Geral

Editorial

Enem ainda é incerteza para estudantes. Ministério Público e MEC discordam de pontos e preocupam alunos que dependem do resultado para ingressar nas universidades em 2011. A nova data das provas dos cadernos trocados já foi marcada: dia 15/12. Mas ao mesmo tempo em que as coisas parece que funcionarão,…

25 de novembro de 2010

Enem ainda é incerteza para estudantes. Ministério Público e MEC discordam de pontos e preocupam alunos que dependem do resultado para ingressar nas universidades em 2011.
A nova data das provas dos cadernos trocados já foi marcada: dia 15/12. Mas ao mesmo tempo em que as coisas parece que funcionarão, o MEC descobre falhas e mais falhas na realização do Enem 2010.
Agora foi a vez da Bahia, onde uma professora confessou ajudar o filho. Segundo nota divulgada pela PF, no segundo dia de exame, uma professora que estava aplicando a prova, teve acesso a um texto de apoio da redação, depois que abriu um caderno de provas destinado a deficientes visuais. De acordo com a polícia, em depoimento, ela contou que, cerca de duas horas antes do início do exame, ligou para a casa de sua sogra, falou com o marido e passou o tema ? ?O trabalho e a escravidão? ? que havia lido. O marido, então, teria feito uma pesquisa na internet e avisado o filho, que estava em Petrolina (PE). O candidato consultou professores que estavam no local de prova, perguntando como escrever sobre o assunto.
A nota da Polícia Federal saiu um dia depois que o Ministério da Educação divulgou a data da prova para os alunos que teriam sido prejudicados na troca de gabaritos.
Parece que a história do ano passado, onde as provas foram roubadas, não foi a mais grave. Desde que o Enem virou coisa séria, que dá ao estudante acesso às universidades brasileiras, nada dá certo.
Os estudantes, que dependem da prova para entrar na universidade, realizam o exame, mesmo que desconfiados. Os professores continuam a ensinar e preparar os alunos para o Enem, embora também na incerteza de um futuro certo para o exame.
Em nota, o MEC informa que ainda está identificando os alunos possivelmente lesados pelos erros de impressão nas provas e gabaritos nos dois dias de aplicação do Enem, no primeiro fim de semana de novembro. O consórcio Cespe/Cesgranrio analisa as mais de 116 mil atas dos locais de provas para identificar os candidatos lesados. Os alunos que sofreram prejuízos com o caderno de provas amarelo serão avisados por mensagem de texto no celular, e-mail, telegrama e telefone e poderão realizar novas provas, se quiserem.
Na mesma velocidade em que o MEC tenta tapar os erros, a Defensoria Pública tenta consertar e não prejudicar ninguém com a lambança, denominada Enem 2010. O Ministério Público do Rio de Janeiro, encaminhou à Justiça, um pedido de indenização por danos morais no valor de um salário mínimo nacional (R$ 510) para cada um dos estudantes prejudicados pelos erros de impressão no exame. A medida foi tomada depois que o Tribunal Regional Federal (TRF) de Pernambuco suspendeu todas as decisões da Justiça Federal do Ceará que possibilitavam aos candidatos prejudicados a realização de um novo exame.
A ação indenizatória tem como principal intuito, forçar o governo federal a se organizar e evitar erros no próximo Enem, o que já deveria ter acontecido no ano passado.
Reforçaram a segurança na hora da impressão, mas se esqueceram de continuar o processo seguinte. Muitos podem ter perdido a única oportunidade que tinham de ingressar em diversas universidades públicas ou serem favorecidos no ProUni.
Enquanto a Justiça, Ministério e Procuradoria discutem, milhares de estudantes brasileiros ficam na incerteza de uma vida acadêmica em 2011. Para os mais confiantes, tudo se resolverá antes dos prazos das universidades terem fim. Para os mais realistas, a situação algo como o sol sendo tapado pelas peneiras do MEC. E o futuro de nossos jovens, ah, este pertence a dúvida da certeza de que ano que vem, ah, no ano que vem as coisas tendem a mudar.
 

Notícias relacionadas