Editorial
Ombrofobia. Talvez essa seja a palavra mais certa para definir o estado da população pomerodense. Fobia, do latim, significa medo. Ombrofobia, portanto, é medo de chuva. Mas o ?talvez? tem uma explicação. Não é medo de chuva que os pomerodenses sentem, Pomerode tremeria se a palavra fosse algo como, na…
Ombrofobia. Talvez essa seja a palavra mais certa para definir o estado da população pomerodense. Fobia, do latim, significa medo. Ombrofobia, portanto, é medo de chuva. Mas o ?talvez? tem uma explicação. Não é medo de chuva que os pomerodenses sentem, Pomerode tremeria se a palavra fosse algo como, na expressão que acabamos de criar, ?ombroconstantefobia?.
A cidade se assusta ao pensar que as constantes chuvas irão, novamente, assolar a região. O trauma, oriundo de uma região que sempre sofreu com enchentes, está ainda viva na lembrança da cidade, afinal, 2008 não foi um ano muito fácil.
Além disso, 2010 já começou aos prantos. Lágrimas do céu caíram e fizeram a estátua da Praça Jorge Lacerda flutuar sobre as águas, em um estilo bíblico, onde Noé levaria todas as espécies para um lugar seguro, enquanto o restante ficaria embaixo d?água.
E quase tudo ficou submerso. Perderam-se casas, sofás, camas, geladeiras, sonhos, amigos. Foi tudo, literalmente, água abaixo. Na lembrança, surgiu a ombroconstantefobia…
Agora, ainda em setembro, consequências das chuvas de 2008 reaparecem, onde o morro na Rua Mato Grosso assola os moradores da região, que já desabrigou dois moradores, retirou de suas casas outras três famílias e agora, interdita uma empresa que funcionava ali também.
Se as chuvas constantes continuarem, a situação pode piorar, e há possibilidades, ainda que consideradas remotas, de que a área seja interditada para sempre. E se há possibilidades, pode ser que aconteça.
Na semana passada, não havia possibilidades de interdição na empresa nem nas outras residências. Passaram cinco dias da edição 458 do Jornal de Pomerode, mas pelos resultados que marcaram a semana, parecem muitos mais. Há uma semana, o que preocupava era quando o morro iria parar de ceder, e contando com a força da natureza, que até então, agia ao nosso favor, tudo iria se resolver… Iria, não resolveu.
Domingo Pomerode foi presenteada com fortes chuvas, que infelizmente pioraram o destino de outras pessoas. Uma fábrica, que emprega pomerodenses, está interditada. Três famílias, que construíram casas, lares e que tem tudo, exatamente tudo ali no local, estão proibidas de voltar para casa.
Até que ponto a nossa ombroconstantefobia irá continuar? Até quando as chuvas constantes, sem fim, que nos deixam em pânico, que nos fazem prestar atenção nos vizinhos, olhar para o lado de fora temendo não enxergar mais nada que não seja água, até quando as chuvas constantes, sem fim, irão assolar a região do Vale, amedrontar nossas escolas, nossos parques, nosso turismo? Até quando os sonhos construídos na cidade, que mais parece ser um pedaço do céu, irão correr na correnteza do rio, contra a nossa maré?