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Editorial

A época de Natal renova as esperanças de um mundo melhor, mais solidário, companheiro e que pensa no próximo como se pensa em si mesmo. Fazem-se coisas mais bonitas, lembramos-nos do passado que enche os rostos de orgulho e por fim, sentamos em volta da mesa e brindamos mais um…

9 de dezembro de 2010

A época de Natal renova as esperanças de um mundo melhor, mais solidário, companheiro e que pensa no próximo como se pensa em si mesmo. Fazem-se coisas mais bonitas, lembramos-nos do passado que enche os rostos de orgulho e por fim, sentamos em volta da mesa e brindamos mais um ano que passou.
É sim um período em que boas ações prevalecem sobre os problemas sociais, mas ao mesmo tempo, a solidariedade nos mostra uma realidade um pouco ardente aos olhos, daquelas que anualmente viramos o rosto e que surpreendentemente agora, tentamos resolver.
Na semana em que trazemos na capa do jornal a história de uma garota cheia de encantos, nos deparamos, no exato momento em que realizávamos a entrevista-surpresa para Luisa, com a triste história vivida por uma senhora no Centro de Convivência Pommernheim.
É a segunda violência contra o idoso divulgada pelo Jornal de Pomerode em 2010. Duas denúncias marcadas na pele de duas senhoras que já viveram tanto, e talvez, anos atrás jamais imaginassem tamanha violência que sofreriam na terceira idade.
Violência física e verbal, duas inconsequências de quem pratica, duas marcas eternas para quem sofre. No nosso inconsciente talvez pensemos que maltratar idosos, mulheres, crianças, homens, seja algo inadmissível, mas o que fazemos para evitar que tais fatos findem?
Criou-se o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei Maria da Penha, o Estatuto do Idoso. Há indicies que mostram que depois destas intervenções o número de denúncias aumentou, mas ao mesmo tempo, nos deparamos com as notícias de maus tratos, abusos, etc., todos feitos de maneira imprudente e o pior, escondida.
Quantas e quantas vítimas sofrem caladas, esperando uma justiça divina, vinda do céu ou de qualquer outro lugar. Quantas esperam que as coisas mudem, muito embora não façam nada para mudar esse pensamento retrógado de que as coisas devem se acertar com o tempo, e não com justiça dos homens.
Denunciar, falar, contar. Às vezes parece ser uma alternativa impossível de acontecer. Contudo, já apresentamos reportagens que mostram que a denúncia é o primeiro passo para que as coisas em sua vida mudem.
Para esse ano novo, o Jornal de Pomerode deseja aos seus leitores, que falem. Que exclamem ao mundo inteiro o que sentem, e que além da solidariedade com o próximo, sejamos solidários com nós mesmos, e enxerguemos que toda, e qualquer violência é um ato de crueldade, é um ato que deve ficar nas lembranças que não queremos ter, naqueles armários velhos e empoeirados, que só servem para contar histórias aos que precisam mais do que a gente.

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