações na casa da deusa. O arranjo harmônico dos pórticos, colunas e mensagens nas paredes, ainda conseguem transmitir parte do sentimento de outrora. Basta abrir os olhos do coração.
Dia 11 de outubro, bem cedinho, tomávamos o trem em direção a Luxor, antiga Tebas, que se tornou a maior capital da antiguidade, principalmente após a expulsão dos invasores hicsos em 1570 a.C. pelo bravo faraó Amosis, tendo início o chamado Novo Império. Foram quatro horas de viagem tranqüila, onde a paisagem do deserto alternava com pequenas aldeias e suas plantações, com os felás (trabalhadores do campo) em plena atividade. Da estação ferroviária de Luxor, fomos caminhando até o hotel. Isto porque realmente estávamos com vontade, pois o que havia de Kalesh (charretes) e taxis oferecendo seu serviços, era “coisa de louco”…
Depois do almoço e de um bom descanso, também fomos caminhando até o templo de Luxor. Até meados do século XIX, toda a região estava soterrada por lama e sedimentos, acumulados por séculos de abandono. Com o tempo, uma aldeia foi construída entre as colunas, com direito até a uma mesquita. Com o desenvolvimento da egiptologia no mundo inteiro, as escavações do sítio tornaram-se obrigatórias. Os moradores foram relocados, mas a mesquita ainda continua lá, incrustada no coração do templo. Trata-se de um lugar belíssimo. Mesmo em meio à destruição sistemática de estátuas e hieróglifos (que até a era romana não havia acontecido), percebe-se uma vibração pacífica e solene movimentando-se entre a colunata. O semblante das imagens que sobraram transmitem serenidade e nobreza. Os poucos obeliscos restantes, um da rainha Hatschepsut e outro do faraó Ramsés II, assemelham-se a antenas, buscando captar, com auxílio dos sacerdotes, as boas vibrações celestes. Resolvemos ficar por ali até a noite, para ver a iluminação. Não nos arrependemos, pois a escuridão disfarçou parte das ruínas, e o que sobrou foi realçado pelas luzes. Difícil foi segurar o coração, que desejava, a todo instante, voar no tempo rumo à era dourada dos deuses e dos homens.
Dia seguinte, logo cedo, fomos até o grande complexo de Karnak, dedicado a Amon, principal deus da cidade, e de todo o Novo Império. Gerações de faraós, desejando homenagear aos deuses, contribuíram com sucessivas construções. O resultado foi um enorme complexo, onde variados estilos podem ser percebidos. Por constituir-se reduto principal do culto egípcio, Karnak foi prioridade dos destruidores fanáticos, que acreditavam enaltecer sua fé no “Cordeiro de Deus”, ao arrasar o culto alheio. Exemplos semelhantes pululam na história das religiões monoteístas, infelizmente. Ao que parece, o problema se encontra na intolerância do ser humano para com as diferentes formas de se relacionar com a força superior, a que chamam de Deus.
Também fomos conhecer o mercado público de Luxor, verdadeiro bairro, conhecido como “Suuk” (mercado, em árabe). Mais uma vez, a sensação de viajar ao tempo das caravanas, com seus entrepostos, foi bem forte. Não deixe de visitá-los, pois a alma destes cidades paira por lá.
No dia seguinte, foi a vez de visitarmos o templo na cidade de Abydos, a 97 km ao Norte de Luxor. Sempre foi um local sagrado de todo o Egito Antigo onde, segundo lendas ancestrais, o deus Osíris foi sepultado. Antes das primeiras dinastias, Abydos já era considerada mágica, abrigando conjuntos megalíticos, onde sua real idade não consegue ser ainda precisada. Tais construções, chamadas de Osirion, encontram-se nos fundos do templo dedicado a Osíris por Seti I, pai de Ramsés II. São blocos imensos de granito, cortados como se uma faca quente cortasse manteiga. Estão suspensos em perfeita ordem, encaixados um sobre o outro, de uma forma que até hoje surpreende os engenheiros que os estudam. Encontram-se alagados há muitos anos, por um desvio do rio Nilo. O templo construído por Seti I é fantástico, e merece ser visitado com carinho e atenção.
Cerca de 40 km ao Sul, está a cidade de Qena, onde abriga o templo de Dendera. É um templo dedicado a Hathor, a deusa da música e da fertilidade, por vezes bem próxima a Ísis. É representada por vezes na forma de uma vaca, que na época não era vista com o tom pejorativo que é hoje. É um animal fértil, que alimenta e cuida dos seus filhos. Seu templo é belíssimo, decorado nos capitéis das altas colunas, com a face da deusa. Pena que todas foram mutiladas pelos defensores da nova fé…
Dia seguinte, outra aventurinha: pegamos uma barca pública, atravessamos o rio Nilo para a margem Leste, alugamos duas bicicletas e fomos conhecer a necrópole, em pleno deserto. Um pouco puxado dado o calor, mas foi sensacional… Conhecer o templo da rainha Hatschepsut, de Seti I e de Ramsés III foi um presente dos deuses. Emocionante, percorrer o lendário Vale dos Reis e suas tumbas milenares, ricamente adornadas. Os ladrões da antiguidade saquearam quase todas, mas delas levaram “apenas” as riquezas. A decoração permanecia intacta, pois tais obras só começaram a ser efetivamente descobertas a partir do século XIX. E olha que deu tempo de tomar um refresco e um “chay” em um hotelzinho próximo às ruínas. Chegamos cansados, mas com uma sensação ótima de ter conhecido um monte de coisas maravilhosas, sem a ajuda de ninguém.
A manhã do dia 16 de outubro também prometia ser ótima. Rumamos para Edfu, uma cidade há cerca de 70 km ao Sul de Luxor. Lá está erigido o maravilhoso templo em homenagem a Horus, o deus comumente representado como um homem com cabeça de falcão, ou mesmo um falcão completo. Poucos sabem, mas tal deus é apresentado desta forma em virtude do seu poder de voar pelos céus, com seu disco alado (…). Filho de Osíris com a deusa Ísis, conta-se que, no local onde foi levantado o templo, em eras passadas, houve terrível combate aéreo entre ele e as forças do deus Seth, saindo vencedor o deus falcão. Pelo menos é o que está escrito nas parede do templo, compilados de tradições antiquíssimas. Seu portal de entrada é imenso e, o que não está destruído, emana misteriosas vibrações. Cerca de 25 km ao Norte, a cidade de Esna guarda também um belo templo, dedicado ao deus carneiro Knuhn, filho de Amon com a deusa Mut. Uma de suas jurisdições é controlar as cheias do Nilo, fechando ou abrindo o caudal de águas com suas sandálias, ao nível das cataratas de Assuan. Tanto tempo passou em abandono, que 10 metros de sedimentos se acumularam com o passar dos séculos. Ao fim das escavações, seu teto nivelava com as fundações das casas ao redor. E olhe que ele é bem alto.
Ao final do dia, chegamos um pouco cansados, mas inebriados com o banho de história, cultura e espiritualidade. Alguns, compreensivelmente, só conseguem ver amontoados de pedras velhas, tiram algumas fotos cômicas e “passam batidos”. Mas existem outros que conseguem, tocando ou não nas pedras, ouvir seu testemunho de grandeza, mas também seu lamento, pelos séculos de incompreensão e barbarismo. O que será melhor? Os primeiros, entraram e saíram felizes, em seus grupos barulhentos. Os outros, acabaram levando, apesar da riqueza do conhecimento, um peso de tristeza no peito. Um tipo de saudade que me levou às lágrimas, algumas vezes.
Enfim, cumprimos o nosso roteiro na totalidade. Escolhido por nós, na nossa velocidade.
Pode ter cansado um pouco, mas foi uma baita aula… Em todos sentidos.
Estava agora na hora da diversão, pura e simples. Na madrugada do dia 17, decolamos em um grande balão, e vimos toda a bela região de Luxor bem do alto, com tudo o que visitamos. Foram momentos de paz e alegria, presenciar o nascer do sol de um lugar tão especial.
Passamos o resto do dia descansando, merecidamente. Dia seguinte, logo pela manhã, tomamos um trem de volta para o Cairo e, de lá, o avião de volta para o Brasil.
Foi uma experiência maravilhosa e plenamente possível, com o devido preparo.
A mensagem que nos deixou foi bem simples: não deixe eternamente seus sonhos guardados na gaveta. Se eles existem, é porque seu ser, de alguma forma, anseia por eles.
E, no nosso caso, podemos garantir, voltamos bem diferentes. E para melhor!

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