Editorial
O Dia Mundial da Alimentação é comemorado somente no dia 16 de outubro. Mas esta semana, o Brasil recebeu um ?presente? antecipado pela data. Pelo segundo ano consecutivo, nosso país ocupa o primeiro lugar no ranking no combate à fome, que contempla 28 nações em desenvolvimento. Sendo assegurado pela Constituição…
O Dia Mundial da Alimentação é comemorado somente no dia 16 de outubro. Mas esta semana, o Brasil recebeu um ?presente? antecipado pela data. Pelo segundo ano consecutivo, nosso país ocupa o primeiro lugar no ranking no combate à fome, que contempla 28 nações em desenvolvimento. Sendo assegurado pela Constituição Federal, em seu artigo 6º, o direito à alimentação, a cada ano que passa, atinge um número maior de brasileiros, graças a avanços em programas federais, como o Bolsa Família, Fome Zero e investimentos na agricultura em pequenas propriedades.
A ONG ActionAid, que faz a avaliação anual do ranking, aposta que a solução para a fome no país está no estímulo à produção sustentável de alimentos em nível local, aumentando a oferta de alimentos na própria região.
Mesmo liderando o ranking da ActionAid, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer. Segundo estimativas, nós estamos entre os dez países com o maior número de pessoas com fome no mundo. Além disso, cerca de 37 milhões de pessoas vivem com menos de dois dólares por dia, 45% das crianças menores de cinco anos sofrem de anemia crônica por falta de ferro na alimentação e 50 mil brasileirinhos nascem todos os anos com algum tipo de comprometimento mental devido à falta de iodo na alimentação.
Se o Brasil ainda tem problemas a resolver, por que países como os Estados Unidos parecem não estar nem aí para a questão da fome? Certas atitudes de americanos ilustres podem ser consideradas, no mínimo, bizarras. A cantora Lady Gaga, na ocasião da cerimônia de premiação da MTV americana, apareceu com um vestido feito de carne bovina. Segundo especialistas, cerca de 11 kg foram usados para confeccionar o vestido de Gaga, o que daria para saciar a fome de cerca de 40 pessoas. Ou seja, uma família tradicional poderia se alimentar por, no mínimo, dez dias. Uma atitude lamentável de umas das mais famosas celebridades na atualidade.
Pode parecer pouco, mas se cada um fizesse a sua parte, grande parte dos problemas mundiais simplesmente não existiriam.
Se os números parecem ser favoráveis, no entanto, o Brasil ainda precisa evoluir se quiser continuar ocupando uma posição de destaque no combate à fome. Infelizmente, ainda existem leis que contribuem para o que o desperdício de alimentos seja a principal causa da fome no Brasil. Donos de estabelecimentos como restaurantes e lanchonetes são obrigados, por lei, a jogar fora o excedente de suas comidas. Caso esta sobra for doada para alguém que está à mercê da sorte e esta pessoa passar mal, o doador pode ir para a cadeia. A lei diz que a pena para quem ?entregar matéria-prima ou mercadoria em condições impróprias para o consumo? é de dois a cinco anos de detenção. Num país, onde 14 milhões de pessoas ainda sofrem com a fome e a desnutrição, uma determinação como essa pode ser considerada um grande retrocesso.
Chegará o dia em que todos os brasileiros terão, pelo menos, três refeições diárias? Ao que tudo indica, sim. É óbvio que algumas questões relativas ao combate à fome precisam ser revistas. De qualquer maneira, os números são animadores e o Brasil parece caminhar no rumo certo.