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Educação: herança de família

Ela tem a educação no sangue, no coração e pelo jeito, o que herdou soube passar adiante

5 de agosto de 2011

Foram 32 anos dedicados a alfabetizar e ensinar três gerações de crianças do bairro Pomerode Fundos. Agora chegou a hora de curtir o que essas três décadas de labuta proporcionaram. Mas porque, Marlene Ferreira Dalmann, 48 anos, tem a educação no sangue? Pelo simples fato de ser filha de Vidal Ferreira, o famoso professor de Pomerode, que dá nome à escola do bairro e que durante muitos anos se dedicou também a educar os filhos de diversas comunidades da cidade.
Porém, para entender a paixão e vocação para a educação desta pomerodense, não dá para simplesmente falar da genética que, com certeza, a colocou neste caminho. Isso porque quando falamos do coração voltado para a educação, devemos creditar a responsabilidade por ter ajudado a inserir Marlene no magistério, ao seu marido, que era professor na escola onde seu pai dava aula e tocou o coração da jovem, que quando iniciou a careira após a morte do pai, logo se apaixonou e, um ano depois, faziam seus votos de matrimônio.
Agora o mais curioso é que mesmo com a aposentadoria e a mudança de profissão do marido, a família Ferreira Dalmann, deve continuar produzindo educadores, pois um dos filhos de Marlene, formado em engenharia, já dá aulas e faz mestrado na área.
Mas essa história de envolvimento com a educação, como já foi escrito, começa no pai de Marlene, que faleceu no dia 30 de junho de 1978. Ele que estudou nos colégios Maristas do Rio de Janeiro e Curitiba, deixou vago o cargo na escola Vitor Konder, educandário que existia na época no bairro Pomerode Fundos, mas o vínculo não oficial com o educandário começou quando o pai ainda estava no hospital. Marlene, a pedido da mãe, ajudava ficando com as crianças que estavam sem aulas pela falta de um professor para substituir Vidal Ferreira e dali surgiu a vontade de ensinar. Depois a permanente ausência do mestre,que apesar de rigoroso, era querido e respeitado por todos,sobrecarregou o marido, que até aquele momento era apenas um colega de profissão dopai e que freqüentava sua residência por motivos profissionais. Isso fez com que dona Natália, que cuidava da educação do município em tempos que não existia Secretária de Educação, a convidasse para a função, sendo assim sua madrinha na carreira e uma das responsáveis pela introdução da jovem em sala de aula.
Porém, esse não era o sonho profissional de Marlene durante a adolescência. Sua vontade era ser secretária, como as que Vidal Ferreira tinha nas peças teatrais que escrevia e produzia na escola e na comunidade.
Mas o destino escreve certo, por linhas tortas e assim ela foi levada para dentro da sala de aula e foi lá que se realizou e construiu uma brilhante carreira com a formação inicial no magistério e depois em pedagogia.
Lembranças, Marlene tem muitas, principalmente dos alunos que até hoje a cumprimentam na rua, no supermercado, ou onde quer que ela esteja. Ela só lamenta que a relação atual entre professor e aluno, ou mesmo entre os familiares tenha mudado. “Sem querer ser saudosista, mas antigamente conhecia os pais e os avós dos meus alunos, hoje às vezes há pais que precisamos perguntar quem são os filhos deles, porque o envolvimento com a educação das crianças está muito menor”, lamentou.
Porém, os tempos modernos e corridos do dia-a-dia também trouxeram evoluções para a educação que, segundo a professora aposentada, usadas de maneira controlada e consciente, podem auxiliar e muito os programas pedagógicos. “A internet é uma ferramenta fantástica. Quando um aluno tem dúvida e precisamos pesquisar ou exemplificar, ela nos possibilita sentar na frente de um notebook e buscar na rede mundial o que precisamos”, ressaltou, confessando que não é uma das mais “high tech” entre as educadoras.
Da escola Victor Konder, em 1979 até a aposentadoria em março de 2011, passaram-se 32 anos e Marlene pode requerer a aposentadoria para desfrutar a vida com a família e não parar de mexer com a educação, mas agora de uma maneira voluntária. Porém, sua sensação é de dever cumprido. “Cumpri minha missão. Alfabetizei três gerações e aquilo que fiz foi de corpo e alma. Segui o conselho do meu pai que dizia: onde Deus te plantar, saiba florescer”, citou o saudoso Vidal Ferreira, a quem sempre teve como espelho na sala de aula e com certeza ajudou a florescer também muitos outros cidadãos que passaram pelas carteiras das escolas por onde passou. .
Agora o objetivo de Marlene é curtir a casa e a família e depois, quem sabe, voltar a lidar com educação, mas de uma maneira voluntária. “Agora vou dar um tempo, mas depois penso em fazer algum trabalho com alunos da APAE, pois acho que posso colaborar com minha experiência. Não vou conseguir ficar tão longe da educação”, declarou.

Herdeiro
O filho mais velho, Jefferson, que faz mestrado em engenharia na Udesc, em Joinville, segue os caminhos do avô, do pai e da mãe. Dá aulas na cidade dos príncipes e pelo jeito leva jeito para a coisa. “Ele falando e reclamando dos alunos parece que vejo meu pai. Ele me mostra as provas de alguns estudantes e diz o como dá valor ao que aprendeu nos tempos que estudava no Doutor Blumenau. Outro dia me confessou que achava que não iria largar mais a área acadêmica e com o dom da palavra que ele tem, acredito que teremos mais um a seguir a carreira de professor na família”, concluiu a mãe orgulhosa do filho ser tão dedicado e ter seguido os passos dela e do avô.

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