Eduardo Franco Sanches: uma história de superação
Uma cena chamou a atenção de todos na prova do Cross-country dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina, realizada no dia 24 de agosto. Dos 55 ciclistas inscritos na prova, Eduardo Franco Sanches, de 16 anos, que competia por São Bento do Sul, era apenas mais um que tentava uma medalha,…
Uma cena chamou a atenção de todos na prova do Cross-country dos Joguinhos Abertos de Santa Catarina, realizada no dia 24 de agosto. Dos 55 ciclistas inscritos na prova, Eduardo Franco Sanches, de 16 anos, que competia por São Bento do Sul, era apenas mais um que tentava uma medalha, correto? Correto.
Mas o que tornava o ciclista especial, era o fato dele não possuir o braço esquerdo. A expectativa criada em torno do jovem foi tamanha, que todos aguardavam, ansiosos, o desfecho da prova, para poder conferir o desempenho do atleta.
Terminada a competição, a 13ª posição na classificação geral era o que menos importava. O abraço do seu técnico, Herberth Sprotte, e os aplausos do público presente eram bem mais valorosos do que a conquista de uma medalha.
A história de Eduardo é uma verdadeira lição de garra e superação. No ano de 2005, então com 11 anos, o jovem foi atropelado por um carro dirigido por um tio, num parque de pesque-pague de Rio Negrinho. ?O carro precisava de um empurrão para pegar no tranco. Como eu estava na frente e o veículo não tinha freios, meu tio acabou me atropelando, passando por cima do meu braço esquerdo?, lembra.
O acidente lesionou os nervos acima do cotovelo, obrigando os médicos a amputar o braço. Na época, Eduardo não praticava esportes e nem imaginava que um dia iria ser ciclista. Em 2009, ainda em Rio Negrinho, costumava observar os garotos de sua idade praticando esportes, principalmente as provas de estrada e resistência. Como tinha uma bicicleta tracionada, resolveu experimentar, e não parou mais.
Devido ao seu ótimo desempenho nas corridas, foi convidado pelos amigos a participar da equipe Rino, de ciclismo. Desde então, vem treinando forte, cerca de seis horas por dia. E este esforço está começando a dar resultados.
Em setembro de 2009, ficou em oitavo lugar no contra-relógio individual no torneio Paraolímpico, em Brasília. Recentemente, participou também da Volta de Brusque e do 1º Tour de Itajaí, conquistando o terceiro e o quinto lugar, respectivamente.
Eduardo é natural Pontes e Lacerda (MT), cidade distante 442 km da capital Cuiabá e veio morar em Rio Negrinho no ano 2000. É o mais novo dos cinco irmãos e tem um sonho: participar da Paraolimpíada de 2016.
O técnico Herberth não mede as palavras ao falar de seu pupilo: ?O Eduardo é um garoto muito bom, é um exemplo de dedicação, de como superar os obstáculos da vida através do esporte. Sua força de vontade é impressionante. Tenho muito orgulho em poder trabalhar com ele?, declarou.